Irmão e ex-funcionário de Davi Esmael já foram selecionados por Lei Rubem Braga

Vereador Vinícius Simões apontou contradição do colega, que alega preconceito na seleção de projetos

Proponente da polêmica emenda para inserir “cultura religiosa” como uma das categorias contempladas pela Lei Rubem Braga, que fomenta projetos culturais na cidade de Vitória, o vereador Davi Esmael (PSB) já teve um irmão e um ex-funcionário, cantores gospel, contemplados pela mesma lei, que ele alega não selecionar projetos religiosos.

Em 2006, o irmão de Davi Esmael, Daniel Lucas, foi selecionado para receber R$ 18.280 por meio do fundo. Já o cantor sertanejo gospel Willian Barbosa, que trabalhou em cargos comissionados nos gabinetes do ex-deputado Esmael Almeida (PSD), pai de Davi e Daniel, e no gabinete do próprio vereador da Câmara Municipal de Vitória (CMV), foi contemplado com R$ 17 mil em 2010.

Sem citar o nome de Davi Esmael, seu colega de plenário, Vinícius Simões (PPS), levantou a questão no plenário e justificou: “Só afirmando a vossa excelência que a Lei Rubem Braga contempla a música gospel”.

Davi tentou se esquivar e respondeu de forma um pouco confusa e contraditória. “Foi muito elogiado o grupo técnico da gestão de João Coser [PT] que avaliava os projetos da Lei Rubem Braga, realmente era técnicos, que bom que houve reconhecimento disso. O excesso de tecnicismo, de incompreensão do estado laico, fez com que na gestão do Luciano (sic) não fosse tão parceira do seguimento cristão, mas a gente continua tendo que fazer essas legislações para garantir que haja a parceria e reconhecimento desse importante segmento cultural".

Sendo assim, o problema não seria resolvido selecionando bem os avaliadores dos projetos ao invés de inserindo cotas para as religiões? E a função da gestão e dos avaliadores diante de um edital é ser “parceira” de seguimentos religiosos ou avaliar com critérios técnicos e artísticos os projetos a serem contemplados?

Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Cultura (Semc) mostra que entre 2005 e 2014 foram ao menos 20 projetos gospel realizados com apoio da lei, a maioria relacionada à música e publicação de CDs.

Os números mostram que o setor evangélico não só é contemplado historicamente pela lei de fomento como é de longe a religião mais beneficiada pela mesma, com seus devidos méritos, que passaram pelo crivo artístico, e não religioso, dos jurados.

Depois de três anos sem lançamento de editais por conta da reformulação da Lei Rubem Braga, o novo formato enviado pelo prefeito Luciano Rezende (PPS) foi aprovado na última quinta-feira (21) pela CMV junto com a emenda inserida por Davi Esmael para incluir a “cultura religiosa” junto às outras 19 categorias do prêmio. O projeto e a emenda aprovados seguem de volta para o prefeito, que pode sancioná-los ou vetá-los.

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