Escadaria da Piedade será revitalizada com arte de jovens da comunidade

No dia 7 de julho, acesso principal ao bairro receberá colorido especial como forma de valorização

As famílias do bairro Piedade, no Centro de Vitória, que tiveram suas casas incendiadas, na noite da última quarta-feira (19), estão recebendo apoio e assistência da Prefeitura de Vitória. Na quinta-feira passada (20), uma equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social esteve no local para avaliar a situação e foram adotados procedimentos emergenciais. As duas famílias, num total de 14 pessoas, receberam alimentação, além de roupas de cama e banho, colchões, fogão e geladeira.

Outra ação pretende, ainda, revitalizar a escadaria principal do bairro, que ganhará um colorido especial no dia 5 de julho em ação da Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho. O local, que foi escolhido pela própria comunidade, receberá intervenção artística com grafite, envolvendo os próprios jovens estudantes da região. Além disso, haverá uma ação de limpeza e recuperação dos corrimãos, realizada pela Central de Serviços.

O secretário da Semcid, Bruno Toledo, destaca que a iniciativa tem como objetivo transformar a imagem do local, deixando-o mais atrativo, e recuperar a autoestima dos moradores da região. "Essa é uma das diversas ações que estamos realizando na perspectiva de reocupação do espaço público da Piedade e possibilitar o retorno de famílias à comunidade. Acreditamos que revitalizar as escadarias, dando cor e vida a elas, é uma forma de melhorar a autoestima dos moradores, potencializando o sentimento de pertencimento àquele espaço", disse.

Segundo relato de lideranças comunitárias da região, apesar do ato de violência registrado na véspera de feriado, a vida na comunidade tem sido restabelecida.  

Terror 

Na última quarta-feira (20), grupos criminosos invadiram a comunidade, por volta das 21 horas, disparando tiros de fuzis, ameaçando moradores, incluindo crianças que tiveram armas apontadas contra suas cabeças, e ateando fogo em residências. O saldo, na quinta-feira última feriado (21), foi de tristeza e de mais uma ferida aberta no bairro, berço do samba capixaba, que tem enfrentado um esvaziamento ocasionado pelo medo.  

Dados do Instituto Raízes da Piedade, que desenvolve ações sociais na região, apontam que 32 casas foram abandonadas e mais de 180 pessoas deixaram o bairro após o acirramento da disputa pelo controle do tráfico. Segundo pesquisa da ONG, a previsão é de que até 2020 cerca de 70% dos moradores tenham deixado a região.

Desde março de 2018, quando os irmãos Ruan e Damião Reis foram executados com mais de 20 tiros cada um, a região vem sofrendo com a onda de violência e muitos moradores já tiveram que deixar suas casas. Alguns, inclusive, receberam ameaças diretas com ordem de desocupação.

Segundo investigações em curso, as disputas vem se intensificando desde o ano passado, quando traficantes do Complexo da Penha e do Morro São Benedito resolveram expandir seus domínios para regiões do Centro, incluindo a Piedade e o Morro do Moscoso, que fazem divisa. Em janeiro deste ano, três jovens foram assassinados em plena praça pública no Moscoso.  

Aluguel social 
Além do apoio da Prefeitura de Vitória, em abril deste ano, a Justiça já havia deferido o pedido da Defensoria Pública do Espírito Santo e concedeu às famílias do Morro da Piedade, em Vitória, o pagamento de aluguel social. Foi a primeira vez que o benefício foi concedido às vítimas da violência do tráfico de drogas. 


“Essa é uma decisão importante para as famílias atingidas e demonstra que o poder público deve se debruçar para os contornos sociais que revestem a questão. O tráfico de drogas e a violência decorrente dele não são solucionados apenas pela intervenção policial; pelo contrário, as vulnerabilidades sociais das localidades que sediam os conflitos devem ser combatidas com o mesmo vigor”, afirmou à época a coordenadora cível da Defensoria Pública, Maria Gabriela Agapito.

Para que as famílias recebessem o aluguel social, a Defensoria Pública ingressou, em março deste ano, com um agravo de instrumento com pedido de antecipação de tutela recursal, para que o benefício fosse pago em caráter de urgência. O pedido foi apreciado e deferido pelo desembargador Jorge do Nascimento Viana, no dia 22 de março deste ano. Não foi estipulado um número certo de beneficiados, pois a decisão fala que o município deve atender as famílias e conceder o aluguel social para quem foi expulso da Piedade pelo tráfico. 
 
 

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