Engenheiros constatam o caos em pontes da Grande Vitória

Na Segunda Ponte há ''anomalias construtivas'', resultado do descaso dos governos federal e estadual

Engenheiros do Grupo de Trabalho de Infraestrutura e Mobilidade  Urbana do Conselho Regional de Engenharia (Crea/ES) constataram um caos estrutural nas pontes da Grande Vitória. No caso da Segunda Ponte, inaugurada em inaugurada em 1979, o alcance dos técnicos ficou limitado à parte visível da ponte.  A base dos pilares, sua parte submersa, não foi vistoriada. Mesmo com esta visão parcial,  o problema do abandono da ponte e suas consequências foram claramente observados.
 
No relato sobre a Segunda Ponte feito na Comissão de Infraestrutura da Assembleia, na manhã desta segunda-feira (18), os engenheiros relataram que sua  situação física é preocupante.  Há “anomalias construtivas”, inclusive, “caracterizada por desplacamento do cobrimento do concreto com armadura em estado avançado de corrosão, com parte destas armaduras tendo perda total de seção”.
 
Mas não só a Segunda Ponte sofre do descaso dos governos federal e estadual. A ponte que liga o bairro de São Torquato, em Vila Velha, a Cariacica, também está completamente abandonada, com a estrutura comprometida em vários pontos.
 
A preocupação com a deterioração da Segunda Ponte, e as indicações técnicas dos pontos destruídos, foram apontadas nas considerações finais do relatório do Grupo de Trabalho.  
 
As falhas na manutenção foram apresentadas com todas as letras. Não foram realizadas sequer manutenções corretivas na ponte, quanto mais preventivas. Os comprometimentos são previsíveis para a estrutura, face ao seu uso, dizem os engenheiros, o que facilitaria a programação da manutenção.   
 
Apontam os engenheiros ser necessária “atenção imediata que merece ser dada a esta estrutura no que tange a recuperação estrutural objetivando garantir a manutenção e desempenho”.
 
O laudo foi produzido  pela equipe do Crea, formada pelos engenheiros civis Jaime Oliveira Veiga, coordenador,  Hudson Barcelos Reggiani e Tatiana Paganotti Torres, além de dois estudantes da áreas.  Receberam o documento  os deputados da  Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (PMDB), presidente, Enivaldo dos Anjos (PSD) e Jamir Malini (PTN).
 
Nos últimos anos, diariamente moradores da Grande Vitória postam imagens do estado lastimável da Segunda Ponte.  Mostram corrosão de ferragens, mato, buracos nas juntas de dilatação da ponte, entre tantos outros. Agora, o olhar foi técnico, que confirmaram o lastimável estado do local.
 
Para sua avaliação, os engenheiros realizaram vistoria de outubro último a dezembro. Viram, por exemplo, que há perda do “cobrimento do concreto com armadura em estado avançado de corrosão no pilar posicionado à frente da Sede da Polícia Federal, Pilar 18”, assinalam.
 
Também comprometido  da mesma forma, com perda da ferragem, entre outro, o pilar 3. A vegetação nas laterais é vista em vários pontos. Também há ferragem exposta com corrosões em vigas transversais, corrosão em viga e lixiviação do concreto em juntas de dilatação. Fundos das juntas de dilatações em sua maioria  também comprometidos com perda de ferragem.
 
Uma curiosidade: um morador de rua usa a ferragem destruída para armar sua rede.  Há registros de perdas maiores: “Parte da estrutura em estado de ruína, localizada em São Torquato próximo a ponte do Camelo”,  diz a legenda de uma foto dos técnicos.
 
Parte da armação destruída foi coberta com concreto, aparentemente para esconder o risco que a deterioração produz. Há registro de juntas de dilatação com abertura de 12 centímetros, quando na outra parte, a abertura é de quatro centímetros, com  consequente desplacamento de material elástico.
 
Guerra dos poderes
 
A deterioração da Segunda Ponte chegou ao ponto atual por omissão dos órgãos responsáveis. Se digladiam, com o objetivo de não fazer nada, de um lado o governo do Estado, pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), cujo diretor geral é o engenheiro agrônomo Enio Bergoli.
 
Do outro lado está  governo federal,  pela Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), cujo superintendente no Espírito Santo é Ezio Gonçalves dos Reis. Os  órgãos simplesmente se eximem de responsabilidade, transferindo-a para o outro órgão.
 
A discussão é boba, com vistas a iludir as pessoas. Os técnicos sabem que a parte do viaduto que dá acesso a Vila Velha é de responsabilidade do DER. Já ao DNIT cabe a responsabilidade da ponte, desde a cabeceira do lado de Vitória, até o acesso de Cariacica.
 
Outras pontes
 
As imagens mostradas na Assembleia Legislativa da ponte sobre o rio Marinho, que liga São Torquato, em Vila Velha, a Cariacica, localizada próxima à sede da Polícia Federal, apontam com clareza que não há manutenção alguma.
 
Os técnicos que estiveram na Assembleia Legislativa relataram que as Cinco Pontes passaram por manutenção recentemente. Ao lado da Segunda Ponte, liga Vitória a Vila Velha.
 
Já a Terceira Ponte, que liga Vitória a Vila Velha, passando ao lado do Convento da Penha, é uma área pública que está privatizada, com cobrança de pedágio. Os engenheiros do Crea relataram que há manutenção no local.
 
No final da reunião, o presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia, deputado Marcelo Santos (PMDB), anunciou que  pedirá uma avaliação  técnica na parte submersa da Segunda Ponte. E que cobrará do DER e da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb), agora responsável pela área,  uma posição sobre as providências que serão adotadas, dando prazo de cinco dias para resposta.
 
E sobre a crônica omissão do DNTI? O deputado anuncia que oficiará ao Ministério Público Federal (MPF) para que faça cobranças ao órgão, que deve garantir a manutenção na Segunda Ponte.
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