Cultivo de oliveiras pode diversificar economia do Caparaó

Dominada pela agricultura do café com leite, região tem clima propício e recebeu a proposta com entusiasmo

O clima propício, a necessidade de diversificação da economia e o entusiasmo dos gestores municipais fazem do Caparaó uma região com grande potencial de desenvolver a cultura das oliveiras e a produção de azeite.

“Já temos muitos produtores interessados”, afirma o prefeito de Divino de São Lourenço, Eleardo Costa Brasil (MDB). “Cada planta, com quatro a seis anos, produz dez quilos de frutos e um litro de azeite, ao preço de cem a duzentos reais. É muito bom pro produtor rural”, calcula.

O custo estimado de R$ 800 mil para a obra de uma unidade de fabricação de azeite, acredita Eleardo, também é viável para o município. “Vamos lutar pra fazer uma indústria de beneficiamento de azeite aqui”, anuncia.

“É uma excelente opção de geração de renda e ainda protege o solo”, declara a secretária de Cultura, Turismo e Esportes de Dores do Rio Preto, Dalva Ringuier.

Profunda conhecedora da realidade socioambiental do Caparaó, idealizadora do Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Região do Caparaó (Consórcio Caparaó), do qual foi secretária-executiva por mais de vinte anos, Dalva acredita na cultura das oliveiras com forma de inserir um elemento importante para livrar os produtores rurais da dependência de duas únicas atividades.

“Aqui é a agricultura do café com leite. Ou planta café ou tira leite. Não tem outras alternativas, pra gerar pequenas agroindústrias”, avalia. “A pecuária leiteira é uma das atividades mais impactantes. Aqui ainda se cria animais em grandes extensões e em um pasto pobre e degradado, que não segura agua da chuva”, observa.

A floresta, tão exuberante dentro do Parque Nacional do Caparaó, ressalta Dalva, praticamente desaparece para além dos limites da unidade de conservação, a maior do Espírito Santo. “Fora do parque, é só pasto e café”, lamenta. “E eucalipto”, emenda, citando uma cultura que tentou se instalar na região há pouco mais de dez anos, mas que já se mostrou inviável. "Não deveria ter projeto de fomento de essências exóticas aqui. Nossa região é produtora de agua para três bacias hidrográficas. Precisamos manter essa grande reservatório de agua", orienta Dalva.

Do ponto de vista econômico, complementa, o plantio em larga escala também é insustetável. “Defendo que cada produtor tenha uma moita de eucalipto pra uso na propriedade", ressalva. Mas fora o uso interno, o eucalipto não tem vocação na região. "O frete é mais caro do que a carga”, afirma, referindo-se aos custos para transportar as toras de eucalipto até a Aracruz Celulose (Fibria/Suzano), em Aracruz, no norte do Estado.

Além de Divino e Dores, também conheceram o potencial da cultura das oliveiras, os gestores municipais de Irupi, Edmilson Meirelles (MDB), onde já há uma experiência bem-sucedida; de Iúna, coronel Weliton (PV); de Ibatiba, Luciano Pingo (MDB); e de Conceição do Castelo, na região serrana, Cristiano Spadetto (PMDB).

Frente parlamentar


Foto: Nicolle Expósito/Ales

Uma reunião com esse objetivo foi realizada em Iúna, na última quarta-feira (28), pela Frente Parlamentar em Defesa e Apoio à Diversificação Agrícola, da Agricultura Familiar e Orgânica da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales).

Na ocasião, o extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Carlos Sangali afirmou que o Estado tem 150 mil hectares vocacionados para a cultura de oliveiras, distribuídos em 25 municípios. Sangali faz parte da equipe do escritório do Incaper de Santa Teresa responsável por orientar a plantação das primeiras mudas no município da Região Serrana, em 2012.

“Não tenho dúvida de que aqui nessa região, onde tem clima e altitude para plantar oliveiras, vamos, daqui a alguns anos, colher os frutos para o Espírito Santo. É mais renda para o produtor, mais imposto pro Estado e para os municípios”, disse, em reportagem no portal da Ales.

“Nossa região consegue produzir com quantidade e qualidade as oliveiras. Temos a incidência de frio, temos praticamente oito meses com chuva. Os principais desafios são o custo inicial do plantio, que é alto. Então, o produtor não tem condição financeira de adquirir as mudas em grande escala. Por isso, a gente precisaria de subsídio para as mudas. Outro desafio é o beneficiamento e a venda do produto”, expôs José Carlos Nunes Moreno, responsável pela propriedade Virgínia Reflorestamento, pioneira na atividade dentro do Caparaó.

A iniciativa pioneira fica no distrito de Santa Cruz de Irupi, no município de Irupi, onde duas mil mudas, distribuídas por 7,2 hectares, começaram a ser plantadas em dezembro de 2018. A perspectiva é que em cinco anos seja realizada a primeira colheita para comercialização de azeite orgânico com 0% de acidez.

Agroindústria

Atualmente o Espírito Santo conta com 115 produtores de oliveiras, distribuídos em 15 municípios. Cada propriedade tem em média 1,62 ha. Os dados são da Associação dos Olivicultores do Estado do Espírito Santo (Olives). Constituída em 2018, a Olives conta com 55 associados.

O grande desafio para os produtores, contou o presidente da entidade, Marcos Aurélio Subtil de Castro, é construir a agroindústria para processar oliveiras e produzir azeite. Um terreno para a construção da indústria de beneficiamento já foi doado pela Prefeitura de Santa Teresa e o projeto também já foi feito, restando agora o aporte de recursos para a obra.

O deputado Dary Pagung (PSB), presidente da Frente Parlamentar, disse que o deputado federal Evair de Melo (PV) garantiu recursos de emenda parlamentar para os equipamentos da agroindústria.

 

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1 Comentários
  • Constante Korovaé , segunda, 02 de setembro de 2019

    A introdução da cultura de oliveiras parece uma excelente opção econômica para a região do Caparaó, com suas terras altas e clima frio. Gostaria de salientar apenas que essa atividade não deveria vir como monocultura, mas combinada ao cultivo de frutas de clima frio.

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