Fórum da Juventude Negra elabora propostas para frear extermínio no Estado

Documento, elaborado neste sábado, será entregue ao governador eleito, Renato Casagrande

Neste sábado (10), o Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) se reúne no evento “Parem de nos Matar, a Juventude Negra quer Viver”, realizado no Museu Capixaba do Negro (Mucane), Centro de Vitória. A programação, que vai de 9h às 19h, inclui debates, reuniões, oficina de escrita criativa e sarau, mas não se restringe a este dia. Os militantes estão construindo uma proposta para redução do índice de mortes da juventude negra no Estado. O documento será entregue ao governador eleito, Renato Casagrande (PSB). 

Na parte da tarde, após almoço coletivo, haverá ainda o debate “Extermínio e Encarceramento da Juventude Negra”, com os debatedores Nayara Oliveira, Deise Benedita e Lula Rocha. Às 18 horas, por fim, tem início o Sarau Fejunes. 

O Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo, de acordo com seus representantes, é fruto da aglutinação de jovens comprometidos com a transformação social e tem como objetivo organizar a juventude negra do Espírito Santo numa perspectiva autônoma, quilombola, militante, protagonista, democrática, combativa e de resistência, na luta antirracista, contra qualquer forma de opressão e pela emancipação do povo negro.

A preocupação do Fórum tem justificativa. No Espírito Santo, jovens negras e negros têm 5,5 vezes mais chances de morrer vítimas de homicídio na comparação com jovens brancos, de acordo com Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência de 2017.

No mandato do atual governador Paulo Hartung, os movimentos sociais ficaram alijados de participação, enquanto a violência contra a população periférica teve destaque no noticiário. Apenas no Morro da Piedade, berço do samba capixaba, quatro jovens foram brutalmente assassinados neste ano, gerando protestos e pedidos de abertura de diálogo com o poder público estadual, o que foi negado. 

Um exemplo disso ficou claro durante o ato realizado em memória dos jovens Damião Reis e Ruan Reis, executados cruelmente na Piedade em 25 março deste ano. Durante o protesto, realizado no dia 28 de março, que tomou as ruas do Centro de Vitória, um documento foi protocolado no Palácio da Fonte Grande, ainda sem resposta até hoje, oito meses depois.

“No documento, pedimos abertura de diálogo por meio da realização de audiências públicas com o governador Paulo Hartung e seu secretariado. Isso para construção de políticas públicas e propostas concretas para reduzir o extermínio da juventude negra, que está em curso e não cessa. Não tivemos nenhum retorno”, disse Lula Rocha, do Círculo Palmarino à época.

As entidades querem que seja construída, em diálogo com os movimentos sociais, uma nova política de segurança pública que deixe de ter como foco o confronto com objetivo midiático, que deixam como saldo mortes, incluindo o de policiais, e que criminaliza comunidades de bairros periféricos.

“Faltam investimentos em políticas voltadas para a juventude, que sejam sérias, com pessoal, orçamento e suporte técnico. O que se faz são projetos com cunho eleitoreiro, sem efetividade. Além disso, quem se propõe a fazer alguma coisa, no caso os movimentos da sociedade organizada, não recebe nenhum apoio”, critica Lula. 

PROGRAMAÇÃO
09h - Construção de proposta para diminuição do índice das mortes da juventude negra para o novo governador
12h - Almoço coletivo
13h - Oficina de Escrita Criativa
15h - Debate sobre Extermínio e Encarceramento da Juventude Negra
Mesa: NAYARA OLIVEIRA | DEISE BENEDITA | LULA ROCHA
Mediadora: ANDREIA QUITÉRIA
18h - Sarau FEJUNES


 

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4 Comentários
  • Robson Alves Damasceno , sábado, 10 de novembro de 2018

    Concordo plenamente com a reivindicação da juventude negra, pois muito embora a proteção da dignidade humana tem que ser todos os seres humanos independente da cor da Pele, raça, religião, opção sexual.... etc; é público e notório que a juventude negra de nosso Estado é exterminada a todos os instantes, o pior que assistimos tudo de camarote como fosse normal, ou melhor os jovens se matam entre se disputando pequenos pontos de tráfico de drogas, viram estatísticas e tudo bem. Porém não aceitamos com passividade quando a classe média ou alta é atingida, isso é facilmente identificável pelos noticiários da grande mídia. 1988 abolição é uma ova.

  • Robson Alves Damasceno , sábado, 10 de novembro de 2018

    Concordo com comentários de Robson Alves

  • krystalyw18 , segunda, 12 de novembro de 2018

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