Exposição de fotos registra pó preto na Praia de Camburi

"Quanto vale ou é em pó", de Zélia Siqueira, será inaugurada dia 17 na Biblioteca Central da Ufes

Foi pela Baía de Vitória que a baiana criada em Minas Gerais Zélia Siqueira decidiu vir morar em Vitória, a "cidade presépio" ou "ilha do mel", como chama. "Assim sempre a olhei  como uma amiga dela. Com admiração, mas também com espanto. Admiração pela sua rara beleza e espanto, pelo que fazem com ela". Nesse misto de admiração e espanto, a jornalista e fotógrafa criou a exposição "Quanto vale ou é em pó", com curadoria de Gilbert Chaudanne, que será inaugurada no dia 17 de junho, às 19h, na Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Estarão expostas ao menos 15 fotografias de 30cm x 45cm que registram a parte final da Praia de Camburi e seu lençol marítimo, em diversos tons: de verde, azul, marrom, e, claro, de preto, cinza e prateado do pó de minério. Foi justamente a natureza e seus jogos de cores, luzes, sombras e texturas que despertaram em Zélia a paixão pelo desenho e logo pela fotografia. Aos olhos que amam a natureza dói ver as ações violentas e inconsequentes da humanidade contra ela.

Os registro de Zélia sobre a Praia de Camburi começaram há mais de 15 anos, preocupada com as águas e o lixo sólido que ali era jogado. Mas depois de morar por quase dois anos em Jardim Camburi, pôde observar as partículas de minério que vinham pelos ares, impactando a vida dos moradores e o meio ambiente.

"Foi quando pude notar que além de invadir as residências, parte da praia de Camburi é totalmente tomada pelo pó de minério que adentra o mar. Nesse período, eu mesma sofri uma profunda crise asmática. Daí passei a fazer visitas de campo, para captação de imagens que demonstrassem a agressão ambiental causada pelo pó preto. Ciente das mudanças anunciadas pela Vale, voltei  ao local recentemente e pude constatar que a parte final da praia de Camburi, continua poluída", denuncia.

Resolveu usar seu talento com a fotografia para vizibilizar o tema, valendo-se da máxima de que uma imagem vale mais do que mil palavras. "Na contemporaneidade, a imagem ocupa uma presença forte no cotidiano das pessoas. De modo que a fotografia pode exercer um papel especial no estímulo das emoções, despertando os sentidos e reflexões acerca de questões tão prementes como as graves questões ambientais e outras. O indivíduo de nosso tempo comprovadamente, não tem interesse pela leitura, então que a fotografia o salve de seu ostracismo e estimule sua consciência acerca da gravidade do problema e provoque uma mudança comportamental", afirma.

Apesar da exposição tratar especificamente da cidade de Vitória, Zélia também lembra dos crimes ambientais ocorridos com o rompimento das barragens em Mariana e Brumadinho, tirando a vida de centenas de pessoas e devastando a natureza. "Se o minério tem um valor que sobrepõe a vida humana, quanto vale a vida?", pergunta. Daí o título da exposição, parodiando o filme "Quanto vale ou é por quilo?", que também denuncia como a vida humana e questões sociais podem ser atropeladas ou deixadas de lado em favor de interesses econômicos.

A inauguração no dia 17 contará com a performance "Yemonjá de Minério", com o artista Emmanuel 7linhas e o grupo Corpocêntrica. O local poderá ser visitado de 18 de junho até 31 de julho, de segunda a sexta de 7h às 21h e aos sábados de 7h às 13h no campus da Ufes em Goiabeiras. Como parte da proposta de inclusão social e educação ambiental, no dia 25 de julho a exposição recebe alunos surdos da Escola Especial de Educação Auditiva.

 

AGENDA CULTURAL

Exposição fotográfica "Quanto vale ou é em pó", de Zélia Siqueira

Inauguração: segunda-feira, 17 de junho

Onde: Biblioteca Central da Ufes - Campus de Goiabeiras, Avenida Fernando Ferrari, Vitória/ES

Visitação: De segunda a sexta-feira de 7h às 21h. Sábados de 7h às 13h. Entrada gratuita


 

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