Entidades sindicais se mobilizam para forçar abertura de diálogo com Casagrande

Em campanha, governador prometeu abrir mesa de negociação sobre recomposição salarial e outras pautas

O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos-ES), junto com a Pública Central do Servidor e outras entidades sindicais, começam a se reunir para traçar metas de pressão contra o governo estadual e forçar a abertura de “diálogo sério” sobre recomposição salarial e demais pautas da categoria. Somente as perdas inflacionárias somam 32,7%, entre 2012 e 2017, segundo o Sindipúblicos.

“A gente já tentou de várias formas abrir diálogo com o governo, mas ele coloca um intermediador sem nenhum poder de negociação. Alega crise nacional e que não tem nenhuma perspectiva de aumento”, expõe o vice-presidente do sindicato, Rodrigo da Rocha Rodrigues. “Funcionários da Seger [Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos] ficam nos enrolando, contando histórias da economia e não deliberam nada nem justificam”, protesta.

A abertura de uma mesa de negociação foi compromisso de campanha de Renato Casagrande no ano passado. “Queremos alguém com poder de deliberação e que dialogue de forma séria, justificando as propostas com números e dados. Essa foi a promessa dele”, explica o vice-presidente.

Na sabatina feita pelo sindicato com os candidatos, conta Rodrigo, “Casagrande prometeu que daria a reposição da inflação e depois, conforme o andamento da arrecadação, iria analisar a recomposição das perdas reais. Nessa mesa também iria analisar as outras reivindicações não financeiras”, relata.

Na atual articulação para forçar a abertura de diálogo, o Sindipúblicos e a Central Pública já estiveram na Assembleia Legislativa, no Tribunal de Contas, no Ministério Público e no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, protocolando ofícios requisitando a recomposição inflacionária para todos os servidores públicos estaduais.

Segundo divulgado pelas entidades no início de maio, os documentos protocolados solicitam a intercessão desses órgãos junto ao governador para a fixação de uma data base e recomposição inflacionária.

No último mês, o Sindipúblicos apontou como favorável para a concessão do reajuste, o registro pelo governo do Estado de uma receita de R$ 3,07 bilhões nos dois primeiros meses deste ano, 12,9% a mais em relação ao mesmo período de 2018. "Descontando as despesas (R$1,88 bi), o governo Casagrande ficou com um superávit de R$1,19 bilhão para realizar investimentos e realizar a correção inflacionária nos salários dos servidores", pontou a entidade, lembrando ainda do aumento da arrecadação proveniente do pagamento de impostos.

O assunto será discutido no VI Congresso do Sindipúblicos, que será realizado nos dias 5, 6 e 7 de junho próximos, no Centro de Treinamento Dom João Batista, em Vitória.

Servidores municipais

O Sindicato lembra que, diferentemente do Governo estadual, quatro prefeituras da Grande Vitória já concederam ou anunciaram recomposição salarial de seus servidores, “cumprindo os dispositivos legais constitucionais”, informa a entidade.

Em Vila Velha, o reajuste será de 5% para todos os servidores do Executivo, incluindo os aposentados, e ainda de 50% no auxílio-alimentação. Na Serra, os servidores também terão 5%, mas de forma escalonada, sendo 3% na folha de julho e 2% na de outubro, além de receberem R$ 50 a mais no valor do vale-alimentação a partir de janeiro de 2020. Já a Prefeitura de Vitória, informa o sindicato, também anunciou que irá conceder reajuste aos servidores de 4%. E Cariacica, em fevereiro último, concedeu 4,05% de correção inflacionária.

São reajustes, destaca a entidade, que ultrapassam a inflação acumulada dos últimos 12 meses, que ficou em torno de 3,86%.

Outras pautas

A mesa de negociação não é só pra recomposição salarial, argumenta o vice-presidente do Sindipúblicos-ES. “Noventa por cento das nossas pautas não são financeiras”, afirma, citando solução para os casos de assédio moral, melhores condições de trabalho, aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), pagamento de insalubridade, reforma do prédio. “A maioria das nossas reivindicações são para prestar melhor serviço para a sociedade”.

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