Entidades emitem notas de repúdio contra fala do secretário de Justiça

Luiz Carlos Cruz declarou à imprensa que advogados atuam como ''pombo-correios'' em presídios

Declarações recentes do secretário de Estado de Justiça, Luiz Carlos Cruz, causaram indignação à classe dos advogados que atuam no Espírito Santo, gerando notas de repúdios. Em entrevista a telejornais, na última sexta-feira (22), o gestor público responsável pelas unidades prisionais capixabas afirmou que advogados, usando de suas prerrogativas, funcionam como espécie de “pombos-correios” levando informações de dentro do presídio para fora e vice-versa, sendo um elo entre internos e criminosos que estão soltos. 

Nas entrevistas em que comentava os recentes ataques a coletivos na Grande Vitória, o secretário chegou a afirmar que “infelizmente temos advogados que utilizam da carteira da OAB para servir como pombos-correios levando e trazendo informações”. 

Entidades de classe reagiram e soltaram notas de repúdio em defesa da classe. O Sindicato dos Advogados do Espírito Santo (Sindiadvogados-ES), por exemplo, em nota assinada pelo seu presidente eleito, Luiz Télvio Valim, disse que a forma genérica da fala gera dano moral irreparável para toda a classe dos advogados, sendo assim, a entidade afirma que tomará as medidas jurídicas cabíveis, alegando promover a justa reparação aos seus representados. 

“Não ficaremos inertes diante de tamanha afronta. Se o senhor secretário sabe de nomes de advogados que praticam tais atos, que denuncie e tome as providências necessárias visando coibir tais práticas, pois, se tem conhecimento e não toma as providências necessárias, comete crime de prevaricação”.

E continua: “Não aceitaremos generalizações, nem toleraremos que o secretário de Justiça desqualifique de forma genérica toda a classe daqueles que são indispensáveis à administração da Justiça (artigo 133 da Constituição Federal). Isso é a prova de despreparo para conduzir uma pasta tão sensível e que tem como seus principais protagonistas os advogados”.

Já a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Espírito Santo (OAB-ES) foi mais sucinta e polida em sua manifestação. Por meio da Comissão de Direito Penal e Política Penitenciária, a OAB-ES “renegou com veemência as manifestações prestadas pelo secretário” e acrescentou: “A Advocacia é essencial à administração da Justiça, segundo a nossa Constituição Federal, e em hipótese alguma deve ser criminalizada, principalmente através da fala de uma autoridade estadual. Por óbvio que, na ocorrência de lamentáveis situações isoladas, as mesmas merecem tratamento rigoroso, sem, entretanto, generalizar a classe ou a atuação desta nobre e necessária função, que é a advocacia”.
 
No site oficial da Ordem, foi publicada ainda uma notícia que o secretário de Estado da Justiça, Luiz Carlos Cruz, respondeu à Ordem esclarecendo que não teve a intenção de atacar a advocacia capixaba.

"Ao deixar subentendido que advogados podem estar envolvidos com criminosos suspeitos de ataques a ônibus e à empresa de alimentação de presos, quis se referir apenas a profissionais associados ao crime, excluindo a grande maioria da classe, que se demonstra imprescindível à administração da justiça". 

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1 Comentários
  • Gomes , terça, 26 de fevereiro de 2019

    Em algumas situações falar a verdade, que todos sabem, mas ainda não foi dita, é prejuízo para o falante, e para o ouvinte complacente, a verdade incomoda, e se faz necessária a hipocrisia consensual para que tudo volte ao (a)normal cotidiano.

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