Em construção

Denúncia lida na Assembleia reforça ambições eleitorais do presidente da Findes, Léo de Castro

Um projeto que circula já há algum tempo nos bastidores voltou à tona na sessão ordinária da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (11), com o discurso do deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) que cita “um intrigante documento recebido de uma empresária do noroeste do Estado”. Uma lista de problemas ligados à Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), alguns conhecidos, outros nem tanto, e um aviso: o presidente Léo de Castro está em campo para fazer da instituição “um ‘bunker’ para sustentar sua candidatura ao governo do Estado em 2022”. Essa possibilidade tem sido assunto de rodas políticas capixabas não é de hoje, ganhando mais evidência agora, devido à disputa interna da Findes, marcada para o próximo mês e que definirá a sucessão de Léo de Castro. Apesar do longo caminho que precisará percorrer até o Palácio Anchieta, o que dizem é que o presidente não rejeita a possibilidade de se candidatar e estaria em conversas e articulações para construção do palanque. O primeiro passo seria exatamente garantir a manutenção do controle da Findes, para “montar um esquema político-eleitoral”, como complementa a denúncia levada à Assembleia. O vencedor da disputa interna ficará à frente da Federação das Indústrias até 2023, depois, portanto, das próximas eleições majoritárias. Um olho no peixe...

Concorrentes
Léo de Castro tem ligações com o ex-governador Paulo Hartung e, até então, aparece como principal cabo eleitoral da candidata Cristhine Samorini, presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado (Siges). O outro candidato é Egídio Malanquini, secretário Sindicato da Indústria do Café do Estado (Sincafé), que teria apoio do governador Renato Casagrande.

Calendário
As inscrições vão até o próximo dia 17, a votação será no dia 30 de abril, e a posse em julho deste ano. A conferir!

Sem isenção
Outro ponto da denúncia merece muita atenção. Aponta que, entre as várias empresas das quais o presidente da Findes é sócio, uma delas é responsável por prestar consultoria ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), avaliando os projetos de licenciamento ambiental. Se a informação procede, é grave, gravíssima!

Sem isenção II
“A gente começa a entender, então, porque uns projetos andam e outros não no Iema, dirigido por um antigo funcionário com mais de 30 anos de Vale [Alaimar Fiuza], a empresa dona da Samarco e responsável pelas barragens em Minas Gerais, trazendo destruição, morte e dores irreparáveis para os brasileiros da região Sudeste”, acrescentou o discurso.

Mão amiga
O abrigo da Findes a “executivos incompetentes da Samarco”, responsabilizados e denunciados pelo crime de Mariana (MG), também foi citado no plenário. “Gente com salários altíssimos, ali colocada por influência de lideranças políticas interessadas na instrumentalização da Federação das Indústrias para alcançar objetivos pessoais”. 

Mão amiga II
O mais destacado deles, como denunciado na época da nomeação, em 2017 - primeiro ano de gestão de Léo de Castro -, é o ex-presidente Ricardo Vescovi, que amargava a derrocada de sua até então brilhante carreira empresarial, mas foi “salvo” pelo jovem empresário.

Elefante branco
Os gastos com a obra do restaurante giratório, “que consumiu R$ 17 milhões para nada”, igualmente, não ficaram de fora. Nem os outros R$ 10 milhões para transformar o elefante branco no FindesLAB. “Tudo para justificar a megalomania dos seus últimos dirigentes, que são parte do grupo que manda na entidade há muitos anos”, afirmou Enivaldo. 

Lista extensa
O documento lido em plenário foi encaminhado, primeiro, a presidentes, diretores e associados de sindicatos patronais que compõem a Findes, “a título de alerta”. Para além dos projetos políticos-pessoais, lista ainda 16 perguntas sobre a atual gestão, com o resumo: “passaram-se dois anos e oito meses de ausência, omissão, esvaziamento de delegacias regionais e abandono das unidades móveis do Sistema S ligados à Findes”.

Poder
O deputado explicou, para não deixar dúvidas. A Findes, apesar de uma instituição privada, não está isenta de fiscalização da Assembleia - recebe dinheiro público (cotas das alíquotas de impostos destinados a sustentar o Sistema S), nem acima do bem e do mal. “Está em pleno processo eleitoral e se utiliza de toda força, meio e recursos para se encastelar no poder”, finalizou. Como dizem por aí, “a chapa esquentou”.

PENSAMENTO:
“Os vícios de outrora são os costumes de hoje”. Sêneca

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