Espírito Santo confirma segundo caso de coronavírus, também em Vila Velha

Escolas emitem comunicado às famílias sobre prevenção. Casos devem subir no Brasil na próxima semana

O Espírito Santo registrou, na tarde desta quinta-feira (12), o segundo caso confirmado de contaminação pelo coronavírus, novamente no município de Vila Velha. O paciente é homem, brasileiro que mora na Inglaterra, e está no Estado em visita a familiares. Ele está em isolamento domiciliar sem apresentar sintomas graves.

O primeiro caso confirmado, uma mulher que esteve na Itália, já saiu do isolamento domiciliar em que estava e nenhum de seus familiares apresenta quadro sintomático da doença, declarada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Com essa nova atualização, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) possui dois casos confirmados, 48 descartados e 21 em investigação. Todos suspeitos possuem vínculo de viagem ao exterior para algum dos 36 países considerados epicentros da doença, e apresentam quadro clínico leve, sem sinais de gravidade sendo, nesses casos, indicado o isolamento domiciliar de acordo com o protocolo adotado no Brasil.

A Secretaria garante "que todas as medidas adotadas no Plano Estadual de Prevenção e Controle do COVID-19 estão sendo executadas, tanto pela rede pública quanto pela rede privada de saúde". A pessoa será classificada como suspeita para o Covid-19 se apresentar sintoma respiratório e vínculo epidemiológico com viagem ao exterior ou contato com caso da doença nos últimos 14 dias. 

A partir da definição de suspeita, o paciente será investigado com exames que irão confirmar ou descartar o caso. Os exames são realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES), que é o único laboratório apto para executar a análise do Covid-19 no Estado. Até obter o resultado do exame, o cidadão deve ficar em isolamento domiciliar nos casos leves e internação em caso graves.

Edital divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira prevê 200 médicos do Programa Mais Médicos para equipes da saúde da família e atenção básica do Estado para reforçar o atendimento das unidades, especialmente no período da epidemia. Os profissionais serão selecionados para 40 municípios e devem começar os trabalhos nas unidades em abril.

Escolas

Também nesta quinta-feira, escolas particulares do Espírito Santo começam a enviar comunicados às famílias dos alunos, com orientações sobre a prevenção ao novo covid-19.

As orientações enviadas pelos estabelecimentos particulares advêm do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do ES (SINEPE-ES), entidade afiliada à Federação Nacional dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (FENEP), e se concentram em quatro pontos.

O primeiro é o dever de orientar os estudantes, sem alarde e o quanto antes, sobre necessidade de higienização frequente com álcool em gel. Segundo, que as escolas peçam às famílias que não enviem para a escola os estudantes que apresentarem sintomas de gripe e que os mesmos procurem um médico para descartar qualquer risco de contaminação pelo COVID-19.

Em sala de aula, as escolas devem orientar os estudantes a evitarem os cumprimentos que exijam contato físico direto com áreas do corpo com risco de contaminação, como beijo no rosto ou contato de mãos, substituindo-os por outras formas de cumprimento sem contato físico, de forma lúdica, evitando impactos em sua rotina diária na escola.

Finalmente, o quarto pedido é para que as famílias informem as instituições de ensino sobre qualquer caso suspeito com seus estudantes ou familiares.

Rede pública 

No universo das escolas públicas capixabas estaduais e municipais – somente a Rede Estadual tem aproximadamente 230 mil alunos – as orientações formais estão sendo elaboradas conjuntamente pelas Secretarias de Estado de Saúde e Educação (Sesa e Sedu), que se reuniram com esse objetivo. 

Participaram o coordenador do Centro de Operações Estratégicas (COE) da Sesa, Luiz Carlos Reblin, e o assessor de Gestão Escolar da Sedu, Saulo Andreon, além da chefe da Vigilância Epidemiológica, Larissa Dell Antônio, a referência técnica do Programa Saúde na Escola (PSE) do Núcleo Especial da Atenção Primária (NEAPRI) da Sesa, Érika Saiter Ganocho, e o gerente de Vigilância em Saúde da Sesa, Orlei Cardoso.

Reblin explicou que na hipótese de ter uma pessoa com os sintomas na sala de aula, essa pessoa deve ser retirada e permanecer em casa, e as aulas continuam normalmente. “Mas se aparecerem, por exemplo, cinco casos, aí sim vai se tomar uma atitude em relação àquela sala”, frisou.

"Entendemos que esse diálogo com a Secretaria de Saúde reforça as orientações já feitas para as escolas. Juntos, queremos ampliar essa rede de orientação para os alunos e toda a comunidade escolar acerca dos cuidados necessários que devem ser adotados no dia a dia da escola", salientou o assessor de Gestão Escolar da Sedu, Saulo Andreon.

Ufes 

Nesta quinta-feira (12), a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) publicou um comunicado à comunidade universitária. Nele, a Administração informa que, mesmo não tendo registrado nenhum caso suspeito em seus campi, decidiu, em consonância com o Ministério da Saúde, por três medidas preventivas.

A primeira é evitar viagens a países que decretaram estado de emergência ou nos quais a epidemia está no pico de transmissão. As outras duas referem-se às pessoas que estejam retornando de viagens a lugares de risco: se não apresentarem sintomas, a “quarentena” domiciliar deve ser de sete dias; em caso de apresentação de sintomas, o período deve ser de 14 dias; e tendo ocorrido contato com pessoas contaminadas, mesmo que a pessoa esteja assintomática, o isolamento doméstico também deve ser de 14 dias. Em todos os casos, ao voltarem de viagens de lugares de risco, o retorno deve ser comunicado ao departamento ao qual estão vinculadas. 

O comunicado afirma que não há motivo para pânico, reforça os cuidados de higienização e proteção individual maciçamente divulgados pelos órgãos de saúde, e orienta que que pessoas com sintomas de doenças respiratórias devem procurar diretamente as unidades básicas de saúde dos municípios, que estão devidamente preparadas para receber e avaliar cada caso.

Evento cancelado

O primeiro evento de grande porte agendado para o Espírito Santo foi cancelado, para evitar aglomerações de pessoas. A decisão foi da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec/ME), que suspendeu a etapa Vitória do Mobiliza Brasil, que seria realizado nesta quinta e sexta-feiras (12 e 13). 

Como prevenir

Ainda não há um tratamento específico para a doença, que é transmitida por gotículas de saliva e catarro que se espalham pelo ambiente, ressalta a Sesa. Por isso, é fundamental manter alguns cuidados com a higiene pessoal que também valem para afastar o risco de gripe e outras tantas doenças respiratórias: lavar as mãos frequentemente por pelo menos 20 segundos com água e sabão; utilizar antisséptico de mãos à base de álcool para higienização; cobrir com a parte interna do cotovelo a boca e o nariz ao tossir ou espirrar; utilizar lenço descartável para higiene nasal; evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca; não compartilhar objetos de uso pessoal; limpar regularmente o ambiente e mantê-lo ventilado.

Crescimento iminente no Brasil

O risco de uma explosão iminente dos casos de coronavírus no Brasil foi insuflado nesta quinta-feira (12) por um áudio do professor Fabio Jatene, vice-presidente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), divulgado nas redes sociais, informando sobre uma reunião ocorrida na véspera com diversos especialistas, onde foi levantada a estimativa de infecção de 45 mil pessoas apenas na região metropolitana de São Paulo, com risco maior para idosos e pessoas com doenças crônicas, o que demandará cerca de 11 mil leitos de internação, número inexistente na rede de saúde daquele estado. 

Os médicos reunidos avaliam que o pico da proliferação no país deve durar quatro meses, quando os casos começarão a cair, a exemplo do que já acontece na China, onde a pandemia começou. 

“A partir de hoje os casos vão explodir no Brasil, porque já passou a ter a transmissão que eles chamam de comunitária. Não é quem foi viajar. Agora quem não foi viajar já está passando para o outro. Ele tinha razão, porque ontem tinha 35, hoje já tem setenta e a partir de amanhã as coisas vão piorar mais ainda. Eles disseram para ter muito cuidado com pessoas de idade. Pessoas muito idosas não devem se expor de jeito nenhum, reduzir ao máximo a possibilidade de contágio. Porque nos velhinhos a mortalidade tem chegado a 18% e nos jovens a 0,2%”, relata o professor Fabio Jatene no áudio.

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