Hoje sim, amanhã não sei

Protestos, carta de Bolsonaro, Coaf na Economia: e agora, qual parlamentar do Estado vai pra forca?

As manifestações desse domingo (26) pró-Bolsonaro deram um recado à classe política: a decisão da Câmara dos Deputados da semana passada foi rejeitada pela população e o Senado teria que devolver o Conselho das Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Justiça, como defendiam Sergio Moro e o presidente Jair Bolsonaro. Os únicos deputados capixabas entre os 10 da bancada que votaram contra essa proposta, passando o Conselho para a pasta de Economia, foram, inclusive, “apedrejados”: Amaro Neto (PRB) e Helder Salomão (PT). Mas, depois de exaltar a pauta dos protestos, entre elas “Coaf com Moro”, Bolsonaro mudou de ideia. Alegando falta de tempo para a matéria retornar à Câmara, logo na segunda (27) passou a defender a manutenção da votação anterior, a ponto de enviar uma carta ao Senado, lida em plenário na noite desta terça-feira (28), na longa e polêmica sessão que debateu a Medida Provisória (MP 870) que reorganizou a administração do governo federal com a aglutinação de ministérios e a mudança de algumas de suas atribuições. Após muita discussão e manobras, a votação do texto-base da MP, conforme enviado pela Câmara, foi aprovado por 70 a 4. Os três senadores do Estado, Rose de Freitas (Pode), Fabiano Contarato (Rede) e Marcos Do Val (PPS), ficaram do lado do pleito da carta de Bolsonaro. Já o trecho sobre o Conselho foi destacado para votação à parte e rejeitado por 29 senadores, incluindo os três do Espírito Santo, que votaram "sim" pela transferência do Coaf para o Ministério da Justiça, sendo derrotados em plenário, que atendeu ao pedido do presidente. Com essa confusão de posicionamento, nem mesmo os usuários das redes sociais, campo forte do eleitorado do governo, têm se entendido sobre definir os parlamentares “heróis” e “vilões” dessa história. Afinal, a forca da semana passada está mantida? E, agora, quem mais vira alvo?

Nada adiantou
Horas antes do início da votação, Contarato já havia se posicionado em consonância com o apelo popular (pelo menos até domingo). Ele recebeu do Mude, movimento apartidário contra a corrupção, um documento com mais de 250 mil assinaturas pela manutenção do Conselho nas mãos de Moro, além de ter gravado vídeo no mesmo sentido. Já Do Val, em outro vídeo, primeiro pediu apoio dos usuários das redes diante da mudança de posição de Bolsonaro e, depois, leu uma troca de mensagem com Moro pelo WhatsApp, em que defendia manter a decisão da Câmara.

Cutucou a onça
Só mesmo a eterna guerra política de Itapemirim (sul do Estado) para fazer o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM) voltar à tribuna do plenário da Assembleia Legislativa, depois de um longo e tenebroso inverno. Acusado de tramar contra o prefeito Thiago Peçanha (PSDB), ele reagiu nesta terça-feira (28) à “quadrilha do município” e quer levar um vereador da CPI que afastou o tucano para falar sobre a investigação na Casa.

Silêncio
O time de deputados que havia feito discursos em sentido contrário no dia anterior, puxado por Euclério Sampaio (sem partido), não ousou rebater Ferração. Euclério chegou a dizer na ocasião, inclusive, que por trás dos vereadores da CPI há uma organização criminosa que os financia e uma indústria de denúncias falsas. No mesmo dia, Peçanha acusou Theodorico, ligando a estratégia ao interesse de sua mulher, deputada federal Norma Auyb (DEM), de chegar à prefeitura em 2020.

Silêncio II
Na sequência de Euclério, vieram Alexandre Xambinho (Rede), Marcos Mansur (PSDB), Fabrício Gandini (PPS) e Rafael Favatto (Patri). Todos apoiaram o discurso e aproveitaram para sugerir movimentações semelhantes de câmaras de vereadores em seus redutos eleitorais.

Entrelinhas
Por falar em Norma, ela publicou nesta terça em suas redes sociais foto ao lado do presidente Jair Bolsonaro, descrevendo a lenda da renovação da águia, para falar de motivação, perseverança e “voo alto”. 

Tudo igual
A cobrança pela recomposição salarial dos servidores públicos virou o calo no sapato semanal de Renato Casagrande. O Sindipúblicos, entidade representativa da categoria, voltou a cobrar: atual gestão chega ao sexto mês e o governador continua a se esquivar do seu compromisso de campanha, direito garantido na Constituição. Desta forma, compara o sindicato, repete a política – e o não diálogo - de Hartung.

Tudo igual II
O Sindipúblicos se refere, agora, a dados do Índice de Atividade Econômica (IBCR) divulgados nessa segunda-feira (27) pelo Banco Central, que colocam a economia do Estado em ritmo de crescimento acima do mercado nacional – 2% contra 0,23%. Os números, para a entidade, são mais um exemplo de que é possível conceder reajuste, pelo menos, no índice da inflação do último período, como fizeram prefeituras da Grande Vitória.

Coro
O tema, aliás, já foi “comprado” pelo deputado estadual Capitão Assumção (PSL), que reforçou na sessão desta terça-feira (28) da Assembleia o pleito que fez numa indicação ao governo do Estado, pedindo recomposição salarial a todos os servidores do Estado.

Enquanto isso...
Até o secretário especial da Casa Civil do governo Bolsonaro, Carlos Manato (PSL), anunciou nessa segunda, como presidente deliberativo do Sebrae-ES, concessão de reajuste de 4,58% sobre o salário e os auxílios educação e alimentação aos funcionários da instituição. O ex-deputado federal, que chegou ao cargo em disputa de virada e prometendo cortar todos os gastos, é esperto que só.

Teste?
Mal das pernas e sem um projeto de sucessão definido para 2020, o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), tem circulado pelos bairros do município com o projeto “Prefeitura da Serra Perto de Você”. Não só ele, mas todos os secretários percorrem as ruas para o contato com os moradores. Audifax já tentou tirar de dentro da sua equipe um nome para chamar de seu na disputa, mas, tá difícil, viu?

PENSAMENTO:
“O universo é uma harmonia de contrários”. Pitágoras

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