Em meio a onda de violência, mulheres vão às ruas no 8 de março

Ato do Dia Internacional da Mulher reuniu denúncias, reivindicações e ações culturais no Centro de Vitória

Faz tempo que um 8 de março não eclodia com tanta urgência nestas latitudes. Nas semanas que antecederam o Dia Internacional da Mulher, uma enxurrada de casos de feminicídio, agressões, violência e assédio viraram notícia nos jornais e nas redes sociais. “Eles escolheram nos matar, mas nós escolhemos não morrer!”, exclamou ao microfone uma jovem presente ao ato na tarde deste dia no Centro de Vitória.


Foto: Leonardo Sá

A poucos dias de se completar um ano do assassinato da vereadora carioca que virou símbolo de luta no país, a hastag #MariELASsim estampava o carro de som que arrancou da Casa Porto, com um chamado à luta. “Pela vida das mulheres, por direitos e contra o retrocesso”. Outra jovem carregava um cartaz que nos lembrava que o Espírito Santo é o estado líder em feminicídio na região Sudeste e tem o terceiro maior índice do País.


Foto: Leonardo Sá

O ato foi organizado em alas, trazendo diversas das pautas consideradas importantes dentro do momento e conjuntura que vivemos. O abre-alas foi com um chamado feminino contra a reforma da Previdência, seguido pela ala contra os crimes ambientais, composta por mulheres de organizações como Movimento Atingidos pelas Barragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e denunciando a Vale e outras empresas. No meio estava o carro de som, seguido de uma batucada formada só por mulheres e a última e maior ala Pela Vida das Mulheres e Contra a Violência.


Foto: Leonardo Sá

Eram mais de 600 pessoas, a grande maioria mulheres, com grande representatividade das diversas lutas e movimentos: sindicalistas, jovens, LGBT, camponesas, atingidas, sem-teto e indígenas, estas marchando no dia em que os povos originários também se manifestam nacionalmente contra a proposta de municipalização da saúde indígena.

O batuque ecoou forte entre os edifícios do Centro, formando uma acústica energizante com cantos diversos, entre eles aqueles de sucesso no carnaval contra o atual presidente Jair Bolsonaro.


Foto: Leonardo Sá

“Todos os desastres de qualquer natureza sempre nos atingem em primeiro lugar e também esse desastre político que hoje assola o Brasil, que é esse retrocesso em todos os sentidos, não só trabalhista mas em todos os sentidos da intolerância, do preconceito, do aumento do feminicídio, das mulheres sendo consideradas novamente cidadãs de segunda categoria”, disse a deputada estadual Iriny Lopes (PT), em mensagem enviada ao ato.

Militante dos Direitos Humanos, Galdene Santos ressaltou que o ato cresce a cada ano, mostrando o aumento do número de mulheres conscientes de seu papel na luta por direitos. Por outro lado, ela considera que na mesma proporção parece crescer o número de mulheres sofrendo violência. “É como se uma onda de impunidade imperasse e pudesse fazer o que quisesse com as mulheres. Dá medo. Mais do que nunca, porém, nos faz ter força para lutar, se juntar e dizer basta! A gente precisa de políticas e atendimentos mais qualificados para as mulheres se sentirem mais protegidas. Uma das bases de proteção somos nós mesmas, mas a gente sabe que tem todo um sistema que precisa estar a favor dos direitos da mulher”.


Foto: Leonardo Sá

A marcha seguiu até o Museu Capixaba do Negro (Mucane), onde chegou ao anoitecer. Mas ainda não era o fim do ato. O museu se abriu para uma programação cultural especial com atrações como Melaninas MC, As Alquimistas e a percussão feminina do bloco Afro Kizomba. Afinal, também é importante celebrar entrar entre “os nossos” ou “as nossas”.

“A luta é difícil, é dura, mas devemos fazê-la com alegria, esperança e muita coragem”, disse Iriny. Outro recado foi dado por um canto coletivo no ritmo do pisa ligeiro: “Quem constrói o feminismo muda o país inteiro”.

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