Cooperativa camponesa capixaba é destaque em desafio nacional

A Cachaça Crioula é um dos produtos da CPC-ES, criada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

Criada em 2012 pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), a Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa do Estado do Espírito Santo (CPC-ES), participa do Movimento Negócios pela Terra, que foi lançado no último dia 14 em São Paulo, buscando facilitar as relações comerciais entre produtores sustentáveis e empresas compradoras, a partir de um mapeamento de mil negócios comunitários de impacto.

Foto: Divulgação

Com sede em São Gabriel da Palha, a CPC-ES foi uma dos 21 empreendimentos de impacto do Brasil selecionados entre mais de mil inscritos para a jornada de aceleração do Desafio Conexus, que busca implementar novas soluções em gestão por meio de oficinas, seminários, consultorias e mentoria. Um dos participantes que representam a entidade neste processo, Douglas Alvaristo, explica que cooperativa foi criada pelo movimento antevendo os desafios que ia encontrar na comercialização, tanto pela via das políticas públicas como no ingresso no mercado privado. 

Além de atender à necessidade de personalidade jurídica para comercialização, a cooperativa permite dinamizar as vendas. Hoje são 137 associados de diversos municípios do Espírito Santo, que conseguem por meio da CPC-ES aglutinar sua produção e reduzir os custos de logística. “A cooperativa otimiza processos. Não é uma empresa, os donos são todas as famílias associadas. Na cooperativa há rateio do lucro quando existe e também do prejuízo se houver, é uma estrutura bem horizontal de trabalhar”. Entre os produtos de destaque estão o café, coco verde, açúcar mascavo e cachaça, além de frutas, verduras, legumes e outros.

Para o colaborador da CPC-ES, o processo de entrega de valor da cooperativa não é só externo, precisa ser interna também, pois os proprietários da instituição são os próprios agricultores, as mesmas pessoas que estão no dia a dia da produção e precisam garantir recursos para ter qualidade de vida na roça e também para investir em infraestrutura para a produzir por meio da agroecologia, sem utilização de agrotóxicos.

Douglas explica que o público associado da entidade é o mais fragilizado no campo capixaba, pois está em transição para a produção agroecológica. Não consegue competir no preço com a agricultura convencional e ainda não tem acesso à certificação orgânica necessária para acessar certos mercados. “Trabalhamos de forma gradativa com a capacitação para dar um saldo com o grupo, fazer certificação, construção de mercados com feiras em bairros carentes e periféricos, há todo um aspecto social que não abrimos mão na organização”, explica Douglas Alvaristo.

Durante as capacitações do Desafio Conexus, além de aprender novas técnicas e estratégias que podem contribuir para a organização da cooperativa, os representantes da CPC-ES também estão aproveitando para trocar experiências com outras iniciativas comunitárias de sucesso pelo Brasil que participam do mesmo projeto de aceleração. “Há experiências em diversos estágios, desde as que estão começando até outras bem avançadas e estruturadas. Encontramos problemas similares e conseguimos ir nos alinhando num processo de construção de conhecimento”. 

Durante os encontros, as iniciativas descobriram que produtos de um local podem ser úteis para outras das iniciativas participantes, possibilitando gerar novos negócios entre as próprias cooperativas. Um exemplo é o açúcar mascavo capixaba, que despertou interesse de uma cooperativa de produtores de cacau, ou a venda de arroz orgânico, que é uma demanda para o Espírito Santo.

Por meio do Movimento Negócios pela Terra, é possível colocar em maior evidência as marcas do MPA, como a Cachaça Crioula, produzida no município de Águia Branca, noroeste do estado, e que vem ganhando popularidade na região e no estado, além de já ser vendido em espaços de economia solidária no Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Bahia.

Foto: Divulgação

A produção da cachaça começou a partir da recuperação de uma pequena agroindústria que trabalhava no beneficiamento da cana-de-açúcar que havia sido fechada. Com apoio de emendas parlamentares e muito trabalho, o local voltou a funcionar com a produção de cachaça, açúcar e rapadura. “Pensamos na questão da simbologia que a cachaça tem para o campesinato, que remete à ideia de comunidade, de confraternização”, conta Douglas, sobre a importância do produto para além da questão comercial. Assim, a Crioula, cujo nome remete às sementes cultivadas, desenvolvidas e preservadas por agricultores familiares, virou um sucesso nos festejos dos movimentos do campo capixaba. A expectativa agora é de expandir para novos mercados.

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