Liberação de armas de fogo não irá reduzir os índices de violência

O secretário de Segurança, Roberto Sá, evitou fazer críticas ao decreto, mas apontou soluções

A liberação da posse de arma para a população, por meio de decreto do presidente Jair Bolsonaro assinado nesta terça-feira (15) provocou impacto também no Espírito Santo, com manifestações contrárias à medida, entendendo que ela não irá contribuir para reduzir os índices de violência. 

O decreto presidencial foi divulgado no mesmo dia em que o instituto de pesquisa  Dafolha revelou que os brasileiros desaprovam a pauta do governo federal, apesar de ter sido eleito com mais de 52 milhões de votos. Esse fato mostra o desgaste do novo governo, com apenas duas semanas no exercício do poder.

O secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá, afirmou que seu receio é fundamentado em sua experiência, "dramática", no Rio de Janeiro. Segundo ele, o estado vizinho registrou a apreensão de nove mil armas por ano nos últimos quinze anos, o que dá a média de uma arma por hora.

“O número de armas circulando tem sido um problema. Eu não estou fazendo uma crítica, até porque eu acho o princípio da autodefesa interessante. Por outro lado, penso que temos que tentar, com mais prioridade, enfrentar e criar programas de desarmamento ao criminoso. Não sei se vamos conseguir desarmá-lo com mais armas nas casas”.

O secretário alerta que “o policial que é treinado para usar arma de fogo, quando o criminoso tem a favor o fator surpresa, muitas vezes, acaba perdendo a vida”. E questiona: “Será que o cidadão comum, mesmo treinado, vai conseguir evitar um crime dentro da própria casa? Eu torço para que a ideia de que o bandido, sabendo que o outro pode estar armado, pense duas vezes antes de cometer o crime, seja o resultado final. Mas me causa uma preocupação”.

Para ele, o foco deveria ser na redução de armas circulando, que não seja nas mãos de agentes públicos, como policiais e, em alguns casos, magistrados".

Em pronunciamento na Assembleia Legislativa, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) ponderou de forma semelhante. “Estamos tratando uma questão tão séria como a violência baixando um decreto de liberação de armamento e dando a isso uma conotação de solução para um problema muito mais complexo do que se imagina. É ignorância acreditar que se vai combater a violência dando às pessoas condições de revide à violência”, disse.

O policial civil e professor universitário Egisto Nicoletti é da mesma opinião do deputado. Para ele, “Bolsonaro está cumprindo uma promessa de campanha, que não irá solucionar o problema da violência, nem deixar o cidadão comum mais seguro, abrindo ainda a possibilidade de formação de milícias”.

O parlamentar considerou a proposta como fruto da falta de conhecimento sobre as raízes da violência no Brasil e que a ideia vai contra “tudo aquilo que se sabe, se estuda e se analisa sobre o que é violência e suas causas”.

Para ele, “a responsabilidade está no modelo de economia e de investimento feito pelos governos que até hoje comandaram o Brasil. E não há exceção. Quem deu muito, deu migalhas para o povo, com propostas tímidas com relação a investimento nas áreas sociais”.

Já Egisto Nicoletti acha que o decreto funciona como se alguém colocasse álcool ou gasolina para apagar um incêndio, citando o Espírito Santo, “um Estado violento”, como exemplo de que o decreto presidencial vai contribuir para aumentar os casos de violência.

“Possuir uma arma não é garantia de segurança. Eu pergunto: porque os policiais, armados, não saem sozinhos e vão sempre em dupla?”. Segundo ele, o bandido age com o elemento surpresa e saber que o cidadão tem arma em casa não vai impedi-lo de agir, pois está acostumado com a vida perigosa.

A pesquisa do Datafolha demonstra que posse de arma, escola sem partido, relações com Estados Unidos, redução das demarcações indígenas, esvaziamento da proteção ambiental, privatização de todas as estatais possíveis e redução das leis trabalhistas são propostas rejeitadas pela média dos entrevistados em patamares que chegam a 70%.

O Brasil não consegue nem saber o que acontece com as armas em circulação e quer delegar à população a responsabilidade de se defender. Segundo o decreto, cada cidadão acima de 25 anos poderá ter até quatro armas de fogo em casa. 

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2 Comentários
  • Machado , terça, 15 de janeiro de 2019

    1)Pesquisa DataFolha não tem credibilidade alguma; 2)Desarmar a população é uma das pautas da esquerda; então, isso não é bom; 3)Jornalismo sério expõe a opinião tanto de desarmamentistas quanto daqueles que defendem o direito individual de o cidadão possuir armas, o que não ocorreu aqui neste espaço; 4)Não há correlação entre aumento do número de armas e o crescimento da violência; ao contrário disso, com o desarmamento da população, o número de homicídios só cresceu desde 2005, quando os eleitores (2/3) decidiram pela permissão da comercialização de armas no Brasil, mas o governo esquerdista do pt fez o estatuto do desarmamento e desarmou a população. Pior de tudo, a Venezuela copiou nosso estatuto na íntegra, desarmou a população daquele país e hoje o povo venezuelano vive sob a ditadura do regime totalitário de maduro; quase que os petralhas conseguiram fazer isso aqui também; 5) O desarmamento da população é uma covardia imposta por governantes mal intencionados. Pessoas que defendem isso, acreditando que serão protegidas pelo Estado, são ignorantes e desonestas.

  • caiotitolivio , quarta, 16 de janeiro de 2019

    A flexisibilização da posse de arma, é um anseio da população, foi um ato no qual o Presidente eleito ouviu o clamor da população ninguem é obrigado a comprar uma arma, mas é necessário respeitar a vontade de quem quer possuir o armamento. É importante levar em conta que na hora que vagabundos tiverem arrombando sua residencia mais vai valer um 22 rossi sete tiros de antimonio na sua mão do que todo efetivo da policia militar a sua disposição do outro lado da linha.