Empresa que fornecia refeições inadequadas no Himaba é substituída

Representantes do Sindsaúde-ES cobram outras ações do secretário estadual Nésio Fernandes  

Em novembro de 2018, Século Diário denunciou problemas com racionamento de comida para pacientes e trabalhadores do Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba). Insatisfeitos com a qualidade da alimentação, servidores da unidade realizaram até um abaixo-assinado, que foi entregue a representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Espírito Santo (Sindsaúde-ES) pedindo providência urgentes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Crianças internadas na unidade estavam comendo apenas café com leite e uma maçã pequena como café da manhã, assim como os servidores. Há relatos ainda de que itens essenciais, como arroz, estavam com estoques reduzidos. Neste mês, diante das reclamações, a Sesa realizou a troca da empresa, responsável pelo fornecimento da alimentação.  

“Pacientes reclamaram que tinham recebido biscoito com café e os trabalhadores apenas maçã com café e leite, uma vez que os padeiros estavam sem trabalhar”, relembrou Cynara Azevedo, da Secretaria de Condições de Trabalho do Sindsaúde-ES. “Falta transparência na maneira como o IGH administra os recursos repassados pela Secretaria de Estado da Saúde para realizar a gestão do Hospital Infantil de Vila Velha. Conseguimos acompanhar os repasses que são feitos pelo Estado para o IGH, empresa terceirizada que faz a gestão do hospital, mas depois não é possível saber se o pagamento de fornecedores foi realizado; isso também parece que não é fiscalizado adequadamente”, aponta Cynara.

Segundo ela, o Sindsaúde-ES continuará acompanhando a situação de perto para verificar se a qualidade das refeições será adequada aos trabalhadores e pacientes. “Exigimos mais respeito e reivindicamos que a verba da saúde seja utilizada de maneira a melhorar o atendimento à população e as condições de trabalho da categoria”, conclui a liderança sindical.
 

Estrutura física precária

No último dia 8, representantes do Sindicato reuniram-se com o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, para tratar de outros problemas que atingem os hospitais da rede pública capixaba. No último dia 5, a tubulação hidráulica do Hospital Estadual Antonio Bezerra de Faria estourou. Com o vazamento da água, parte do teto desabou, alagando o CTI da unidade.

“A falta de zelo e de manutenção preventiva sempre foram uma realidade no Bezerra e em outros hospitais da rede estadual. O governo anterior tinha como política o sucateamento dos serviços públicos de saúde para apresentar a privatização/terceirização como alternativa viável”, afirma a diretora do Sindsaúde-ES, Rita De Boni.

Na oportunidade, os sindicalistas resgataram as queixas e denúncias feitas pela categoria nos últimos anos. “A gestão passada, de Paulo Hartung, foi marcada pelo abandono e a falta de manutenção preventiva e corretiva nos prédios, incluindo a parte hidráulica e elétrica, além de equipamentos sucateados, mobiliário quebrado e péssimas condições de trabalho. Estes problemas interferem muito na qualidade do atendimento aos pacientes e resultam em situações caóticas como a ocorrida no Hospital Antonio Bezerra de Faria, onde uma tubulação estourou alagando todo o CTI, no início desta semana ”, relata a presidenta do Sindsaúde-ES, Geiza Pinheiro.

Acompanhada dos diretores do Sindicato, Cynara Azevedo e José Reinaldo, Geiza cobrou do novo secretário uma atenção cuidadosa com todos os hospitais da rede. “Sabemos que devido ao tamanho do abandono que marcou os últimos anos, os problemas não serão resolvidos da noite para o dia, mas acreditamos que a saúde precisa ser tratada como prioridade e que haja transparência e zelo com a verba pública”, acrescentou.

O secretário de Estado, por sua vez, comprometeu-se em colocar as soluções em prática. 

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