Documentário afrofuturista vence Festival de Cinema de Vitória

Partindo de relatos de artistas negros e LGBT, Negrum3 venceu como melhor curta; Casa foi o melhor longa

"Um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora". Assim se define o documentário Negrum3, que saiu premiado como melhor filme na Mostra Competitiva Nacional de Curtas, a mais tradicional do Festival de Cinema de Vitória, que terminou nesse domingo (29). Diego Paulino, diretor da obra, também foi premiado pela melhor direção. Ele subiu ao palco para receber o Troféu Vitória de Melhor Curta junto com a atriz, modelo e cantora Aretha Sadick, uma das personagens retratadas no documentário.

 

Com um olhar poético, a obra se inspira no Afrofuturismo e partiu de entrevistas com artistas jovens, negros e LGBT de São Paulo que usam a estética como ferramenta política para questionar as opressões, o racismo e posicionar o corpo negro dentro da sociedade contemporânea. O filme já participou de diversos festivais, tendo sido premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes, entre outras. Os depoimentos dos entrevistados foram disponibilizados no YouTube.

Ainda na categoria Curta, a obra Sangro, de Tiago Minamisawa, Bruno H Castro e Guto BR foi vencedor do Júri Popular, considerando a votação do público. O filme é uma animação que busca desmistificar questões do imaginário social sobre as pessoas portadoras do vírus HIV.

Entre os longa-metragens, quem levou a melhor foi o documentário Casa, de Letícia Simões, exibido no último dia de festival, que tem como tema a relação entre mãe e filha, abordando questões como famílias, memória, solidão e sanidade.

O seu amor de volta (Mesmo que ele não queira) foi o que mais conquistou prêmios: levou a melhor em Direção (Bertrand Lira), Interpretação (Marcélia Cartaxo, que também atuou em Pacarrete) e Roteiro (também de Bertrand Lira), além da Menção Honrosa a William Muniz pelo papel de Laura de Jezebel no filme, que fala sobre desventuras amorosas, cartomantes e videntes.

Em sua 26ª edição, o Festival de Cinema de Vitória foi realizado entre os dias 24 e 29 de setembro com mostras competitivas nacionais e temáticas, oficinas, debates, shows e homenagens, que este ano foram para a atriz Vera Fischer e para a professora de cinema Bernadette Lyra.

O Troféu Vitória, prêmio concedido pelo festival, foi entregue em diversas categorias. Confira abaixo todos os vencedores: 

VENCEDORES DO 26º FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS

Melhor Filme – Casa, de Letícia Simões

Direção – Bertrand Lira, de O seu amor de volta (Mesmo que ele não queira)

Interpretação – Marcélia Cartaxo por suas atuações em Pacarrete e O seu amor de volta (Mesmo que ele não queira)

Roteiro – Bertrand Lira, por O seu amor de volta (Mesmo que ele não queira)

Contribuição Artística – Mirante, de Rodrigo John

Menção Honrosa para o ator William Muniz, pelo papel de Laura de Jezebel do filme O seu amor de volta (Mesmo que não queira)

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS

Melhor Filme – NEGRUM3, de Diego Paulino

Melhor Filme Júri Popular – Sangro, de Tiago Minamisawa, Bruno H Castro e Guto BR

Direção – Diego Paulino, por Negrum3

Interpretação – Kauan Alvarenga, de O Órfão

Roteiro – Willian Alves e Zefel Coff, por A Praga do cinema Brasileiro

Contribuição Artística – Quando elas cantam, de Maria Fanchin

Prêmio Especial do Júri – Guaxuma, de Nara Normande

FESTIVALZINHO DE CINEMA DE VITÓRIA

Melhor Filme Júri Popular – Arani Tempo Furioso, de Robert Chay Domingues da Rocha

MOSTRA DO OUTRO LADO

Melhor Filme – Caranguejo Rei, de Enock Carvalho e Matheus Farias

Menção Honrosa – Carne infinita, de Isadora Cavalcanti

MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL

Melhor Filme – Ka’a zar ukyze wà – Os Donos da Floresta em Perigo, de Flay Guajajara, Edvan dos Santos Guajajara e Erivan Bone Guajajara

MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES

Melhor Filme – Pedrinho (Tulipa Ruiz), de Fábio Lamounier, Pedro Henrique França e Rodrigo Ladeira

Menção Honrosa – Ok Ok Ok (Gilberto Gil), de Victor Hugo Fiuza

MOSTRA MULHERES NO CINEMA

Melhor Filme – Deus te dê boa sorte, de Jacqueline Farias

Menção Honrosa – Afeto, de Gabriela Gaia Meirelles e Tainá Medina

MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE

Melhor Filme – Sem asas, de Renata Martins

Menção Honrosa – Motriz, de Tais Amordivino

MOSTRA OUTROS OLHARES

Melhor Filme – Do outro lado, de Bob Yang e Frederico Evaristo

Menção Honrosa – Kris Bronze, de Larry Machado

MOSTRA CORSÁRIA

Melhores Filmes:

A profundidade da areia, de Hugo Reis

Plano controle, de Juliana Antunes

MOSTRA FOCO CAPIXABA

Melhor Filme – Jardim secreto, de Shay Peled 

MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES

Melhor Filme – Tea for two, de Julia Katharine

Menção Honrosa: Selma Depois da Chuva, de Loli Menezes.

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