‘Damares Alves não é bem-vinda ao Espírito Santo’

Movimentos sociais organizam protesto contra homenagem da Assembleia à ministra de Bolsonaro

Movimentos sociais, militantes e lideranças ligadas aos Direitos Humanos, direitos das mulheres, da população LGBTI+, dos indígenas e outras minorias discriminadas no Brasil organizam um protesto contra a homenagem que a Assembleia Legislativa decidiu prestar à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Regina Alves.

A proposta – Resolução nº 6.133 – é do deputado Delegado Lorenzo Pazolini (sem partido), afilhado político do ex-senador Magno Malta (PR), de quem Damares foi assessora antes de assumir o ministério.

Aprovada pela Mesa Diretora da Assembleia, a Resolução admite a ministra na Ordem do Mérito Domingos Martins no grau de Grã-Cruz, a mais alta honraria oferecida pela Casa de Leis capixaba. O ato será consumado na noite da próxima segunda-feira (20), em sessão solene organizada por Pazolini, alusiva ao Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes) é uma das organizações envolvidas no protesto. Para as mulheres que lutam pelas mulheres e que querem o fim da opressão, Damares Alves não é bem-vinda ao Espírito Santo”, afirma Edna Martins, integrante do Fomes.

“Compreendo que essa comenda deve ser dada a quem realmente contribuiu para o bem-estar da população capixaba, para o desenvolvimento do Estado", explana a militante.

Edna ressalta a perspectiva de “memoricídio” praticada pela ministra, ou seja, sua postura de destruir a memória da luta das mulheres no país. A construção de políticas públicas voltadas a eliminar a opressão contra as mulheres no Brasil não é obra de um governo, afirma, mas “foi uma construção da luta das mulheres brasileiras desde a década de 1980”, diz, citando a campanha "Quem Ama Não Mata, a luta contra as desigualdades no mercado de trabalho", a Conferência de Pequim da ONU, a definição de cotas para as mulheres na política, entre outras ações ao longo das décadas.

“Quando ela chega ao ministério praticamente acaba com as políticas públicas para as mulheres de modo geral. A única coisa que sobrou é o 180, mas ela sempre fala dele criticando ‘a esquerda", conta Edna.

O ataque à laicidade do Estado também é abordado pela militante do Fomes. “Quando ela diz que na religião dela a mulher é submissa, ela mistura as coisas. Nossa luta é que a mulher deve ter autonomia de decisão sobre a sua vida. O Estado brasileiro é laico, e a partir do momento que ela representa o Estado, não pode emitir esse tipo de opinião”, explica.

“A gente sempre trabalhou no Brasil no sentido de que a violência contra a mulher não é um problema privado, é um problema social, e que tem que ter interferência do Estado em todos os âmbitos”, enfatiza. “Pra nós, a ministra Damares tem uma conduta fundamentalista”, afirma.

Edna lembra ainda que o Espírito Santo está entre o segundo e terceiro lugar no ranking nacional de feminicídio. "Nesse Estado as mulheres não podem ser nunca submissas. Essa submissão faz com que as mulheres não enfrentem a violência, não denunciem, não busquem ajuda psicossocial e morram”, descreve. “Não dizemos nunca que devemos brigar com os homens. Nosso inimigo é o patriarcado, não os homens”, esclarece.

Estado heteronormativo

Opinião semelhante tem Gilmar Ferreira, militante de Direitos Humanos filiado ao Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) da Serra, ex-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) e ex-coordenador do Comitê Estadual para a Prevenção e Erradicação da Tortura no Espírito Santo (CEPET-ES).

“É um absurdo a Assembleia conceder a maior homenagem do Poder Legislativo a quem tem atuado na contramão das definições e normativas internacionais de Direitos Humanos”, protesta. 

“Ela tem se colocado contra as bandeiras históricas da luta pela promoção, defesa, proteção, reparação e efetivação dos direitos humanos de todas as pessoas no Brasil”, diz, citando ainda suas ações no sentido de “destruir a laicidade do Estado” e de “manter todo o Estado e a sociedade num caráter heteronormativo”, além de “colaborar com o processo de memoricídio em curso no Brasil colocado em prática no governo federal”. 

Denúncias e polêmicas

Para o cacique Werá Kwaray, o Toninho, da aldeia Boa Esperança, em Santa Cruz, e liderança guarani em nível nacional, os protestos contra a homenagem a Damares Alves precisam mesmo acontecer. “Mesmo antes do ministério, ela atacava muito as aldeias através da evangelização”, denuncia. “Para ela, evangelizar é acabar com a nossa cultura, com a nossa crença, pra que não exista mais a crença do nosso povo, a diversidade cultural”, afirma.

A crítica à ministra de Bolsonaro foi feita esta semana no Encontro de Saúde Indígena em Governador Valadares, que reuniu lideranças do Espírito Santo e Minas Gerais, para um planejamento da saúde e saneamento básico das aldeias dos dois estados.

O deputado Sergio Majeski (PSB) também cita a causa indígena ao comentar sua posição contrária – uma das poucas contrárias – à concessão da Ordem Domingos Martins a Damares Alves. “Uma pessoa que se envolveu em tantas polêmicas, que mentiu sobre a própria formação acadêmica, que foi até acusada de roubar uma criança indígena, que com seus discursos de certa forma incentiva o preconceito ... eu creio que se deveria pensar melhor, não é uma pessoa merecedora de uma honraria tão alta”, argumenta.

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10 Comentários
  • Janildes Inácio Dos santos , sexta, 17 de maio de 2019

    Sinto VERGONHA da ALES aprovar um absurdo destes. No governo Bolsonaro não ha ate o presente momento nenhum ministro digno de receber essa honraria. Eu confiava mais nos políticos capixabas. Na próxima eleição precisamos analisar melhor em quem votar.

  • Marco Antônio , sexta, 17 de maio de 2019

    Se a galera dos movimentos sociais tivessem mais o que fazer, não iriam fazer essa baderna. O ES é Bolsonaro. Aqui ele ganhou de forma esplêndida. Essa turma de maloqueiro não tem porra nenhuma pra fazer. Que falta faz uma carteira de trabalho assinada kkkkkk seja bem vinda Ministra, aos contrários, só lamento o mi mi mi de vcs !

  • Jackson , sábado, 18 de maio de 2019

    É óbvio que a turma do mimimi, da lacração e do "direito dos manos" não vai querer ela aqui. Todos sabem os motivos. E parabéns pela isenção desse página contaminada.

  • Augusto Dos Santos , sábado, 18 de maio de 2019

    Acho este tipo de jornalismo tão cafajeste quanto repugnante. Sugerir que esta ministra, com uma notável história de vida voltada pela defesa da família, seja mal quista pelo todo, para lisonjear servilmente um segmento de insatisfeitos que ignoram totalmente sua história de vida e de luta como mulher, é envenenar o garboso e custoso trabalho deste periódico na sua auto afirmação como isento, e de que ainda seja considerado como um dos poucos que merecem apreço. Espero que os seus diretores não permitam que o periódico se resuma a um panfleto de militantes...

  • Adherbal , sábado, 18 de maio de 2019

    mas é gostoso por demais, ver os esquerdopatas cheios de mi mi mi. é muita sofrência kkk. chora, chora mais ptistas ruminates vermelhos bolivarianos. kkk VIVA BRASIL, VIVA PRESIDENTE BOLSONARO E VIVA PRA MIN. DAMARES.

  • Anísio José Garayp , sábado, 18 de maio de 2019

    Absurdo cheirando a jogo de interesse desse Pasoline homenagear seja quem for desse desgoverno que está caindo de podre A biografia dessa Damares merece ser apagada da nossa história. AJG, Doutor em Educação.

  • Gabriel , sábado, 18 de maio de 2019

    Todos nós sabemos que se deve mostra os dois lados de uma história. O que não houve aqui, deviam ter falado sobre o trabalho e história de vida da ministra . Por tanto e bem nítido que querem criar uma narrativa pra influencia as pessoas a acreditar no ponto de vista do jornal.

  • MAGNO PIRES DA SILVA , domingo, 19 de maio de 2019

    ESTOU PLENAMENTE DE ACORDO - A MINISTRA DALMARES NÃO É BEM VINDA AO ESPIRITO SANTO. um estado, aonde os indices de feminicídios e de violências às mulheres, é proporcianalmente a população, o mais alto do país, esta ministra que desarticula as politicas públicas de proteção às mulheres, que desfaz da causa indígena, que confunde o evangelho com a supressão da diversidade e da cultura dos POVOS INDÍGENAS, que sequestrou uma "indígena" para tê-la como filha adotiva, que incentiva o preconceito contra o homossexualismo e patrocina a homofobia, que desconstitui as poiíticas públicas de defesa dos direitos humanos, etc. etc, etc, NÃO MERECE ESTA HONRARIA POR PARTE DOS REPRESENTANTES DO POVO CAPIXABA NA ALES! INFELIZ IDÉIA ESTA, DO DEPUTADO LUCIANO PAZOLINI E DA BANCADA DO PSL! esperamos que esta homenagem não se concretize! é um "tapa na cara" das mulheres capixabas e não só das mulheres, mas de todo o cidadão e cidadã capixaba, que respeita a democracia e preza pela tolerância à diversidade!

  • MAGNO PIRES DA SILVA , domingo, 19 de maio de 2019

    ESTOU PLENAMENTE DE ACORDO - A MINISTRA DALMARES NÃO É BEM VINDA AO ESPIRITO SANTO. um estado, aonde os indices de feminicídios e de violências às mulheres, é proporcianalmente a população, o mais alto do país, esta ministra que desarticula as politicas públicas de proteção às mulheres, que desfaz da causa indígena, que confunde o evangelho com a supressão da diversidade e da cultura dos POVOS INDÍGENAS, que sequestrou uma "indígena" para tê-la como filha adotiva, que incentiva o preconceito contra o homossexualismo e patrocina a homofobia, que desconstitui as poiíticas públicas de defesa dos direitos humanos, etc. etc, etc, NÃO MERECE ESTA HONRARIA POR PARTE DOS REPRESENTANTES DO POVO CAPIXABA NA ALES! INFELIZ IDÉIA ESTA, DO DEPUTADO LUCIANO PAZOLINI E DA BANCADA DO PSL! esperamos que esta homenagem não se concretize! é um "tapa na cara" das mulheres capixabas e não só das mulheres, mas de todo o cidadão e cidadã capixaba, que respeita a democracia e preza pela tolerância à diversidade!

  • Jordano Avelar , segunda, 20 de maio de 2019

    Raciocina comigo: O povo ta reclamando que não tem apoio para as politicas públicas voltadas para os setores representados por esse ministério. A mulher que vem a Ales tem a chave do cofre para essas políticas. A recebam bem, que o dinheiro aparece. Do contrário, ela vai investir em outro Estado. A eleição ja passou e, hoje temos um unico presidente; um presidente de todos. Aceitem. Bem vinda Damares

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