Diretoria se une contra presidente do Sindicato dos Ferroviários

João Batista Cavaglieri é considerado inoperante na defesa da categoria

Um jornal que está circulando esta semana expôs um racha no Sindicato dos Ferroviários (Sindfer- ES/MG). A publicação revela que diretores da entidade se uniram e estão contra o atual presidente, João Batista Cavaglieri, por considerarem que o líder sindical é inoperante na defesa da categoria. 

O Jornal da Categoria, edição de agosto deste ano, diz que: “Diretores sindicais tomam atitude inédita e rompem com o atual presidente do Sindfer, João Batista Cavaglieri. A decisão foi tomada em conjunto entre diversos diretores do Sindfer, atendendo um pedido maciço da categoria ferroviária, que não aguenta mais tanto descaso e arrogância por parte do atual presidente”.

E completa: “Mesmo com um cenário tão favorável e promissor para a empresa [Vale], entra ano e sai ano, a história sempre se repete e o trabalhador é lesado com perda de benefícios em detrimento do aumento do lucro para os acionistas”, denuncia a publicação. 

Em julho deste ano, componentes da oposição à atual gestão do Sindicato dos Ferroviários (Sindfer-ES/MG) cobram da entidade o início das negociações do Acordo Coletivo Regional de Trabalho – ACT Regional 2018/2018, cujo prazo já venceu em maio deste ano, sem que qualquer intermediação em favor dos trabalhadores tenha sido feita. A oposição – chamada de Coletivo Cebolão - enviou um ofício a João Batista Cavaglieri, na última semana, cobrando explicações. 

O documento fez uma série de cobranças, entre elas, a convocação de uma assembleia geral para que se informe e esclareça o desenvolvimento das negociações do ACT Regional com a Vale. Além disso, a formação de uma Comissão Negociações de Base e um Comando de Mobilização Aberto, eleitos na Assembleia, para manter a categoria vigilante e, se necessário, organizar atos e manifestações para pressionar pela pauta de reivindicações. A ideia é 'acabar com a paralisia e inércia do presidente João Batista Cavaglieri e do Sindicato no trato das negociações do ACT Regional”, diz o documento, assinado por Adir Barbosa da Cruz, um dos líderes da oposição.

“Resolvemos agir diante da preocupação de vários segmentos dos trabalhadores do Porto, Dipe, ferrovia e aposentados”, disse Adir Barbosa. Segundo ele, a pauta é fundamental para os interesses e a vida dos trabalhadores e seus familiares. “Até o momento, não está havendo nenhuma mobilização, não há nenhuma reunião ou forma de divulgação e transparência quanto às discussões sobre esse acordo regional, sendo que outros sindicatos já finalizaram suas respectivas negociações”, explicou.

Reivindicações

Entre as reivindicações dos ferroviários estão: reajuste da diária que atualmente encontra-se defasada; reajuste e inclusão do tíquete-refeição no ACT Regional; isenção do estacionamento do pessoal de Tubarão; e proibição de antecipação do horário dos maquinistas de viagem, sob pena de pagar como hora extra, caso isso ocorra.
 
Também: compensação de horas, transporte para os maquinistas que residem em Aymorés e Baixo Guandu; trocas de escala para os trabalhadores do “turnão”, subsídios da Vale para custear parte do Plano de Aposentadoria dos Aposentados da Vale (Pasa), passeios na Floresta para aposentados e ativos, entre outros.

Processo judicial

Nas últimas eleições, em 2016, a chapa 2–Cebolão sequer conseguiu concorrer. Venceu a 1-Raízes, única e da situação, reconduzindo Cavaglieri. Os ferroviários da oposição, então, decidiram entrar com um processo judicial, que investiga uma série de irregularidades na última votação. O processo, cuja próxima audiência está marcada para o dia 21 de setembro, pode cancelar o resultado e iniciar um novo sufrágio.

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