Gilson Soares apresenta a coletânea de poemas '55'

Com curadoria conjunta de Reinaldo Santos Neves, obra será lançada quarta-feira na Biblioteca Pública

Poeta nascido em Ecoporanga e radicado em Vila Velha, Gilson Soares lança nesta quarta-feira (13) o livro 55, na Biblioteca Pública Estadual, Praia do Suá, Vitória.

Embora os números 5 e 55 apareçam diversas vezes na vida e carreira de Gilson (que, por exemplo, nasceu no ano 55 do século 20, mesmo ano em que Ecoporanga se emancipou), a razão do título do novo livro não é outra senão o número de poesias selecionadas para compor a obra, feita a quatro mãos com Reinaldo Santos Neves.

Estão incluídos versos dos livros Rosa-dos-ventos (1985), Canção da meia-idade (1997) e Minério (2014). Por considerar uma obra muito recente, o autor não incluiu Poesia de bolso: pequenos poemas pedestres (2017).

A trilogia condensada em 55 traz um resumo da trajetória de vida e literatura de Gilson. "É uma satisfação muito grande. Não é muito comum a poetas menores fazer seleção de escritos", diz lembrando Manuel Bandeira, que se autodefiniu como poeta menor. "No caso dele foi humildade, no meu é realidade mesmo", ri.

Vindo de Ecoporanga adolescente, começou a escrever ainda jovem, mas logo largou. Rosa-dos-ventos é o livro de sua juventude. Os poemas foram escritos em quase sua totalidade entre os 16 e 20 anos de idade. "Fiquei uns 10 anos sem escrever e esses poemas ficaram guardados na gaveta. Aos 30 anos escrevi um poema muito emocionado, chorando, e reacendeu em mim aquela coisa de escrever. Retomei alguns poemas e escrevi outros poucos para publicar o primeiro livro".

O segundo livro já é bastante autodescritivo: Canção da meia-idade reflete o sentir e pensar de um homem de meia idade. Foi publicado quando o escritor tinha 42 anos, trabalhava num banco e estava envolvido com movimentos políticos e sindicais.

Minério foi escrito quando Gilson já estava à beira de fazer 60 anos, idade em que já recebe oficialmente, por vezes, o incômodo título de "idoso", que tenta ser amenizado por eufemismos como "melhor idade". É considerado por ele como uma obra que fecha um ciclo de sua vida e sua literatura. "Acho que progredi em termos de confecção, de feitura literária, e Minério demonstra um pouco disso. O resultado dessa evolução literária dá pra ler em 55, onde está o melhor do que eu fiz em literatura, não é a fina flor da literatura, mas do que eu faço é o melhor", diz lembrando do olhar crítico trazido por Reinaldo na curadoria.

O fechamento de ciclo não significa, porém, reclusão ou inatividade. Muito pelo contrário. Depois de Minério, optou não por ficar estático, mas por mover-se. Montou na bicicleta em viagens pelo Espírito Santo e depois transcendeu as divisas humanas para buscar fronteiras naturais. Percorreu pedalando toda extensão do Rio Doce em 2016 e depois o Rio São Francisco em 2017, da nascente à foz.

Foi entre viagens que escreveu Poesia de bolso: pequenos poemas pedestres, com um novo estilo marcado pela síntese. Os percursos, impressões, relatos e histórias desses pedalares estão sendo registrados em forma de crônicas, que Gilson Soares deve começar a publicar no blog Com a magrela na estrada. “Esse ano pretendo não viajar e me dedicar a essas crônicas de viagens que fiz, para em 2020 fazer uma viagem bem mais longa”, conta mantendo o mistério sobre o futuro destino.

AGENDA CULTURAL

Lançamento “55”, de Gilson Soares

Quando: Quarta-feira (13/02), às 19h

Onde: Biblioteca Pública do Espírito Santo - Avenida João Batista Parra, 165, Enseada do Suá- Vitória/ES

*O livro estará à venda na ocasião por R$ 20.

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