Em meio ao medo do Coronavírus, a solidariedade

Campanha arrecada alimentos, produtos de higiene e de segurança para trabalhadores informais

Chegar ao ponto de ônibus, entrar no transporte coletivo, descer no local de destino. Em cada um dos pontos desse trajeto é possível ver um grande número de trabalhadores informais. São vendedores ambulantes, com suas bugingangas, doces e salgados à venda. Até mesmo nos terminais, onde esse tipo de atividade é proibida, eles estão lá, pois a proibição não é mais forte do que a necessidade de sobrevivência. 

Assim como proibir a venda nos terminais não tem sido eficaz diante da preocupação em pagar as contas e atender às necessidades básicas de um ser humano, o “fique em casa”, que parece ser um mantra repetido à exaustão e extremamente necessário em meio à pandemia de coronavírus, também não. E é pensando na realidade dos trabalhadores informais, principalmente idosos, que o medo passou a andar lado a lado com a solidariedade em uma campanha de arrecadação que acontece no Território do Bem, que abrange Jaburu, Gurigica, Floresta, Consolação, Bairro da Penha, São Benedito, Itararé, Engenharia e Bonfim, em Vitória. 

“Não queremos que as pessoas morram de coronavírus, mas também não queremos que elas morram de fome”, diz a assistente social Suellen Silva, uma das voluntárias da iniciativa, realizada pelo Coletivo Beco, Fórum de Juventude do Território do Bem, Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) e os coletivos Tour no Farol e Jovens do Bem. Esse pensamento norteou a formação de um grupo de voluntários que passará de casa em casa recolhendo alimentos, produtos de higiene e equipamentos de proteção, como máscaras, luvas e álcool em gel. É só ligar (27-999679539/ 27-996536975/ 27-998215613) e pedir para buscar. Se puder reunir um grupo e deixar as doações em um único local para facilitar a entrega, melhor ainda, é o que sugere Suellen. 

Já que a palavra de ordem do grupo é solidariedade, essa atitude ultrapassa o doar e se voluntariar, tem a ver também com o zelar por quem doou e por quem se voluntariou. De acordo com o integrante do Coletivo Beco e do Fórum de Juventude do Território do Bem, Carlos Alberto Pereira da Silva Chacrinha, os voluntários usarão máscaras e luvas no momento de recolher as doações, como forma de se proteger e de proteger o doador. “Embora não haja prazo para o fim da arrecadação, pois não se sabe quanto tempo vai durar o isolamento, é importante que os interessados em doar façam isso o quanto antes”, diz Carlos.  

Como solidariedade não se mede, não tem tamanho, não tem fronteira, não precisa ser morador do Território do Bem para doar. Também não precisa se morador do Território do Bem para se voluntariar. Para quem quiser ir além da doação, o grupo está aberto a quem puder colaborar na coleta dos produtos e na confecção das cestas, que serão destinadas a famílias de trabalhadores informais, principalmente idosos, previamente mapeados pelos organizadores. 

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