Justiça reconduz prefeito de Itapemirim ao cargo, mas Câmara vai recorrer

Thiago Peçanha Lopes foi afastado por supostas irregularidades em repasses financeiros na área da saúde

Os meios políticos do município de Itapemirim, sul do Estado, entraram em clima de apreensão na manhã desta segunda-feira (27), depois que o juiz Leonardo Augusto de Oliveira Rangel tornou sem efeito o afastamento do prefeito interino Thiago Peçanha Lopes (PSDB) anunciado sexta-feira passada pela Câmara de Vereadores. 

O prefeito é investigado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostas fraudes cometidas no repasse de verbas para o Consórcio Intermunicipal de Saúde CIM/Expandia Sul pela prefeitura.

O presidente da Câmara, Mariel Delfino Amaro (PCdoB), foi empossado no cargo e deveria assumir nesta segunda-feira. No entanto, de acordo com a decisão do juiz, a decisão da Câmara é inconstitucional, considerando que não tem competência para afastar o prefeito provisoriamente.

Mariel Delfino Amaro anunciou que entrará com um com recurso na Justiça, a fim de manter a decisão que afastou o prefeito por 60 dias, prazo estabelecido para a conclusão da CPI que apura denúncias de atos ilícitos do prefeito

Em texto publicado em suas redes sociais nesta segunda-feira, após a decisão, Peçanha tratou a medida da Câmara como "uma aberração produzida por forças do atraso e da velha política" e prometeu anunciar "o nome de quem está por trás disso e as medidas de responsabilização que o município tomará contra os responsáveis pela fraude legislativa, que resultou em danos à imagem de Itapemirim perante todo o Espírito Santo".

O Consórcio Intermunicipal de Saúde CIM/Expandia Sul é responsável pela gestão na área de saúde de sete municípios no sul do Estado e alvo de investigações por parte do Ministério Público e câmaras municipais, entre elas a de Piúma, município vizinho a Itapemirim. O consórcio atende ainda aos municípios de Anchieta, Alfredo Chaves, Iconha, Rio Novo do Sul e Marataízes.

O prefeito afastado era vice do prefeito eleito pelo Pros, Luciano Paiva, que perdeu o mandato em fevereiro deste ano, por envolvimento em casos de corrupção. Paiva já estava afastado do cargo desde abril de 2017.

Luciano Paiva, o Dr. Luciano, foi condenado pelo Tribunal de Justiça a nove anos e um mês de prisão, mas poderá recorrer em liberdade. Ele foi condenado por ilícitos cometidos na contratação de sete shows artísticos e também em um contrato de publicidade firmados pela prefeitura. Somados, os contratos chegam a mais de R$ 1 milhão.

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1 Comentários
  • Roberto Cícero Sousa da Silva , terça, 28 de maio de 2019

    A política no litoral sul do ES é uma vergonha... corrupção faz parte do dia a dia dos políticos locais. O prefeito falou em velha política, seria cômico se não fosse trágico.... enquanto isso a população sempre fica em segundo plano...

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