'Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer'

Marcha Contra Extermínio da Juventude Negra terá ato e ações culturais no Centro de Vitória nesta quarta

Fotos: Leonardo Sá

Pela 12ª vez, acontece no Estado a Marcha Contra Extermínio da Juventude Negra, ato de rua que tem marcado o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, destacando as reivindicações dos jovens. Neste ano, a ação terá início às 15 horas desta quarta-feira em frente à Casa Porto, no Centro de Vitória, em direção ao Museu Capixaba do Negro (Mucane), onde acontece a noite cultural de encerramento, não sem antes passar pelo Palácio Anchieta para deixar uma carta de reivindicações a ser entregue ao governador Renato Casagrande (PSB). O lema deste ano é: “Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer”.

A marcha é convocada pelo Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes), que voltou a se organizar no ano passado em torno da realização do ato. De lá pra cá muita coisa aconteceu e o Fejunes vem se estruturando a partir de núcleos de base, sobretudo nas periferias da Grande Vitória e também nos municípios do interior, para proporcionar o alcance estadual da entidade e sua maior representatividade e incidência política e territorial, conseguindo dialogar para além da academia.

O objetivo principal da Marcha Estadual é denunciar o extermínio da juventude negra e cobrar medidas para revertê-lo, por meio da mobilização da juventude negra e do conjunto da sociedade. Representa o momento de maior mobilização de pessoas e repercussão política, propício para abrir diálogo com diversos setores do movimento negro e outros movimentos sociais, assim como para acolher novos militantes e pessoas interessadas em contribuir com a luta.

“Quando a gente está dentro de nossas casas, não tem muito como saber como é o mundo lá fora e que o outro está passando pelo mesmo que nós. Então é um ato para unir forças contra algo que aflige a mim e a outras pessoas negras. É um momento em que podemos nos sentir livres para falar, porque muitas vezes nossas vozes são silenciadas. E podemos gritar que não aguentamos mais ver nossos vizinhos e nossos parentes sendo mortos, ver a violência aumentando contra nosso povo, o que só aumenta nosso desgosto, repulsa e revolva contra o sistema”, afirma Abner Fontinni, integrante do Fejunes.

Abner faz parte do grupo que comandará as oficinas que acontecem no mesmo dia pela manhã como preparativo para a marcha. A partir das 7h, os jovens interessados estão convidados para atividades que serão no Mucane, incluindo oficina de cartazes e de escrita criativa. À noite, após a marcha, o mesmo espaço do museu se tornará espaço para expressão da cultura negra do Espírito Santo, com apresentações de música, dança, performance, poesia e outras atrações.

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