Diversidade será tônica do Festival de Música Sem Fronteiras

Letieres Leite, da Orquestra Rampilezz, é um dos convidados do evento que vai do popular ao erudito

Serão três dias de shows e atividades com vários convidados e estilos musicais diversos. Essa é a promessa do Festival Música Sem Fronteiras, organizado pela Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), cuja primeira edição será entre 1 e 3 de outubro no Sesc Glória, localizado no Centro de Vitória. Jazz, ritmos africanos, world music, música de câmara, são alguns dos ritmos que os participantes poderão usufruir nos dias de evento, sempre às 20h.

No primeiro dia de evento, terça-feira, as atrações serão o Baobab Trio, que traz uma fusão de música brasileiras e sonoridades do mundo, com influências africanas, indianas e de música de concerto, e o Cliff Korman Trio, liderado pelo pianista, compositor e pesquisador estadunidense radicado no Brasil, que traz composições próprias e releituras de jazz, música instrumental brasileira e até dos Beatles.  

No dia 2, o quarteto paulista Quatro a Zero, especializado em choro, divide o palco com a Orquestra Sinfônica da Fames (OSFA) para executar a obra do compositor Radamés Gnattali. O projeto que reúne os dois grupos é realizado desde o início do ano por meio de pesquisa e imersão musical em torno da obra do músico gaúcho.

A última noite contará com mais um encontro do show Orizzonti convida Letieres, com participação da Banda Sinfônica da Fames. O sexteto Orizzonti constrói sua música com proximidade com o jazz moderno e a música brasileira e impressionista. O convidado especial, Letieres Leite, é maestro da Orkestra Rumpilezz de Salvador, além de compositor, saxofonista e arranjador, conhecido por conectar o jazz a ritmos de matriz africana.

Além dos shows, o evento ainda contará com outras atividades com os músicos convidados, como um workshop de piano para alunos da Fames feito por Cliff Korman, e o curso "Universo percussivo baiano", com Letieres Leite, que acontecerá na segunda-feira (30), às 15h, no Museu Capixaba do Negro (Mucane). São 60 vagas disponíveis e as inscrições podem ser feitas por meio de formulário online. O folder completo com informações das atrações do Festival está disponível no site da Fames.

Fabiano Araújo, diretor da Fames, aponta que o evento busca mostrar ao público e especialmente aos estudantes a importância das trocas, intercâmbios e fusões entre músicos de diferentes estilos. “Queremos celebrar a diversidade dos ritmos e formas musicais de várias localidades do mundo e de épocas diferentes, e evidenciar como esses elementos foram e continuam sendo combinados na criação de músicas inovadoras”.

AGENDA CULTURAL

Festival Música Sem Fronteira

Quando: 1 a 3 de outubro, 20h

Onde: Teatro Glória - Centro Cultural Sesc Glória, Avenida Jerônimo Monteiro, 428, Centro de Vitória

Programação e mais informações:

01 de outubro

Baobab Trio & Cliff Korman Trio

Ingressos: R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)

Baobab Trio – Fabiano Araújo (piano), Edu Szajnbrum (bateria e percussão) e Wanderson Lopes (violões).

O grupo tem como característica principal a fusão da Música Brasileira, desde o Samba e o Choro até a música de concerto de Radamés Gnattali e Villa Lobos, e outras linguagens e sonoridades das músicas do mundo (World Music), como a africana, indiana e música de concerto. Além de um repertório autoral, o grupo vai apresentar releituras de Radamés Gnattali e Antônio Carlos Jobim.

Repertório:

Toccata em Ritmo de Samba n.2 (Radamés Gnattali)

Arabesca (Wanderson Lopez)

Chovendo na Roseira (A. Carlos Jobim) 

Brasiliana n. 13 - Choro (Radamés Gnattali) 

Gaudi (Wanderson Lopez)

 

Cliff Korman Trio - Cliff Korman (piano), Augusto Mattoso (baixo), Marcio Bahia (bateria) 

Nesta apresentação o pianista Cliff Korman inclui composições próprios e leituras de alguns standards do jazz, música instrumental brasileira com um foco especial nas contribuições de compositores mineiros, além de um olhar especial para os Beatles. A formação do trio é um triângulo musical: os integrantes buscam uma sintonia para que as ideias e o tempo virem elementos da comunicação, improvisação e brincadeira. Nos melhores momentos, eles entram num verdadeiro "triálogo". 

Repertório:

Guadaloupe (Paulo Moura)

Viola Violar (Milton Nascimento)

All the Things You Are (Jerome Kern) 

Norwegian Wood (Lennon-McCartney) 

Migrations (Cliff Korman)

Beijo Partido (Toninho Horta)

Saudade do Paulo (Cliff Korman) 

02 de outubro

Quatro a Zero & Orquestra Sinfônica da Fames (OSFA)

Ingressos: R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)

O quarteto paulista é especializado em tocar Choro e vai executar obra rara escrita pelo compositor Radamés Gnattali, acompanhado de orquestra.

Quatro a Zero – Lucas Casacio (bateria e percussão), Eduardo Lobo (guitarra, violão, cavaco e bandolin), Danilo Penteado (baixo elétrico e acústico e cavaco) e Daniel Muller (teclado, piano e acordeon)

O Quatro a Zero faz uma música instrumental que tem como principal referência o Choro, aprofundando-se na linguagem e nas sutilezas desta tradição musical. Ao mesmo tempo, realiza um alargamento das fronteiras deste gênero: de uma perspectiva contemporânea, promove o encontro do choro com outras linguagens, produzindo uma música original que transcende rótulos.

Fundada em 2010, a Orquestra Sinfônica da Fames (OSFA), tem como princípio a prática sistemática da música sinfônica para orquestra, proporcionando aos alunos prática e aprendizado do repertório orquestral ao longo do ano letivo.

O Quatro a Zero e a Osfa realizam desde o início do ano o “Projeto Radamés”, que consiste na pesquisa e imersão musical. O projeto reúne professores e alunos da Fames no estudo da obra “Concerto Carioca n. 3”, de Radamés Gnatalli, escrita nos anos de 1972-73, e também objeto de pesquisa do quarteto.

 

03 de outubro

Orizzonti & Letieres – participação especial: Banda Sinfônica da Fames

Ingressos: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)

Show: “Orizzonti convida Letieres + Banda Sinfônica da Fames”, com arranjos escritos especialmente para esse encontro. Um repertório brasileiro e autoral.

Orizzonti - Wanderson Lopez (guitarra 8 cordas, arranjos e composições), Bruno Santos (trompete e arranjos), Daniel Freire (sax barítono), Rafael Rocha (trombone e arranjos), Renato Rocha (bateria), Roger Rocha (sax alto/soprano e flauta transversa) e Filipe Dias (contrabaixo acústico).

Criado a partir de pesquisas sonoras do músico Wanderson Lopes, o Orizzinti passeia pelo jazz moderno, música brasileira e impressionista.

Letieres Leite é saxofonista, compositor, maestro, arranjador e lidera a Orkestra Rumpilezz de Salvador. É definitivamente um expoente com uma linguagem musical diretamente conectada às matrizes africanas e ao jazz. Seu trabalho está́ ligado tanto à performance musical como também ao ensino de Música. É um músico representativo na consolidação e renovação do material musical brasileiro. Sua contribuição tem sido fundamental para a continuidade e abertura da cultura afro brasileira.

A Banda Sinfônica da Fames foi criada em 2007 e tornou-se um núcleo de excelência da música para sopros no Estado. Ao longo dos anos ocorreram ampliações no seu formato inicial e, atualmente, essa prática atende à grade curricular da Fames como disciplina obrigatória em oito períodos do curso de bacharelado para sopros e percussão.

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