Dois pesos, duas medidas

Na ânsia de defender o governo Bolsonaro, Capitão Assumção atira para tudo quanto é lado

Primeiro representação no Ministério Público do Estado (MPES) pedindo punição a servidores públicos da educação que acusa - de forma genérica, bom registrar - de ter levado crianças e adolescentes para o ato contra os cortes anunciados pelo governo Jair Bolsonaro na última quarta-feira (15). Depois, na sessão dessa segunda-feira (20) da Assembleia Legislativa, diante de uma plateia anunciada como “patriotas”, discurso para tentar desqualificar a mobilização da comunidade escolar que levou uma multidão às ruas – por aqui foram 10 mil - em todo o País, resumindo-o ao “Lula Livre” e à “motivação política”, enquanto, ao mesmo tempo, convocava a população para o ato pró-Bolsonaro do próximo domingo (26), esse sim legítimo, segundo o deputado. Já nessa terça, para completar, berros em plenário contra outra manifestação popular, convocada pelo Fórum de Mulheres do Estado e com adesão de outras entidades, contra a concessão da mais alta honraria da Assembleia à ministra Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, conhecida por suas declarações polêmicas e na contramão da luta desses segmentos. No mesmo lugar, na noite dessa segunda, estavam os apoiadores de Damares, aplaudidos por Capitão Assumção, claro! Em todos os casos, iniciativas que deveriam ser consideradas legítimas não só pelo deputado, concorde ou não com a reivindicação, como pelos diferentes setores da sociedade, concordem ou não. Há dois anos, eram os policiais militares que estavam nas ruas, exigindo respeito à pauta da categoria e à paralisação - sequer permitida por lei - e na luta pelo apoio da população. Já se esqueceu, deputado?

Investigação
No ponto da manifestação do dia 15, a representação feita por Assumção ao Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Estado acusa os servidores da educação de constrangimento ilegal e pede abertura de inquérito, com intimação dos diretores de escolas. 

Investigação II
O deputado alega que entre os estudantes havia “crianças e adolescentes impúberes, que se ausentaram de sala de aula sem autorização dos pais e responsáveis, e o pior, por orientação de servidores públicos da educação por motivação política (ao invés de estarem em sala de aula prestando os serviços pelo qual são remunerados pelo erário)”. 

Cortes
No documento, ao contrário do discurso e das manifestações em suas redes sociais, o deputado admite a pauta do protesto: “Conforme se observou na data de 15 de maio do corrente ano, servidores públicos e estudantes promoveram passeatas públicas em virtude do contingenciamento de verbas oriundas da Educação”.

Mais Damares
Já no discurso desta terça-feira na Assembleia, o deputado enumerou qualidades da ministra Damares, e disse que os manifestantes são mal-educados, a destrataram e fizeram passar por um “dissabor sem sentido”. Finalizou assim: “quiçá tivéssemos muito mais Damares por aí”.

Capixabas
Na mesma sessão, aprovados os três projetos de lei do Capitão Assumção para conceder o título de cidadão espírito-santense ao presidente Jair Bolsonaro e aos ministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Ernesto Henrique Fraga Araújo (Relações Exteriores).

Capixabas II
Justificativas: “o presidente se apresenta como defensor dos valores familiares”; Moro “um guerreiro que luta com afinco contra a corrupção”; e Ernesto Araújo “por suas convicções, posicionamento e atuação que resultarão na reconquista do Brasil para os brasileiros e de recuperar o papel do Itamaraty como guardião da continuidade da memória brasileira”. Há controvérsias...e muitas!

Mesmos passos
Ainda sobre a visita de Damares, a reação infeliz e absurda do deputado estadual Lorenzo Pazolini (sem partido) ao protesto contra sua convidada, quando acusou os manifestantes de apoiarem a pedofilia, significa que ele aprendeu direitinho com seu padrinho político, ex-senador Magno Malta (PR). Sempre que criticado, Magno soltava uma dessa.

Começou mal?
Depois de muito reclamar, acusar de plágio, etc. e tal, o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) resolveu “agradecer” à secretária de Ciência e Tecnologia, Cristina Engel, na sessão dessa segunda-feira (20), por ter mudado para “QualificarES” o nome do programa de sua gestão chamado OportunidaES. Motivo: segundo ele, nada está funcionando desde o lançamento, na última quarta-feira (15).

Começou mal II?
Tratando a situação como “vergonhosa”, Vandinho disse que tem sido procurado por pessoas interessadas nos cursos de qualificação, que não conseguiram fazer a inscrição na nova plataforma online, e avisou ainda que não houve a aula inaugural, por falta de professor. “Fico estarrecido como o governador participa disso”, completou, avisando que mandaria uma mensagem por WhatsApp para Casagrande.
 
PENSAMENTO:
“Chegou a nossa hora, é o momento de a Igreja ocupar a nação. É o momento de a igreja dizer à nação a que viemos. É o momento de a igreja governar”. Damares Alves

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1 Comentários
  • Ricardo , sexta, 24 de maio de 2019

    Jornalista Manaina Medeiros o resultado da manifestação dos familiares dos PM resultou em sequelas que vão durar por décadas. A PM está em frangalhos! Nem se compara com qualquer outro tipo de manifestação que você quer comparar! Esse Século Diário parece que ficou definitivamente sendo um Partido Político com matérias claramente parciais. Nojo!

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