Haddad conclama o povo a testar sua força contra o desmonte do Brasil

Ato em frente à Ufes reuniu milhares de pessoas na segunda etapa nacional da Caravana Lula Livre

O desmonte do Estado brasileiro, com ênfase na desconstrução do sistema educacional público, foi o ponto marcante das declarações do ex-candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, em sua passagem por Vitória nesta quinta-feira (9). Ele participou de uma coletiva de imprensa e, à noite, da concentração da segunda etapa nacional da Caravana Lula livre, no espaço em frente ao Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

“Eu nunca ouvi Jair [Bolsonaro] falar sobre emprego, projetos educacionais ou como fazer chegar medicamento às pessoas que mais precisam. Nunca ouvi uma fala propositiva”, criticou Haddad, conclamando o povo a manter a resistência frente aos retrocessos: “Testem a força de vocês, vocês não vão se arrepender de lutar pelo Brasil”.

Em um carro de som posicionado na Avenida Fernando Ferrari, com a frente voltada para o campus, milhares de pessoas se aglomeraram para participar da Caravana, que percorre, desta vez, o Sudeste do Brasil. Além de promover a defesa do ex-presidente, ao denunciar a prisão de Lula, a nova fase a mobilização propõe o debate sobre o desmonte promovido pelo atual governo na educação e na reforma da Previdência.

O ato ocorre logo após o presidente Jair Bolsonaro anunciar cortes em verbas de universidades que chegam a 52% do orçamento em algumas instituições. Na maioria dos casos, o dinheiro que resta não é suficiente sequer para cumprir o calendário letivo de 2019. Bolsas de mestrado e doutorado estão suspensas em todo país. 

Ministro da Educação nos governos de Lula e Dilma, Haddad ressaltou o legado dos governos petistas lembrando que, de 2013 a 2016, o Brasil dobrou o número de vagas nas universidades federais e expandiu o número de Institutos Federais de 140 para mais de 300. Segundo ele, só no Espírito Santo, eram cinco Ifes e hoje são 22.

“Nós temos que ter o compromisso de impor a primeira grande derrota do governo Bolsonaro. Ele vai ter que devolver cada centavo tirado da Educação. E, se demorar, devolver com juros e correção monetária”, declarou.

Haddad também destacou a importância do ensino tanto para o desenvolvimento pessoal de cada estudante como para o futuro do país. “Nas universidades, há o sonho individual, mas também o sonho de construir um novo Brasil. Sem racismo, desigualdade, miséria, misoginia”. Para ele, o “governo Bolsonaro, a direita, não admite que as pessoas pensem, que tomem decisões com a própria cabeça”. 

O ex-presidenciável condenou o caráter político e arbitrário de atos do governo, detendo-se em criticar a “prisão injusta do ex-presidente Lula, a tentativa de acabar com a aposentadoria do povo brasileiro, assim como o desmonte do patrimônio público, a entrega do patrimônio nacional ao capital internacional”.

O ato público teve a presença de representantes dos partidos progressistas, como o PCdoB e o Psol, e de membros do PT, o deputado federal Helder Salomão, a deputada estadual Iriny Lopes e os dirigentes locais da sigla, João Coser e Perly Cipriano, além de representantes de sindicatos e movimentos sociais.  

Também participaram estudantes e professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal do Estado (Ifes), que no próximo dia 15 prometem tomar as ruas da Capital num grande protesto contra os cortes na Educação. No mesmo dia, está deflagrado a greve nacional dos professores da educação pública. 

Nesta sexta-feira (10), a Caravana Lula Livre vai ao Rio de Janeiro e depois a São Bernardo do Campo, em São Paulo, berço da carreira política do ex-presidente Lula.

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