Guerra declarada

Esmeraldo entra em campo após exoneração de Sérgio Sá, que segue com críticas: ''mentiras e ingratidão''

O vice-prefeito de Vitória, Sérgio Sá (PSB), exonerado na última sexta-feira (31) por Luciano Rezende (Cidadania) do cargo que acumulava de secretário de Obras, exatamente um dia após anunciar pré-candidatura a prefeito na disputa deste ano, segue com suas postagens críticas nas redes sociais. Depois do vídeo em que aponta motivações políticas no ato, publicou uma foto ao lado dos filhos com a seguinte frase: “Família base de tudo, fundamental neste período de mentiras e ingratidão”. Já na sessão de reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, na tarde desta segunda-feira (3), também entrou em campo o pai de Sérgio, deputado estadual José Esmeraldo (MDB). Não citou nomes – e nem precisava -, mas avisou que “as perseguições já começaram”, referindo-se ao ano eleitoral, e que vai “jogar areia na farofa de muito pilantra”. Prefeito, segundo ele, “tem que ser honesto, não pode ser faz-de-conta”. Enquanto isso, fingindo ignorar completamente o clima de acirramento, lideranças do PSB e do Cidadania insistem em vender para fora a ideia de que não há abalos na aliança entre as duas legendas e que a medida de Luciano Rezende foi “normal”. Faltou combinar com Sérgio Sá.

Pulga atrás da orelha
Por falar em PSB, o deputado estadual Sergio Majeski, como esperado, também assinou seu nome no livro de pré-candidaturas nesta segunda, último dia do prazo estabelecido pelo partido. Mas não sem questionar o trâmite que definiu a realização de uma consulta prévia para o próximo dia 17.

Pulga atrás da orelha II
Com mandato independente na Assembleia, o que inclui criticar o próprio governo Renato Casagrande se assim entender necessário, Majeski quer ter clareza da real intenção do PSB, que para ele deflaga o processo interno com bastante antecedência. Apesar de campeão de votos em 2018 e com nome aceito no eleitorado da Capital, não é novidade que Majeski esbarra em muitas resistências internas. Agora é aguardar os próximos capítulos...

Casamento
Por essas e outras, também, o deputado não deixa de fazer movimentos paralelos para se garantir na disputa. Na última sexta Majeski voltou a se reunir com o vereador Roberto Martins (PTB), que constrói candidatura pela Rede, e também com o senador Fabiano Contarato. A Rede reafirmou o convite ao deputado e trabalha até aqui com essas duas possibilidades. A prioridade, no entanto, é Majeski conseguir sair do PSB sem ter o mandato ameaçado, para compor com Martins na vice. 

Ruídos
As ausências do presidente do Tribunal de Justiça, Ronaldo Gonçalves de Souza, e do procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, na sessão de instalação dos trabalhos da Assembleia foi de fato intrigante. Não me recordo de algo parecido nos últimos anos. A “deselegância” acabou gerando fortes críticas do deputado Enivaldo dos Anjos (PSD).

Ruídos II
No caso do desembargador, mais ainda. Na última semana, ele se reuniu com o presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), numa “visita de cordialidade”, e até presente ganhou. Os dois saíram do encontro trocando elogios rasgados. 

Ruídos III
Nesses casos, as autoridades sempre costumam enviar representantes, como inclusive fizeram o governo e o Tribunal de Contas, mas não Ronaldo e Eder. Interessante é que o MPES e o Tribunal não esbarram em qualquer dificuldade ao pedir a aprovação de projetos de seus interesses. A conferir!

Bom negócio?
Voltando a Erick, ele gravou vídeo ao lado do ex-senador Magno Malta (PL), mas como figurante. Enquanto Magno fazia discurso em favor de Regina Duarte, que assumiu a secretaria de Cultura no governo federal, o papel de Erick era olhar pra ele e sorrir. Falou praticamente nada – “com certeza” e “seja bem-vinda” - e terminou com um “joinha”.

Bom negócio II?
Apesar da cena, todo mundo sabe que essa não foi a pauta do encontro de Magno e Erick na última sexta-feira (31). Cardápio 2020 na mesa. 

Pressão
Capitão Assumção (PSL) retornou à Assembleia repetindo suas cobranças ao governador. O tema, óbvio, foi a situação da tropa da Polícia Militar, que ele diz ser de “penúria”. Nas redes sociais, mesmo tom: “Casagrande está pagando para ver. A última vez que um governador [Paulo Hartung] fez isso, o Espírito Santo sangrou. Isso se chama irresponsabilidade. A tropa não aguenta mais!”.

PENSAMENTO:
“Agravo vulgar à política é confundi-la com a astúcia”. Baltasar Gracián y Morales

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