Governo reserva leitos e faz decreto de emergência para combater coronavírus

Secretário Nésio Fernandes descartou restrições drásticas no momento, mas quadro será avaliao a cada dia

Em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (13) no Palácio Anchieta, o governo do Estado buscou tranquilizar os capixabas sobre a epidemia de coronavírus que se alastra pelo mundo. Foi descartada no momento a necessidade de grandes desmobilizações e medidas mais drásticas como cancelamento de grandes eventos, restrições a entrada de pessoas ou implementação de teletrabalho, embora o governo tenha deixado claro que novas medidas podem ser tomadas a cada dia, de acordo com o avanço da pandemia no Espírito Santo.

O governador Renato Casagrande afirmou que medidas já estão sendo tomadas desde janeiro e que um decreto de emergência em saúde pública será publicado na próxima segunda-feira (16), juntamente com o estabelecimento de uma Sala de Situação de Emergência para trabalho permanente sob comando da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e participação das secretarias de governo de Assistência Social, Educação e Justiça, dando atenção especial para grupos de risco, escolas e sistema prisional, além da Procuradoria de Estado para dar respaldo jurídico às decisões.

O decreto vai permitir que o governo tome medidas emergenciais como estabelecimento de isolamento e quarentena, realização de exames médicos, testes laboratoriais, coletas e amostras clínicas, vacinação e outras medidas profiláticas, tratamentos médicos específicos, estudos e investigações epidemiológicas, exumação, necrópsia e manejo de cadáveres, campanhas de comunicação para utilidade pública, requisição de bens, serviços e pessoal. Além disso, vai permitir a requisição de leitos em hospitais de entidades filantrópicas e privadas para uso no enfrentamento ao coronavírus.

O governo informou também que está trabalhando na reserva de leitos públicos para preparar para a expansão de casos do vírus. De início, estão separados 24 leitos intensivos e semi-intensivos no Hospital Jayme Santos Neves, 36 leitos de UTI no Hospital Dório Silva, onde estão sendo realizadas obras para mais 14 leitos de isolamento e 12 semi-intensivos, sendo ambos hospitais no município da Serra. 

O Hospital dos Ferroviários, em Vila Velha, terá entre 15 a 30 leitos isolados e o Hospital Estadual de Atenção Clínica (Heac), em Cariacica, ampliará 40 leitos para outras necessidades do sistema de saúde que não o coronavírus, servindo de retaguarda para os outros hospitais. No interior do Estado, os espaços de referência para tratamento serão a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, o Hospital Roberto Silvares em São Mateus e o Hospital Silvio Avidos em Colatina.

Até agora foram confirmados dois casos no Estado, sendo que um já saiu da quarentena e outro foi para São Paulo, onde reside. Segundo o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, o comportamento do vírus no Brasil tem sido mais brando do que em outros países como a China, mas apenas um teve internação em UTI e nenhuma morte confirmada.

"No coronavírus nós não temos o paciente do meio. Ou temos paciente complicado que exige isolamento de UTI ou paciente leve que vai ficar em isolamento domiciliar", disse Nésio, considerando que 85% dos infectados não apresentam complicações. 

A expectativa, porém, é que a situação fique mais complexa com o tempo, quando tenha início a transmissão comunitária do vírus, deixando de ser restrita aos viajantes. Ele considerou que antecipar a tomada de medidas drásticas restritivas neste momento seria "desproporcional e ineficaz". De acordo com o secretário, a medida acertada implica não se precipitar, não colocar a população em risco nem fazer gastos públicos desnecessários. 

Renato Casagrande reforçou que novas medidas poderão ser tomadas a cada dia, considerando que o decreto que será publicado permitirá ações mais ágeis do governo. Destacou que as campanhas de prevenção seguirão sendo divulgadas nos meios de comunicação e recomendou a pessoas nos grupos de risco que evitem aglomerações, visitas e contatos, afirmando que é preciso "toda cautela do mundo para que se possa evitar o risco de transmissão do vírus".

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