Mais de 1,2 mil mandados de prisão estão em aberto no Espírito Santo

Situação reflete baixo efetivo e precária estrutura da Polícia Civil

O Espírito Santo tem hoje 1.247 mandados de prisão em aberto, segundo levantamento do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP). Os números, informa o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dizem respeito a criminosos envolvidos em assassinatos, tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio, como assaltos e furtos.

Apesar de muitos mandados serem cumpridos por policiais militares, é a Polícia Civil que realiza as prisões, bem como investiga os crimes, muitas vezes em conjunto com agentes de outras forças policiais.

Por isso, o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) afirma que essa impunidade é reflexo da falta de policiais e de estrutura de trabalho e reforça a necessidade de investimentos emergenciais em segurança pública.

O último levantamento feito pelo Sindipol/ES apontou uma defasagem que supera 60% no quadro de policiais civis no Espírito Santo. Os números são alarmantes: na década de 1990, havia aproximadamente 3,8 mil policiais para dois milhões de habitantes. Hoje, a população mais que dobrou e o efetivo baixou para 2,2 mil. A situação caótica vem sendo denunciada pela entidade há anos, acompanhada de cobrança assídua por melhorias ao governo do Estado e à Assembleia Legislativa.

Além disso, o sindicato realizou inspeções em delegacias de norte a sul do Estado e constatou que diversas unidades estão em péssimas condições estruturais, o que compromete ainda mais o serviço prestado à população capixaba.

“Compromete o serviço prestado e ironicamente leva perigo de morte aos policiais e ao cidadão que vai a delegacia prestar uma queixa, por exemplo. O cidadão precisa entender que a falta de investimentos gera essa impunidade. Hoje, o policial civil precisa escolher entre manter uma delegacia aberta para registrar uma ocorrência ou investigar crimes. A Polícia Civil não tem efetivo suficiente para fazer o que deve, investigar e prender bandidos”, explica o presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal.

Jorge Emílio, que também é especialista em Segurança Pública, lembrou que o Ministério Público do Trabalho, depois de ações judiciais movidas pelo sindicato, determinou que delegacias fossem reformadas no Espírito Santo.

“A Polícia Civil sofreu com a falta de investimentos do governo Paulo Hartung, assim como a PM também. Esses quatro anos de descaso abriu uma brecha para que os bandidos se organizassem. Hoje, falamos na atuação de facções criminosas no Espírito Santo. A Polícia Civil é um dos pilares do sistema de segurança. Sem investimentos, vamos continuar vivendo essa rotina de medo e de impunidade”, finalizou o presidente do Sindipol/ES.

 

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