Gavi lança novo clipe e prepara primeiro disco

Cantora capixaba transita entre black music e neosoul e amplia composições para além de canções de amor

Como muitos outros artistas, foi na igreja que Gavi começou a cantar ainda criança, aos 14 anos, em sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado. Logo nos bares da cidade, até ir para a capital fazer faculdade. Formada em Direito e trabalhando na área, decidiu largar a carreira e investir na paixão pela música. Hoje morando em São Paulo, a artista prepara o primeiro disco completo depois de dois EPs: Rebarba e A Conta-Gotas.

Seguindo as tendências contemporâneas, o disco vai aparecendo e ganhando corpo aos poucos, a partir de lançamentos de músicas com videoclipes pela internet. Um deles acaba de ser publicado: Água e Sal, que fala de saudades da vida e do ritmo de Vitória, perto da praia, diante da realidade de se enfrentar com a “selva de pedras” que é a capital paulista. “Uma vez por mês eu vou ao litoral de São Paulo, pelo qual sou apaixonada. Assim consigo suprir, colo um pouco no litoral e logo volto na cidade”, conta Gavi, falando sobre as saudades. Na primeira vez que foi morar em São Paulo, em 2017, custou a adaptar-se e voltou um ano depois ao Espírito Santo. 

Em 2019, mais preparada e conhecendo o ritmo da maior metrópole do Brasil, retornou a ela, onde mantém uma troca com maior número de artistas de diversos lugares do país e de vários gêneros musicais. “Não vim a passeio”, diz Gavi. Veio em busca não só de profissionalizar seu trabalho como cantora e compositora, mas também de fortalecer suas formação como produtora musical, outra paixão, que vem exercendo por enquanto num “home studio”, com o objetivo de realizar o sonho de abrir um estúdio maior e com novos equipamentos em que possa produzir também diversos outros artistas.

Em Água e Sal, Gavi realizou todo o processo, desde a composição à gravação e edição. Para o videoclipe, ao contrário dos anteriores lançamentos, em que contou com produção externa, ela usou imagens captadas de seu próprio celular e também de contribuições de amigos e fãs que enviaram seus registros, contando com apoio apenas na edição.

Aos 29 anos, a artista se prepara para a “Volta de Saturno”. “É uma época astrológica. Quando você se aproxima dos 30 anos, começam certos questionamentos sobre sua vida, propósitos, se está no caminho certo mesmo. Uma transformação interna e externa. Estou passando por esse processo e tudo isso está virando música”. 

 


Foto: Divulgação

Até julho ou agosto, parte dessa produção deve aparecer em singles com videoclipes. Depois a artista enfocará mais na produção do álbum, previsto para sair em 2021, reunindo cerca de 12 canções, entre composições antigas e novas, incluindo alguns feat, parcerias com outros artistas. Seu som passeia pela black music, com toda amplitude rítmica dessa definição, e pelo R&B e neosoul, com influências do reggae e eletrônico e abertura para outros experimentos.

“Quero fazer uma parada mais solta, até para testar o termômetro do público. Para o disco quero fazer um combo do que eu mais curti fazer, o que mais surpreendeu o público, o que ele mais gostou, o que trouxe mais seguidores. Tudo isso vai para o álbum, é um aprendizado para torná-lo mais assertivo”.

Nos últimos tempos as composições vão ampliando as temáticas. “Tenho tentado cada vez mais não escrever só sobre amor, relacionamentos. Amo escrever sobre isso, mas em Água e Sal falo sobre a conexão com a natureza, sobre as lembranças do verão, do calor e o mar. Nas próximas músicas irei falar mais explicitamente sobre o relacionamento entre duas mulheres, já que sempre falei de maneira ambígua, fazer críticas políticas e ao mercado da música, sempre com muito groove. Esse é o desafio que venho tendo há quase um ano, de achar um modo de abordar coisas não tão legais de uma maneira dançante, alto astral”, releva a artista.

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