Eleições no Sebrae-ES viram enfrentamento de forças políticas

O deputado Carlos Manato (PSL), que é médico, quer ser presidente do Conselho de Administração

O jogo de poder no Espírito Santo deixa a arena tradicional e surpreende as lideranças políticas ao registrar a entrada do deputado federal Carlos Manato (PSL), segundo colocado na disputa ao Palácio Anchieta nas eleições de outubro passado, no fechado Sistema S das federações patronais. 
 
Ele concorre à Presidência do Conselho de Administração do Sebrae-ES, cuja escolha está prevista para esta quinta-feira (13), abrindo um enfrentamento com grupos ligados ao governador Paulo Hartung, atualmente sem partido, e também do governador eleito, Renato Casagrande (PSB).  

O deputado federal conseguiu entrar como conselheiro do Sebrae-ES pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado (Faciapes), que tem assento na mesa de comando do órgão. Apesar de ser médico, ele se inscreveu como candidato à Presidência, levando a tiracolo o presidente dessa instituição, Amarildo Lovati, ex-dirigente do PSL no Estado, que postulava o cargo de superintendente do Sebrae-ES, mas resolver articular uma composição.

Manato concorrerá com o atual presidente do Conselho, José Lino Sepulcri, presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio) e na função desde 2014. José Lino tem como candidato à Superintendência o atual ocupante do cargo, José Eugênio Vieira, com o apoio do governador Paulo Hartung. O terceiro postulante à Superintendência do Sebrae-ES é o empresário e político Pedro Rigo, que teria o apoio do governador eleito, Renato Casagrande (PSB).     

No mercado político, o gesto de Manato, futuro subsecretário da Casa Civil da Presidência da República, reforça a estratégia de ampliar as bases de sustentação do PSL do presidente eleito, Jair Bolsonaro, em todas as áreas, incluindo as federações patronais que controlam o Sistema S - Sesi, Senai, Sesce e Sebrae. 

Essas instituições consomem milhões de reais retirados de contribuições procedentes das folhas de pagamento das empresas, entre outras fontes, para cuidar de áreas de interesses de várias áreas produtivas, atuando especialmente no ensino e treinamento empresarial. 

A proximidade da política com a área empresarial, dentro da visão neoliberal, ampliou o poderio dessas instituições, que funcionam, em muitos casos, com canais usados para fortalecer redutos eleitorais de políticos, tanto nos estados como em nível nacional. 

A escolha da diretoria do Sebrae-ES movimenta os meios políticos, embora a entidade não tenha, aparentemente, ligação direta com a gestão pública. No entanto, o processo representa mais uma forma de pressão que o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), tem que enfrentar.  

O Sistema S e as entidades a ele relacionadas estão inseridos em áreas de influência da máquina pública, característica ampliada pela utilização de ações em plataformas políticas eleitorais de dirigentes patronais, seja como candidato a cargos eletivos ou apoiadores. O exemplo mais recente ocorreu nas eleições deste ano. O empresário Marcos Guerra, ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), atual presidente do Conselho de Administração do Sebrae-ES, disputou sem sucesso uma vaga na Câmara Federal pelo PSL, partido de Manato e de Bolsonaro.

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