CRM alerta para falta de médicos no SUS em período de festas de fim de ano 

Nota publicada pelo Conselho Regional culpa poder público por vínculos precários de trabalho

O Conselho Regional de Medicina (CRM) publicou uma nota à população alertando sobre a falta de profissionais neste período de festas de fim de ano, que pode se estender ainda pelo mês de janeiro. No comunicado, a entidade manifesta preocupação em relação ao atendimento médico oferecido pela rede pública em todo território capixaba, já que "várias unidades municipais e estaduais estão com equipes incompletas em todas as profissões envolvidas na prestação de assistência aos pacientes. Falta, principalmente, médicos especialistas”, alerta.

Segundo a Diretoria do CRM, os motivos para essa situação são “as condições de trabalho precárias que se somam à falta de profissionais, que não se submetem mais a prestar um atendimento por salários insignificantes e, principalmente, em instituições onde há quebra de relação trabalhista por exigência de contratação de médico com PJ, a chamada pejotização da saúde”. 

A nota reforça ainda que “os editais dos concursos públicos evidenciam salários indignos para o exercício da profissão de médico, inclusive com exigências de título de especialização, tornando o desrespeito ao profissional ainda mais evidente”. O comunicado, por fim, ressalta: “enquanto não houver melhoria nas condições de trabalho e de salários oferecidos pelos gestores públicos, não enxergamos uma solução”. 

O presidente do CRM, Celso Murad, afirmou que nesta época de fim de ano, assim como nos feriados prolongados, há um aumento pelo procura das unidades de saúde, incluindo turistas que se deslocam para o Estado, no entanto, há dificuldades para se manter as escalas de médicos completas. Para Murad, isso ocorre em função dos contratos precários, sobretudo nas área de urgência e emergência. Ele reconhece que pesa o fato de muitos médicos escolheres o final de dezembro e o mês de janeiros para suas férias, contudo, alerta que o Estado e municípios deveriam se precaver a essa questão com antecedência, uma vez que o problema se repete todos os anos. 

O presidente do CRM cita que o problema já tem sido verificado, sobretudo nas unidades de Pronto-Atendimento da Grande Vitória, que são administradas pelas prefeituras, e também nos hospitais estaduais, caso do Hospital Infantil, em Vila Velha. 

Problema atinge outras categorias

Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Espírito Santo (Sindsaúde-ES), Geiza Nascimento, esse problema também atinge outras categorias da saúde, como os técnicos, auxiliares de enfermagem e enfermeiros. 

Para Geiza, existe a necessidade urgente de realização de concurso público, que é uma promessa do atual secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, a ser realizado pela fundação estatal de saúde criada para gerir os hospitais estaduais.

A sindicalista ressalta que sobretudo as organizações sociais, que fazem a gestão de alguns dos hospitais estaduais, estabelecem vínculos precários com salários bem abaixo da média, o que causa grande rotatividade.  
 

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