IGH reduz equipe de técnicos e prejudica atendimento no Himaba

O Himaba conta agora com seis técnicos de imobilização para atender quatro setores

O Instituto de Gestão e Humanização (IGH), organização social para a qual foi entregue o Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba), reduziu o número de técnicos em imobilização e, mais uma vez, tomou uma decisão que prejudica o atendimento aos pacientes, além de piorar ainda mais as condições de trabalho no hospital.

Com a medida, o Himaba conta agora com apenas seis técnicos para atender crianças de quatro setores (pronto socorro, enfermaria, centro cirúrgico e ambulatório). “Da atual equipe, metade é de recém-formados. Outro problema ocorrido esta semana é que um técnico sofreu um acidente e precisou faltar, então o trabalhador que estava no hospital precisou dobrar o plantão, para que o atendimento já precário não fosse interrompido. A situação é muito grave e nosso Jurídico orientou o servidor a procurar a polícia e registrar boletim de ocorrência”, explica Cynara Azevedo, da Secretaria de Condições de Trabalho do Sindsaúde-ES.

A liderança sindical cita ainda que cinco técnicos de imobilização que atuavam no Himaba foram colocados à disposição pelo IGH, sendo transferidos para o Hospital Estadual de Vila Velha (antigo Hospital Ferroviário). “Estes profissionais têm especialidade em atendimento a pacientes infantis, para atender casos de PTC (pé torto congênito), por exemplo, e foram transferidos para um hospital que recebe adultos. O planejamento incorreto e a falta de gestão deixou este setor do Himaba com um número insuficiente de trabalhadores”, acrescenta.

Os servidores transferidos que quiserem retornar podem procurar o Sindsaúde-ES para que sejam adotadas as medidas jurídicas cabíveis. “Vamos encaminhar denúncia também aos órgãos competentes”, conclui Cynara.

Paralisação da ortopedia

No mês passado, os pacientes que buscaram atendimento de ortopedia no Himaba foram surpreendidos pela paralisação dos médicos que integram a cooperativa de ortopedia. “A informação que temos é de que a cooperativa não teria recebido o pagamento, por isso, interrompeu os serviços na unidade. A paralisação começou às 7h e não há prazo para o retorno dos trabalhos”, explicou à época o diretor de Comunicação do Sindsaúde-ES, Valdecir Nascimento, que completou: “desde a entrega do Hospital Infantil de Vila Velha para a organização social Instituto de Gestão e Humanização, feita pelo governo Paulo Hartung, a população tem sido prejudicada e enfrentado problemas graves como esse”.

Com a paralisação dos ortopedistas do Himaba, as crianças que chegavam ao Pronto-Socorro da unidade e necessitavam de avaliação da especialidade foram encaminhadas ao Hospital Infantil de Vitória, o que causou uma série de transtornos para as famílias dos pacientes.  

Série de denúncias

Em 17 de maio deste ano, um relatório com dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) ao qual Século Diário teve acesso chocou os capixabas. O documento indicou que, no período de seis de outubro até 22 de dezembro de 2017, quase 30 recém-nascidos morreram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Himaba.

De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, indicado por próprios trabalhadores da unidade no relatório, boa parte por infecção generalizada.
  
Além disso, outras denúncias estão vieram à tona. Informações repassadas por fonte com trânsito dentro do hospital indicam que o IGH, Organização Social da Bahia contratada pelo governo do Espírito Santo para administrar a unidade desde setembro do ano passado, não tem quitado dívida com fornecedores, sucateado o corpo clínico, além de ter repasses retidos por apresentar relatórios de prestação de contas inconsistentes.

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