Grupo Suspeitos na Mira lança videoclipe com críticas à repressão policial

Em formato vertical, clipe de “Ipanema Parati” quer atender linguagem dos celulares mas mantém rap raiz

Três minutos e trinta e quatro segundos de rap com cenas fortes de repressão e tortura policial. Assim é o videoclipe de Ipanema Parati, música composta pelo grupo Suspeitos na Mira nos anos 90 que foi remixada e também ganhou vídeo feito pela Karatapa Films.

Filmado na Casa da Barão, espaço cultural no Centro de Vitória, além de conter algumas cenas externas e imagens de arquivo de ações policiais, o vídeo foi feito em formato vertical, de olho nas novas linguagens que dialoguem com o formato de aparelhos celulares, que se tornaram a principal forma de acesso à internet.

“Estamos num momento muito sério de mortes, assassinatos que estão acontecendo. O Estado ao invés de proteger, mata, muitas vezes a ermo, escolhendo a pessoa pela cor”, questiona o rapper Édson Sagaz, um dos integrantes do grupo. “A abordagem continua sendo a mesma, os policiais são grosseiros com as pessoas na hora de abordar quem julgam que são suspeitos ou meliantes”.

Ele vê paralelo com a época em que a canção foi escrita. “A música registra um período da década de 90 que foi muito violento no Espírito Santo. Também havia grupos de extermínio, quando passava uma viatura da política causava um rebuliço na malocada, havia um constrangimento quando se via um carro com adesivo da Scuderie Le Cocq, era um emblema muito sinistro”, relembra, referindo-se às milícias e grupos de extermínio que têm atuado atualmente no Rio de Janeiro. Ipanema e Parati, que dão nome ao tema, são o nome das viaturas mais utilizadas na época.

A canção foi uma das primeira levadas ao palco pelo Suspeitos na Mira, um dos primeiros grupos de rap do Espírito Santo. “A abordagem do rap tem sido muito festiva, a gente resolveu tentar dar um choque de realidade na galera, porque nada mudou e estamos numa caminhada retrógrada na conjuntura nacional atual”, disse Sagaz.

É esse espírito combativo e crítico, calcado na realidade das periferias capixabas, que o grupo pretende levar para o palco no próximo sábado (9), quando se apresenta no Correria Music Bar, em Vila Velha, junto com Eduardo, ex-integrante do Facção Central e um dos maiores nomes do rap nacional, e Alex Emissário.

Depois de relançar o disco Perigo Iminente, com versão remixada, o Suspeitos na Mira está trabalhando na produção de um novo disco inédito, cujo nome ainda é mantido em sigilo, com expectativa de ser lançado ainda este ano.

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