Curso de Meliponicultura busca aumentar a polinização na Lagoa Encantada

Criação de abelhas sem ferrão por moradores do entorno visa proteger a lagoa e seus alagados em Vila Velha

Estão abertas as inscrições para o I Curso Iniciação em Meliponicultura Criação e Manejo das Abelhas Nativas Sem ferrão em Vila Velha, promovido pelo Fórum de Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental do Grande Vale Encantado (Desea), em parceria com a Associação dos Meliponicultores do Espírito Santo (AMES-ES), a ONG Sociedade Sinhá Laurinha e a Unidade Municipal de Educação Infantil (Umef) Jofre Fraga, em Vale Encantado.

O curso faz parte do Projeto Polinizar, que objetiva aumentar a polinização na vegetação nativa remanescente no entorno da Lagoa Encantada e seus alagados – um local de grande beleza cênica e biodiversidade, sendo inclusive ponto de observação de aves.

O ecossistema, frágil e de extrema importância para a segurança hídrica da região e prevenção de alagamentos, carece de insetos polinizadores. A intenção do Desea e seus parceiros no projeto é incentivar os moradores do entorno direto da lagoa a criarem abelhas nativas sem ferrão, como forma de recuperar a vegetação e gerar renda com a venda do mel e outros produtos das abelhas.

“As abelhas nativas brasileiras prestam um serviço ecossistêmico essencial para a biodiversidade e para o meio ambiente, uma vez que são responsáveis por polinizar, em algum grau, mais de 80% de nossas plantas nativas. São deste modo, agentes importantes e essenciais para recuperação e restauração florestal, bem como, para manter nossas florestas saudáveis e cheias de vida”, informam os organizadores do curso.

Além desse papel ecológico, prosseguem, as abelhas sem ferrão são importantes economicamente, já que polinizam culturas agrícolas, aumentando a produtividade, e produzem mel, própolis e pólen capazes de serem coletados e vendidos.

O fato de não possuírem ferrão é outra vantagem sobre as abelhas exóticas – europeias e africanas – pois oferecem um manejo mais fácil, sem riscos de acidentes. As abelhas nativas podem ser criadas em quintais e até varandas de apartamentos, nas cidades, permitindo contato com crianças, sem perigo.

O curso acontece no dia 30 de março, de 9h às 17h. Os alunos aprenderão conceitos básicos sobre as espécies e ecologia e sobre a fabricação de lâminas e potes de cera, iscas e bombons de pólen – necessários para a divisão das colmeias e posterior alimentação das abelhas, durante formação de novos enxames.

Ao final do curso, haverá doação de colmeias para os moradores do entorno da lagoa, interessados em participar do Projeto Polinizar. Estes, quando fizerem sua primeira divisão de colmeia, deverão doar uma caixa para o projeto, para que a iniciativa se multiplique, alcançando mais pessoas e aumentando a população de polinizadores na região.

“O projeto quer mostrar para os moradores que é bom ter uma área de preservação perto de casa, e que inclusive pode-se gerar renda com isso”, explica o fotógrafo de natureza Wilerman da Silva Lucio, do Fórum Desea.

O Polinizar, conta Wilerman, surgiu a partir de outros dois projetos do Fórum: o Brotar e o Viveiro, que se dedica à produção de mudas de espécies nativas para o reflorestamento das margens e entorno da Lagoa Encantada. O viveiro produz cerca de três mil mudas por ano, de mais de 70 espécies nativas.

A ideia é disseminar a meliponicultura. “Estamos tentando fazer a diferença”, diz Ingridi Barros, também do Desea, referindo-se à militância cotidiana do grupo em favor da conservação e recuperação ambiental no município e outras regiões do Estado.

As inscrições para o curso vão até o dia 28 de março e as vagas são limitadas. As inscrições têm valor simbólico de R$ 30,00.

Mais informações: (27) 99785-2247 / 99906-0486 e forumdeseagv@gmail.com.

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