Juiz pede desocupação da antiga Casa dos Brinquedos, abandonada há dez anos

Loja de brinquedos foi ocupada em 2018 e virou espaço de moradia e centro cultural

Era junho de 2008 quando o Ministério Público Estadual (MPES) realizou uma operação que resultou na apreensão de documentos, computadores e dinheiro e cumprimento de mandados de prisão de funcionários e donos da empresa Casa dos Brinquedos.

Os donos, Moacyr Pessi e Maria Alice Muniz Pessi, eram acusados de sonegar R$ 33 milhões e ficaram foragidos até novembro do mesmo ano, quando se entregaram e tiveram que responder por crimes de acusados de sonegação fiscal, falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A loja, que representou por muitos anos alegria para crianças, terminou com um final sombrio. Entre as sobras do espólio, a ampla sede, na Avenida Jerônimo Monteiro, uma das principais do antes pujante e hoje decadente comércio do Centro de Vitória. Passaram-se dez anos sem que nada fosse feito e o local ficou abandonado pelo herdeiro do espólio, a empresa Gulliver, produtora de brinquedos, que nunca utilizou o local.

No segundo semestre de 2018, porém, o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLN) ocupou o edifício exigindo o cumprimento de sua função social, conforme determina a Constituição Federal sobre as propriedades privadas. Encontraram muita sujeira e várias caixas de brinquedos, já fora de linha, que ficaram abandonados no local.

Hoje o prédio de três pavimentos com banheiros abriga quatro famílias, um projeto de economia solidária e um espaço para eventos no térreo, onde já aconteceram atividades como oficinas, brechó, desfile de moda, cineclube e outras intervenções artísticas.

Nas últimas semanas se intensificaram as disputas jurídicas em torno da questão. Um pedido de reintegração de posse feito pela Gulliver foi acatado pelo juiz Marcos Assef do Vale Depes, corroborando a tese de que o local serve de “escritório” para o movimento. Sobre o fato do imóvel ter sido abandonado pelo proprietário por uma década, a sentença não considera.

O MNLN deve entrar em breve com uma agravo de instrumento para pedir a suspensão da liminar, emitida dia 6 de fevereiro e mantida no dia 19 de março.

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