Fim da bocada?

Escola Viva de São Pedro sempre foi cara. Inédito, mesmo, é mexer com os poderosos da ES em Ação

As críticas à possibilidade de fechamento da Escola Viva de São Pedro, em Vitória, unidade que deu o start ao principal projeto de marketing do ex-governador Paulo Hartung, ignoram completamente como se deu, em 2015, o processo de escolha da Faesa como sede, marcado por polêmicas e denúncias. Na época – e até hoje - um excelente negócio para o empresário da conhecida ONG Espírito Santo em Ação, Alexandre Nunes Theodoro, que deu destinação a um prédio que havia virado um “elefante branco” após a faculdade encerrar as atividades no campus, em 2012. O valor do aluguel reclamado agora pelo governo Renato Casagrande, sempre foi motivo de questionamentos: R$ 62,4 mil por mês, fora os gastos com segurança, o que faz com que a conta anual ultrapasse R$ 1,6 milhão. Na época, esses gritos foram devidamente abafados em nome da manutenção dos interesses de Hartung e de suas relações com o empresariado, que se mantiveram intactos durante todo o mandato. Nada de novo, portanto, que se questione essa conta salgada, com a diferença gritante da atual gestão propor o debate com a comunidade escolar sobre a mudança, o que nem de longe aconteceu durante a implantação das Escolas Vivas. Inédito mesmo neste caso, tratando-se de governo do Estado, é mexer com os poderosos da ES em Ação. Que comece o lobby...

Metas
Alexandre Theodoro sempre ocupou cadeiras de destaque na ES em Ação, que é parceria do projeto Escola Viva. Em julho deste ano, na posse da “nova” diretoria, prestigiada por Casagrande, a ONG firmou o “compromisso de dar continuidade ao Plano ES 2030, criar um núcleo de Educação e ampliar o número de escolas em tempo integral”.

Posto
Na composição do triênio 2019-2022, que tem como diretor-presidente  Fábio Brasileiro, ex-funcionário da Vale por mais de 30 anos, o reitor da Faesa ocupa a presidência do Conselho Deliberativo.

Lado A
A possibilidade de mudança do local proposta pelo governo foi tema de discurso do deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) na sessão da Assembleia dessa terça-feira (10), indicando picuinha política, como já havia apontado em nota o ex-secretário de Estado da Educação, Haroldo Rocha, citado nos questionamentos judiciais na época da implantação. Vandinho, pelo menos, admitiu que o aliado Hartung fechou muitas escolas sem necessidade. Pelo menos...

Lado B
O deputado foi rebatido pelo colega de plenário, Freitas (PSB), que lembrou da política desastrosa de Hartung na Educação, que acabou com 41 escolas no Estado e prejudicou mais de seis mil alunos, e afirmou que a gestão Casagrande irá abrir 40 novas escolas em tempo integral, 11 delas em janeiro de 2020. A conferir!

Cofres cheios
Depois do Tribunal de Justiça, com valores de R$ 2,5 milhões e R$ 13,5 milhões, o governo abriu crédito suplementar de R$ 6 milhões para o Ministério Público do Estado (MPES), para pagamento de...pessoal! Dinheiro também proveniente do superávit financeiro do balanço patrimonial de 2018. Depois não aguenta as reações à criação dos 307 cargos comissionados de Eder Pontes, nem o movimento dos servidores estaduais...

Comitiva
Uma reunião entre o governador e os prefeitos do PDT chamou atenção dos bastidores políticos. A pauta anunciada foi de articulação de recursos para os municípios, que sofrem de baixa arrecadação, mas, em plena articulação para 2020, sei não! Vai rolar com todos os partidos?

Comitiva II
O encontro dessa terça foi divulgado nas redes sociais pelo presidente estadual da legenda e deputado federal, Sérgio Vidigal. Também estavam por lá, trocando sorrisos largos, a prefeita de Guaçui, Vera Costa; o prefeito de Atílio Vivacqua, Josemar Machado Fernandes; o de Pancas, Dr. Sidiclei; o de Marataízes, Tininho; e o de Piúma, José Ricardo Pereira da Costa. Já o prefeito de Fundão, Pretinho Nunes, enviou representante, e o vice de Cariacica, Nilton Basílio, também compareceu.

Expectativa
O tão sonhado dinheiro dos royalties de petróleo pleiteado pelo prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), foi tema de assembleia popular nessa segunda-feira (9) no município. É que a decisão no imbróglio jurídico que já dura 14 anos com o governo do Estado, envolvendo uma bolada de R$ 167 milhões, poderá finalmente sair nesta quinta-feira (12), em julgamento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Nada mal, hein...

Longo caminho
No início do ano passado, Max comemorou o entendimento unânime do Superior Tribunal de Justiça em favor da execução do pagamento da dívida, que considera os valores retidos nos cofres estaduais durante os anos de 1999 e 2018. Mas o governo recorreu. O prefeito chegou a tentar, antes, negociação com a gestão Hartung, sem sucesso. O STF agora é o fim da linha do caso.

PENSAMENTO:
“Não são os políticos os que governam o mundo. Os lugares de poder, além de serem supranacionais, multinacionais, são invisíveis”. José Saramago

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