Contas da Ufes não fecham e universidade já funciona no limite

Caso corte não seja revisto, também não será possível manter abertas as 22 unidades do Ifes

O quadro é crítico e exige da comunidade acadêmica e da sociedade capixaba reação imediata. Essa é a constatação da audiência pública que debateu os impactos dos cortes no ensino superior federal realizada nesta semana no Teatro Universitário, campus Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que reuniu pró-reitores da instituição e do Instituto Federal (Ifes-ES), representantes do Ministério Público Federal, parlamentares e assessores e, principalmente, estudantes, professores e técnicos. 

Numa breve exposição, os reitores revelaram como os cortes têm atingido as duas instituições, prejudicando a manutenção de serviços essenciais, como limpeza e vigilância, além do pagamento de despesas como água e luz. “Não temos mais onde cortar despesas” , ressaltou o reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte, durante sua apresentação. 

O déficit projetado, caso os cortes chamados pelo governo Bolsonaro de contingenciamento não sejam revertidos, é de R$ 30 milhões. Dos R$ 70 milhões previstos para o orçamento de custeio (gastos com limpeza, segurança e manutenção), R$ 27 milhões já foram bloqueados e, com base nas despesas projetadas, comprometerão todo o planejamento da instituição.

Mesmo diante do quadro dramático com geração de impactos sérios no ensino, na pesquisa, assistência e extensão universitária, Centoducatte se mostrou confiante com a interlocução junto ao Ministério da Educação (MEC) e equipe econômica do governo.

"Não vamos fechar as portas simplesmente porque estamos em crise financeira. A universidade existe para servir a sociedade e não a esse ou aquele governo”, desabafou. Na Ufes, o bloqueio dos recursos orçamentários equivale a 33% do orçamento total inicialmente previsto de R$ 99,4 milhões (incluindo orçamento de custeio e de capital e emendas parlamentares).

Já o reitor do Ifes, Jadir José Pela, disse que serviços fundamentais para o funcionamento das unidades no Espírito Santo estão prejudicados, como compra de materiais para laboratórios, visitas técnicas e alguns tipos de trabalho em sala de aula. Ao apresentar a análise financeira, Jadir Pela destacou que o orçamento de 2019 da instituição é de R$ 65 milhões e que o corte nas verbas de custeio são de cerca de  25 milhões (37,8%). “Se o governo não liberar recursos, não será possível mantermos abertas nenhuma das 22 unidades no Estado”, disse.

A procuradora da República, Elisandra Oliveira Olímpio, que representou o Ministério Público Federal (MPF), frisou que um dos objetivos da audiência foi alcançado. "A partir dos diagnósticos apresentados vamos avaliar as medidas que podem ser adotadas, seja ações na Justiça ou medidas no âmbito extrajudicial para mudar esse quadro de desmonte da educação pública brasileira", garantiu.

Greve Geral 

O presidente da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), José Antônio da Rocha Pinto, considerou o quadro financeiro como "muito grave". Na avaliação dele, a audiência não foi capaz de pontuar de fato o que  poderá acontecer nos próximos meses, caso os cortes não sejam revertidos. “Temos que continuar o debate sobre as consequências dos cortes e fortalecermos o enfrentamento ao projeto político desse governo para a educação”, salientou o professor, reforçando o chamado para a Greve Geral desta sexta-feira (14) contra a reforma da Previdência, em defesa da Educação e por empregos.   

De acordo com o presidente da Adufes, que está na organização da Greve Geral, o movimento paredista irá reunir setor dos transportes, servidores públicos, profissionais da educação, bancários, petroleiros, comerciários, portuários, e várias outras categorias  no Estado contra os ataques do governo Bolsonaro.

A sexta-feira promete ser de intensa mobilização. Docentes, técnicos e estudantes vão se concentrar bem cedo em frente ao portão Norte (altura da Maternidade Santa Úrsula), na Avenida Fernando Ferrari, campus de Goiabeiras/Vitória. Às 13 horas, manifestantes participam de ato unificado em frente à Federação das Indústrias (Findes), na Reta da Penha, também na capital.  

“Vamos parar as nossas atividades e ir às ruas em defesa da Educação, contra a reforma da Previdência, por emprego e contra o desmonte das políticas sociais. A defesa dos nossos direitos exige luta”, lembra o presidente da Adufes, José Antônio da Rocha Pinto.

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