Delegacias capixabas sofreram 12 arrombamentos nos últimos três anos

Na Grande Vitória e no interior, estatística reflete o agudo sucateamento da segurança pública

Em 2015, a Delegacia de Atendimento Especializado da Mulher (Deam) por duas vezes, a Distrital de Goiabeiras, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e a Delegacia de Ibatiba. Em 2016, a Regional de Vila Velha (Alfa 10). Em 2017, a 2ª regional de Vila Velha e as Delegacias de Cariacica Sede, Santo Antônio e da Mulher. Em 2018, a novamente a DPCA e também a Delegacia de São Gabriel da Palha.

Doze arrombamentos nos últimos três anos. Mais uma estatística que reflete o agudo sucateamento da segurança pública no Espírito Santo. A situação é inadmissível, na visão do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES).

“As delegacias não possuem segurança patrimonial, as edificações estão em situação precária e isso tudo gera a fragilidade que resulta nos arrombamentos. Estamos armando bandidos desse jeito”, afirma o presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal.

O caso mais recente aconteceu em São Gabriel da Palha, noroeste do Estado. Um policial civil percebeu o crime ao ver portas da delegacia arrombadas e salas abertas. Foram levadas duas pistolas, uma .40 e outra .30, além de dois carregadores, com 30 munições cada. O ladrão foi preso um dia depois e as armas recuperadas, mas nem sempre é assim. Anterior a esse, em julho, bandidos arrombaram e furtaram três metralhadoras da DPCA, no segundo ataque à mesma unidade.

O Sindipol/ES percebe que, desde 2015, delegacias que não funcionam em regime de plantão e não possuem nenhuma segurança patrimonial passaram a ser invadidas por criminosos. Além de armas apreendidas e armamentos dos próprios policiais, os criminosos também furtam documentos importantes para as investigações, além de aparelhos eletroeletrônicos, móveis e dinheiro de apreensão. Crimes que poderiam ser evitados.

“Quando bandidos invadem delegacias e furtam armas é porque todo o sistema de segurança pública está em xeque. No caso da Polícia Civil, muitas delegacias estão em situação precária e necessitando urgentemente de reformas que nunca acontecem. Falta investimento na instituição e valorização para os profissionais”, disse Jorge Emílio Leal.

De fato, a Polícia Civil capixaba não tem concurso público há 25 anos, o que provocou uma queda insustentável no efeito. Na década de 1990, havia aproximadamente 3,8 mil policiais para dois milhões de habitantes. Hoje, a população mais que dobrou e o efetivo baixou para 2,2 mil. A situação caótica vem sendo denunciada pelo Sindipol/ES há anos, acompanhada de cobrança assídua por melhorias ao Executivo e à Assembleia Legislativa.

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