Escola comunitária de Colatina inaugura sede própria

Uma história inédita no Brasil de mobilização e vitória. Comunidade lutava desde 1994 pela Emcor

Uma história inédita no Brasil de mobilização e vitória de uma comunidade em prol de sua escola. A inauguração da sede própria da escola municipal comunitária (Emcor) Fazenda Pinotti, em São João de Barra Seca, na região do Vale do Santa Joana, na zona rural de Colatina, aconteceu na última sexta-feira (10), depois de 25 anos de muita luta e união das famílias.

“É um exemplo pro Brasil todo. É inédito. Eu não vi ninguém contar uma experiência como essa, de união da comunidade, do esforço de cada família”, declara Marta Zanotelli, diretora da escola, moradora da comunidade e uma das militantes desde o início da luta.

Nesses 25 anos, até hoje, conta Marta, “tudo o que a escola precisa, convoca as famílias”. E as famílias procuram e realizam as soluções necessárias, afirma.

Em 1994, conta Marta, quando a comunidade se mobilizou pela primeira vez, o que conseguiram do município foi o transporte escolar. Mas, com ele, todos os problemas conhecidos: sofrimento das crianças e suas famílias com as longas distâncias entre a casa e a escola, em estradas e veículos mal conservados.

“Antigamente, muitas crianças saíam de casa às quatro e meia da manhã e só retornavam duas e meia da tarde. Eram uma hora e meia a duas horas e meia dentro do ônibus. Havia muita evasão escolar e o ensino era descontextualizado da realidade em que viviam. O êxodo dos jovens era grande. Eles estudavam nas cidades, com perda de identidade. Sofriam bullyng e tinham de mentir, diziam que não eram da roça”, relata a diretora.

A partir do ano de 2000, então, prossegue a militante, foi feita nova discussão para implementar a Pedagogia da Alternância na região. “Porque não concordávamos com o que estava acontecendo com nossas crianças. Trouxemos uma metodologia de educação do campo”, conta Marta.

Somente em 2003, foi aberta uma escola dentro do Instituto Federal do Estado (Ifes) de Itapina, fora da região do Vale do Santa Joana e sem a metodologia do campo, e os problemas continuaram. Em 2007, nova mobilização, e novamente negado o pleito da comunidade.

Passados sete anos, a mobilização foi retomada com força total. “Decidimos que não íamos mais parar enquanto não conseguíssemos a nossa escola”. Assim, em 2016, iniciaram-se as aulas no Vale, nas dependências da igreja local, de forma improvisada, mas já com a Pedagogia da Alternância.

Durante esses três anos letivos, o amadurecimento da união da comunidade resultou em mutirões e, por meio de uma parceria, a prefeitura cedeu o material de construção e a comunidade entrou com a mão de obra. Parte da escola foi erguida dessa forma. No final do ano passado, a prefeitura assumiu a conclusão da obra, que se encerrou nesta sexta-feira (10).

O prédio tem quatro salas, onde funciona o Ensino Fundamental II, que atende não só a São João da Barra Seca, mas a todas as demais sete comunidades rurais do Vale do Santa Joana. No prédio antigo, continuam a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I, de forma multisseriada. No total, são 73 estudantes, no turno matutino.

Uma conquista emocionante e inspiradora para todas as comunidades rurais do Espírito Santo e do Brasil.

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1 Comentários
  • Roberto Telau , terça, 14 de maio de 2019

    Acompanhei essa história desde 2011. Estou muito feliz com a conquista da comunidade, que sempre protagonizou com muito compromisso essa história. Todas aquelas crianças são dignas dessa luta dos pais.

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