Erick Musso filosofa, rebate críticas e defende independência dos poderes

Com o discurso, presidente da Assembleia tenta aclarar a crise instalada depois da eleição antecipada

“Chegou o momento de quebrar o silêncio e dividir com vocês aquilo que aprendi com ele”. Com frases filosóficas, algumas repetidas em páginas das redes sociais, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Erick Musso (Republicanos), veio a público nesta terça-feira (10), depois de quase dois dias afastado do plenário em decorrência da crise formada com a eleição antecipada da Mesa Diretora da Casa, que estendia seu mandato até 2023, e que é objeto de ações na Justiça. 

Após essa abertura, Erick Musso afirmou que é "preciso aclarar os últimos acontecimentos, pois muita coisa cruzou a estrada". Ele defendeu a independência dos poderes, de forma harmônica, rechaçou as críticas e a comparação com a Era Gratz, fez uma prestação de contas de sua gestão, além de alfinetar adversários políticos e falar diretamente com o governador Renato Casagrande (PSB), chamando-o para um relacionamento em defesa dos interesses do Estado.  

O deputado iniciou o discurso com a citação de uma frase motivacional do autor chamado “Professor Galvão”, em que ele justifica o silêncio diante da crise: “As montanhas da vida não existem apenas para que você veja o mundo, mas também para que aprendamos o valor da escalada”. No mesmo tom, o presidente da Assembleia disse, solene: “Muita gente falou. E eu, da montanha, observava os movimentos, porque do alto conseguimos perceber melhor como as pessoas se movem; algumas delas, com as pernas e mãos de outrem”. 

A seguir, Erick Musso destacou: “Quero começar reforçando a independência desta Casa e enaltecendo o compromisso dos meus colegas deputados e deputadas, e endossar o cumprimento da Constituição, que inspirada em Do Espírito das Leis, de Montesquieu, estabelece que os três poderes constituídos devem ser harmônicos, mas, sobretudo, independentes”. Acrescentou que por anos “essa autonomia foi abstrata, quimérica e proditória”.
 
Para ele, no Espírito Santo, criou-se “uma cultura de que determinadas decisões das casas de leis, incluindo eleições da Mesa Diretora, deveriam passar pelos palácios de governos. Esse hábito nocivo para a independência do poder legislativo foi mal visto pela sociedade e muito criticado pela imprensa, que precisa voltar seu olhar para as tentativas que se insurgem travestidas de ordenamento legalitário”.

Explicou que a decisão de antecipar a eleição da Mesa não foi uma invenção da Assembleia do Espírito Santo e citou a de Goiás e também câmaras de vereadores. “A realização da eleição, no último dia 27, não foi antidemocrática nem personalista, como acusam alguns oportunistas de plantão. Foi uma decisão minha com o apoiamento de 24 dos 29 deputados e deputadas, que entendem que o trabalho que temos feito aqui deve continuar”, disse. 

Ele condenou a velha política, a quem atribuiu oposição ao seu trabalho, destacou mais de uma vez os holofotes eleitorais de 2020 e os "conselheiros de guerra", e citou os nomes de vários deputados, inclusive Fabrício Gandini (Cidadania), que foi à Justiça pedir o cancelamento da eleição antecipada, e destacou os deputados Marcelo Santos (PDT) e Enivaldo dos Anjos (PSD), que perdeu a liderança do governo após a crise com o governo.

Na parte final do pronunciamento, Erick Musso enalteceu realizações de sua gestão, citando serviços oferecidos ao cidadão que lhe valeram premiações de âmbito nacional, e garantiu que não aceitará mais, calado, "o processo de desconstrução da imagem de um parlamento forte".

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