Empresas pagam salários e trabalhadores suspendem paralisação dos ônibus

Trabalhadores de três empresas cruzaram os braços desde a madrugada, paralisando quase 70 linhas

A paralisação de parte dos ônibus do sistema Transcol, iniciada na madrugada desta terça-feira (8) foi suspensa totalmente horas depois, após a decisão das empresas realizarem o pagamento dos salários dos trabalhadores. No município da Serra, os ônibus voltaram a circular por volta do meio-dia e, em Vila Velha, a normalização do serviço aconteceu por volta das 15h.

A população foi afetada pela paralisação logo cedo, no horário de maior movimentação nos terminais urbanos de Vila Velha e Serra. Foi uma manhã de longas filas e nenhuma informação ou expectativa de chegada de ônibus de algumas linhas. Apenas uma folha de papel avisava da paralisação de rodoviários.

A alegação foi o não pagamento dos salário, que deve ocorrer até o quinto dia útil do mês conforme convenção da categoria, que considera o sábado como dia útil para fins de pagamento.

“Não é uma paralisação só em razão do atraso deste mês mas de um atraso que é sistemático. As empresas vêm atrasando ou parcelando de forma reiterada, prejudicando o trabalhador”, disse Elton Borges, advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Espírito Santo (Sindirodoviários), quer afirmou ser comum atrasos não só no salário mas também no adiantamento e benefícios como tíquete alimentação.

Segundo o advogado, o problema é recorrente nos últimos meses, sendo que houve outras paralisações tempos atrás e os atrasos na época do natal e ano novo foram uma gota d’água, que revoltou os trabalhadores rodoviários. “A tática adotada pela categoria foi 'atrasou, vai parar'”. Assim, a partir das 4h da manhã, no início das atividades, os empregados das empresas Praia Sol e Vereda, de Vila Velha, e Serramar, da Serra, decidiram cruzar os braços e manter os ônibus na garagem até que as empresas cumpram suas obrigações com os trabalhadores. Cinco horas depois, ainda não se tem notícias de nenhum acordo. A empresa Grande Vitória, que também estava em atraso, realizou pagamento na noite de ontem e seguiu suas atividades normais.

“As empresas alegam crise econômica, dificuldades financeiras, o mesmo discurso de sempre. Mas não é o trabalhador que está na ponta que deve assumir o risco da atividade do empresário”, argumentou Elton Borges. 

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