Gestão de Paulo Hartung se sustenta nos royalties de petróleo

O governador recebeu ventos favoráveis do aumento nos preços do petróleo no mercado internacional

O aperto no bolso do cidadão provocado pelos sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis registrados neste ano representou, por outro lado, a tábua de salvação para o governador Paulo Hartung (sem partido), possibilitando que ele encerre o governo com algum investimento em obras, mesmo que devido a fatores externos à sua área de influência como gestor público. 

Com o cofre cheio, Hartung começou a investir, mas o elevado nível de despesas, a partir do mês de outubro, gerou confronto com o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), temeroso com um desequilíbrio nas contas públicas no início do governo, em 2019.  

Nessa terça-feira (13), o Tribunal de Contas do Estado (TCE) suspendeu os repasses em parcela única de convênios formalizados pelo Estado com as prefeituras, mas a questão ainda este em aberto em alguns contratos.       

Os ventos favoráveis no mercado internacional de petróleo, com aumento no preço de barril, levaram o Estado a receber cerca de R$ 600 milhões de royalties em agosto deste ano, um aumento de 19,68% em relação a 2017, abrindo boas perspectivas que reforçaram os movimentos de Hartung visando vender a imagem de gestor eficiente, respaldado por organismos políticos de centro-direita, dos quais faz parte a área midiática de influência nacional. 

Com esse reforço, ele começou  a gastar, ganhando  espaço na mídia, como exemplo de gestor que deve ser seguido, apesar de não ter conseguido se manter no poder no seu Estado. Desistiu da reeleição para um quarto mandato e deixou aliados históricos à deriva, entre eles, o vice-governador César Colnago (PSDB),  o deputado federal Lelo Coimbra (MDB) e o senador Ricardo Ferraço (PSDB), derrotados nas eleições de outubro.     

Ao contrário do que ocorreu nos três primeiros anos do seu terceiro e último mandato, marcado pela estagnação econômica e repetidas crises do funcionalismo público, como a greve da Polícia Militar, o crescente nível de violência e o arrocho salarial, os ventos favoráveis no mercado internacional de petróleo começaram a soprar em favor do Espírito Santo e do governo.  

Esse cenário é decorrente da conjuntura internacional, sem considerar a economia interna do Estado, que registrou no mesmo período redução no recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e aumento das desonerações e renúncias fiscais, com o agravante de falta de transparência em relação às empresas favorecidas e os valores envolvidos nas operações. Essa postura tem sido alvo de protestos de entidades civis e também de pronunciamentos de deputados na Assembleia Legislativa.   

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