Escolha cara

Casagrande teve no mínimo muito azar em empossar Vasco Gonçalves logo na véspera da prisão da PF

Depois de tentar imprimir a marca da inovação em sua equipe de governo, Renato Casagrande teve no mínimo muito azar em empossar o presidente que escolheu para o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), Vasco Cunha Gonçalves, logo na véspera de ser deflagrada a operação da Polícia Federal que apura um forte esquema de pagamento de propinas a diretores e ex-diretores do Banco de Brasília (BRB) em troca de investimentos em projetos. Um dos presos nesta terça-feira (29), exatamente Vasco Gonçalves, que se licenciou do comando do BRB depois de quatro anos, para vir de “mala e cuia” trabalhar no Espírito Santo. Ele e outros diretores alvos da investigação representavam a cúpula do banco da capital federal no período de governo de Rodrigo Rollemberg, do mesmo partido de Casagrande, que acatou a indicação. Embora tenha manifestado surpresa com o caso e considerado que o nome de Vasco Gonçalves fora aprovado pelo banco central, em “análise criteriosa”, prosseguindo com o anúncio do presidente interino, Silvio Grillo, a operação da PF e o Banestes estão no centro da imprensa local e nacional, com detalhes sobre o suposto pagamento de propinas que chegam a R$ 16,5 milhões. Para um início de governo, seria melhor ter passado sem essa!

Intercâmbio
Matéria do Correio Brasiliense, de dezembro de 2018, tratou do “recrutamento” de nomes da gestão de Rollemberg para assumir cargos em equipes de aliados em outros estados. No caso de Casagrande, foram citados Gonçalves e o atual secretário de Mobilidade e Obras Públicas, Fábio Ney Damasceno, que fazia parte da gestão anterior do governador e foi abrigado no Distrito Federal, fazendo agora o caminho de volta.

Ficou
Junto com Gonçalves, que acabou renunciando ao cargo após a prisão, também tomou posse nessa segunda o novo diretor de Riscos e Controle do Banestes, Carlos Artur Hauschild. Ele ocupou a mesma função no (BRB) durante parte da gestão do economista preso. Carlos, no entanto, passou ileso dos respingos da operação.

Evitou o desgaste
A mudança no comando do Banestes não é a primeira do governo de Casagrande, que ainda vai completar um mês. A outra, pelo menos, foi antes da posse, quando trocou a presidência da Cesan de Alcio de Araújo para Cael Linhalis. A alegação é que Alcio, como presidente de empresa que mantém contrato com a companhia, não poderia assumir a função. Problema detectado em tempo.

Demandas
Quando foi anunciado presidente do Banestes, em dezembro passado, Vasco Gonçalves havia prometido manter o banco estadual “competitivo e rentável”. O Sindicato dos Bancários no Estado (Sindibancários-ES), na ocasião, cobrou respeito de Casagrande ao compromisso assumido em campanha de não vender a instituição e reabrir diálogo sobre questões fundamentais para a categoria, como a sustentabilidade da Banescaixa.

Sem conversa
Os bancários tinham inúmeras reclamações em relação ao presidente da gestão Paulo Hartung, Michel Sarkis, por se negar a receber o sindicato e adotar medidas prejudiciais à categoria. Resta saber, agora, o que vem pela frente, depois dessa bomba inesperada.

Oba-oba
Ainda sobre Casagrande, o governador perdeu quantos capítulos da atuação da Jurong em Aracruz, norte do Estado? Nessa segunda-feira (28), fez aquelas conhecidas visitas de cortesia, rasgando elogios à empresa: “Nossa presença hoje é para dizer que a Jurong tem nosso total apoio para continuar executando esse trabalho e levando o desenvolvimento para os capixabas”. “Tô” dizendo, é só tapete vermelho para as poluidoras...

Festa completa
Os motivos de o governador se deslocar até lá deveriam ter sido outros. Um recorte só sobre o ano passado: protestos contra retiradas de direitos trabalhistas e denúncias sobre condicionantes até hoje não cumpridas. E Casagrande não foi sozinho: levou a vice, Jacqueline Moraes; o futuro presidente do Bandes, Ângelo Baptista; o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), além de vereadores de Aracruz.

Projeto
Com cinco candidatos já colocados, surge mais um disposto a entrar na disputa à Prefeitura de Vila Velha, em 2020.  O presidente do PV municipal, Alexandre Salgado, que também é ouvidor-geral do município, já apresentou suas pretensões ao prefeito Max Filho (PSDB) e promete reunir forças para formalizar a candidatura. 

Projeto II
Só falta uma coisa, “detalhezinho”: convencer o prefeito Max, levando em conta que, para isso, ele terá que desprezar os planos de tentar a própria reeleição ou eleger para o cargo o seu vice, Jorge Carreta (PSDB). 

Barrado
Em Guarapari, na queda de braço com o prefeito Edson Magalhães (PSDB), venceu a Câmara de Vereadores. O veto do executivo ao orçamento 2019 não foi aprovado na sessão extraordinária realizada nessa segunda-feira (28). Placar: 10 x 6. Magalhães pretendia retirar da matéria a emenda que prevê suplementação orçamentária de 5%, elevando o limite para 30%.

PENSAMENTO:
“De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade”. Sigmund Freud

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