Estudantes e professores se mobilizam para protesto nesta quarta-feira

No dia da greve nacional, passeata sairá da Ufes e do Ifes, em Vitória, até a Assembleia Legislativa

Estudantes, professores, servidores e a comunidade escolar que agrega a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do Estado (Ifes) prometem tomar as ruas de Vitória, nesta quarta-feira (15), num grande protesto unificado contra os cortes anunciados pelo governo Jair Bolsonaro na educação pública. As concentrações estão marcadas para o mesmo horário, às 16h30, tanto no campus de Goiabeiras (Ufes) quanto no Instituto Federal do Estado (Ifes) Vitória, em Jucutuquara. De lá, as passeatas saem com destino à Assembleia Legislativa, onde todos se encontram para um ato público. 

O ato é a participação capixaba na Greve Nacional da Educação, movimento que ocorre nesta quarta (15) em outros estados contra os cortes nos recursos da Educação promovidos pelo governo federal. Desde o anúncio feito pelo ministro Abraham Weintraub, no final do mês passado, milhares de estudantes, professores e trabalhadores têm ido às ruas em vários locais do país. Alunos da Ufes e do Ifes, por exemplo, fizeram uma passeata no último dia 3 deste mês, concentrando-se em frente ao Palácio Anchieta. 

A justificativa para os cortes, segundo o ministro da Educação, seriam “gastos excessivos” das instituições de ensino com eventos e atividades desnecessárias que ele mesmo nomeou como “balbúrdias”. Abraham Weintraub, que inicialmente anunciou um corte de 30%, tem se contradito e anunciado índices menores. Usando chocolates, o ministro afirmou que o “contingenciamento” não passa de "três chocolatinhos e meio num total de 100, ou seja, 3,5%". Mas de acordo com notas oficiais do próprio Ministério da Educação, tudo indica que o ministro tenha errado no exemplo apresentado com chocolates. 

Programação

Nesta segunda-feira (13), de acordo com Ana Carolina Galvão, da Comissão de Mobilização do Ato, estudantes e professores já estão mobilizados em divulgar o protesto para as comunidades acadêmicas e a sociedade. Para isso, panfletagens começam a ser realizadas na Ufes (portões e Restaurante Universitário) e nas 22 unidades do Ifes, que pretende trazer os estudantes e professores do interior para a passeata na Capital. Na terça-feira, por sua vez, uma aula pública com a professora Juliana Melim será realizada às 12h no Centro de Ciências da Saúde (CCS), campus de Maruípe. 

Na quarta-feira, das 8 às 11h, estudantes e professores vão para a Avenida Fernando Ferrari, em frente ao Campus de Goiabeiras, informar a sociedade sobre o protesto por meio de faixa que será aberta nos intervalos de fechamento do semáforo. No período da tarde, entre 14h e 16h, vão passar nas salas para que todos possam participar das atividades.
 
Nesse mesmo dia, a Mostra da Balbúrdia Universitária, entre 13h às 16h, pretende espalhar a produção realizada pela academia em pontos do campus. Às 16h30, tem início a concentração para o ato, no Ifes e na Ufes.

Assembleia Adufes

No último dia 9, professores da Ufes, por unanimidade, decidiram aderir à Greve Nacional da Educação, convocada pelas centrais sindicais contra os cortes na Educação e a reforma Previdência. 

“Estamos em estado de mobilização e vamos construir de forma ampla as ações para a paralisação do dia 15. Será um esquenta da Educação rumo à Greve Geral dos trabalhadores marcada para 14 de junho”, disse o presidente da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), José Antônio da Rocha Pinto.

O presidente da Adufes reforça que as universidades públicas e os institutos federais são responsáveis por 99% das pesquisas produzidas no Brasil. “Essas universidades também oferecem atendimentos à população em hospitais universitários, em núcleos de psicologia e de assistência jurídica”, citou, lembrando que defender a Universidade pública é garantir o acesso da população pobre aos serviços públicos gratuitos.

Ação civil pública

Para garantir que o Estado não seja atingido pelo bloqueio de 30% das verbas das universidades federais, a Assembleia Legislativa entrou na Justiça com uma ação civil pública. A medida, assinada pela Mesa Diretora e Comissão de Educação, reforça a movimentação de políticos capixabas visando suspender o corte, anunciado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. 

Além da Assembleia, presidida pelo deputado Erick Musso (PRB), o corte de verbas, que atinge também o Instituto Federal de Educação (Ifes), é alvo de protestos dos deputados federais Helder Salomão (PT), Filipe Rigoni (PSB) e Da Vitória (PPS) e dos deputados estaduais Sergio Majeski (PSB) e Iriny Lopes (PT).  

No caso de Rigoni, o projeto Acredito, movimento político do qual faz parte, também ajuizou uma ação popular pedindo a anulação do corte de 30% nos repasses às universidades e investigação para apurar a legalidade do ato. Já Da Vitória, como coordenador da bancada capixaba, anunciou que pedirá reunião com o ministro.

O reitor da Ufes, Reinaldo Centoducante, afirmou que o orçamento perde R$ 20 milhões, valor que já não consta no sistema de receita. Será afetada a área de custeio, como água, energia elétrica e segurança, principalmente, prejudicando funcionamento normal universidade e, inclusive, a segurança do campus, além de serviços de limpeza, manutenção, compra de insumos de laboratório e financiamento de estudantes. Já o Ifes informou que só tem verbas para funcionar até setembro deste ano.

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1 Comentários
  • Bruno , terça, 14 de maio de 2019

    Tem uns acéfalo(a)s que utilizam o argumento de quando era com a DILMA ninguém saiu em passeata. Onde estavam estas pessoas quando quando houve as movimentações de 2013? Onde estavam estas pessoas quando houve as greves de 2013 e 2014? Penso eu que estavam em casa em frente ao pc digitando abobrinhas contra a greve. São sempre o(a)s mesmo(a)s, e novamente ficarão só digitando besteiras em seus pcs e não irão lutar pela educação novamente!

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