Grande Vitória sem ônibus: rodoviários radicalizam greve nesta terça-feira

Terminais vazios, pontos lotados e trânsito caótico. Mais uma audiência será realizada no TRT 

No segundo dia de greve do transporte coletivo, nesta terça-feira (4), a região metropolitana da Grande Vitória amanheceu praticamente sem ônibus circulando e com os terminais vazios. A categoria dos rodoviários decidiu por radicalizar o movimento, desrespeitando legislações que exigem, no mínimo, 30% da frota rodando por se tratar de um serviço essencial. Além disso, as empresas de ônibus, por meio de liminar, conseguiram subir esse percentual para 70% nos horários de pico (manhã e tarde) e 50% nos demais períodos do dia, o que, por consequência, também não foi acatado.

Diante do fato, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu antecipar para as 13h30 desta terça-feira (4) a reunião de conciliação entre rodoviários e representantes das empresas de ônibus (GVBus e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Espírito Santo - Setpes), que, por sua vez, já entraram com um pedido de dissídio coletivo no mesmo Tribunal. A Procuradoria-Geral do Estado também já se pronunciou dizendo que irá pedir a ilegalidade da greve e aumento de R$ 200 para R$ 500 mil por dia a multa por descumprimento da frota mínima que deveria estar circulando nas ruas. Cerca de 650 mil pessoas dependem diariamente do transporte público na região.

A greve dos trabalhadores do transporte coletivo da Grande Vitória começou na madrugada dessa segunda-feira (3). Não houve acordo entre os representantes de motoristas e cobradores, por meio do Sindicato dos Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviários-ES), e os empresários do setor. Uma reunião realizada às 13h30 dessa segunda-feira, com cerca de 10 minutos de duração, também foi encerrada sem entendimento entre as partes. Dessa forma, a paralisação continuou sem previsão de término. Nesta terça-feira, os terminais de integração do Sistema Transcol, como Carapina, na Serra; e São Torquato, em Vila Velha, estavam vazios, com viaturas da PM estacionadas nas entradas.   

Sem Acordo

O movimento foi iniciado depois que empresários de ônibus não conseguiram chegar num acordo nas negociações do Acordo Coletivo 2018/2019. Os rodoviários não aceitaram uma contraposta de 3% de reajuste salarial, não-linear, ou seja, incidente apenas sobre o salário, a partir de janeiro de 2019; decisão tomada em assembleia nesse último domingo (2). Também já havia sido reprovada uma primeira proposta de 2%, o que deflagrou o movimento no último dia 27.

A queda de braço continua, pois os trabalhadores, de acordo com o presidente do Sindirodoviários-ES, José Carlos Sales Cardoso, reivindicam 4% de reajuste para repor as perdas inflacionárias do período que compreende os últimos 12 meses. Além disso, que esse percentual seja linear, ou seja, que incida também sobre o plano de saúde, o auxílio-alimentação e o seguro de vida, retroativo a 1º de novembro, que é a data-base da categoria. Motoristas e cobradores pleiteiam também ganho real, que significa algo além das perdas inflacionárias.  

Na reunião do início da tarde dessa segunda, os empresários avançaram apenas para que o reajuste de 3% oferecido pelas entidades patronais seja também incluído sobre o tíquete-alimentação e o plano de saúde. As demais pautas foram ignoradas. Os rodoviários também pleiteiam, por exemplo, o fim da modalidade de contratação em jornada de trabalho reduzida, o que ficou conhecido como “motoristas de baixa renda”.

Movimento anual

No final do ano passado, os motoristas e cobradores também cruzaram os braços por 15 dias, em movimento iniciado logo após o Natal. Eles lutavam por reajuste de 5% nos salários, reajuste do vale-refeição e a gratuidade do plano de saúde. As empresas não concordam com o reajuste e oferecem 1,83%. A negociação foi intermediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES), chegando ao índice de 3%. 

Poucos dias depois de encerrada a greve, porém, os empresários do transporte coletivo conseguiram um aumento de 6,25% no preço das passagens dos ônibus do Transcol. Conseguiram repassar para o bolso dos usuários o dobro do que os motoristas e cobradores tiveram de aumento salarial.
 
 

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