Indicação ao Tribunal de Contas gera confronto entre Erick e Casagrande

Erick Musso não abre mão de indicar Marcelo Santos, enquanto governador articula em favor de Ciciliotti

Durou apenas pouco mais de quatro meses, de novembro de 2018 até o início de fevereiro desse ano, o alinhamento entre o governador Renato Casagrande (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB). Os dois estão afastados ao extremo desde o início deste mês, por conta da indicação do próximo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

As articulações do governador em favor do presidente do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, embora negadas por interlocutores de Casagrande e pelo próprio governador, estremeceram as bases de sustentação desse alinhamento. Enquanto o governo insiste em Luiz Carlos Ciciliotti, presidente do PSB, Erick Musso mantém o nome do deputado Marcelo Santos (PDT), o principal articulador para sua reeleição ao cargo.  

A aproximação entre Casagrande e Erick foi iniciada com o acolhimento pelo presidente da Assembleia da solicitação do governo de adiar a votação da Lei Orçamentária para janeiro de 2019. Esse gesto possibilitou ao governo refazer o orçamento elaborado pelo então governado Paulo Hartung, reduzindo-o de R$ 18,2 bilhões para R$ 17,7 bilhões. 

Nesse contexto, o governo pôde ter mais tranqüilidade para iniciar a gestão, selando uma parceria que poderia ser duradoura, caso o grupo do presidente da Assembleia aceitasse a submissão ao Palácio Anchieta. No entanto, isso não ocorreu. 

A recondução pra um segundo mandato na Presidência do legislativo estadual dá vida própria a Erick Musso, com capacidade de articulação mais abrangente, por meio do apoio de parte dos parlamentares reeleitos e, principalmente, os chamados novatos, em primeiro mandato. 

A exceção fica com os quatro integrantes do PSL, afastados depois que Erick manobrou para manter Marcelo Santos na primeira vice-presidência da Casa, preterindo Torino Marques. Ocorre que, segundo registra o mercado político, antes de qualquer acerto, esse cargo já estava garantido para o próprio Marcelo Santos, até ele ser indicado ao TCE. 

A vaga de conselheiro no Tribunal de Contas deve ser aberta nos próximos dias, depois de formalizada a aposentadoria de Valci Ferreira, que se encontra preso por corrupção. Desde o ano passado, o nome de Marcelo Santos (PDT) vem sendo apontado como o favorito ao cargo, seguido do também deputado Dary Pagung (PRP). 

A indicação para conselheiro do Tribunal de Contas cabe à Assembleia. Tradicionalmente, o governo do Estado lidera as articulações, mas neste ano o cenário poderá mudar, já que os deputados garantem, desde o ano passado, não abrir mão do protagonismo.

Nos meios políticos, a articulação do governo com deputados toma mais corpo nesta semana, quando o governador começa a receber parlamentares para tratar do assunto, embora fontes palacianas afirmem que a indicação  é assunto da Assembleia. 

Do lado de Erick, porém, o nome de Marcelo Santos é mantido, gerando o rompimento e abrindo a possibilidade de dificuldades para Casagrande, estremecendo alianças firmadas na campanha que o elegeu, com a participação de 17 partidos. Esse grupo já se desfez. 

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