Máquina de manipulação do MBL também opera no Espírito Santo

Professora do Ifes vem sendo vítima de ataques do grupo para reforçar projeto Escola Sem Partido

O Movimento Brasil Livre (MBL) já foi condenado e teve páginas retiradas do ar pela disseminação de fake news, notícias falsas ou manipulações grosseiras da realidade. A fábrica de mentiras e distorções também vem sendo replicada pela representação do grupo no Espírito Santo. Dessa vez a vítima foi Flávia Cândida, professora de História e Filosofia do Instituto Federal do Estado (Ifes) de Aracruz.

Suas fotos foram expostas nas redes sociais do movimento denunciando a suposta “doutrinação ideológica”. Na imagem ela usa uma camisa escrito: “Militar para mim é verbo” e um arco com os dizeres “Eu avisei”, adereço que usou como parte da brincadeira de corredor de alguns alunos na sexta-feira de carnaval.

A professora explica que a foto foi tirada no momento em que entrou na sala antes de iniciar a aula, tanto que na imagem se nota que o quadro de fundo ainda traz as anotações da aula anterior, de Química. Depois da brincadeira, a aula de História da professora Flávia transcorreu normalmente, abordando o tema da Idade Média.

Foi só no domingo depois do fim do carnaval que o movimento repercutiu um meme com a imagem da professora e os seguintes dizeres: “Lamentável. Ao invés de se preocupar em ensinar os alunos, professora do Ifes de Aracruz prefere ser verdadeira militante política em sala de aula. O meme já tinha quase 1.800 compartilhamentos até o fechamento desta edição.

“Me espanta que é uma foto completamente fora do contexto e as pessoas estão avaliando minha conduta profissional, moral e intelectual a partir de uma única imagem que não fala nada a respeito da aula”, afirmou a professora.

Para ela, o objetivo é claro: fomentar o projeto Escola Sem Partido, uma das bandeiras do MBL, que vem incentivando alunos a denunciar e registrar atos que considerem “partidários” dentro das escolas. Na verdade, o combate é a qualquer ideia que pareça ser de esquerda. “Eles não se preocupam em estar atrapalhando ou destruindo a reputação de alguém no meio do caminho. Estou sofrendo ameaças, estou com medo de andar pelas ruas da cidade em que moro e trabalho por causa da irresponsabilidade de um grupo que está tentando se beneficiar politicamente e não tem escrúpulos”, lamentou.

O MBL insistiu na perseguição no dia seguinte, quando os alunos organizaram espontaneamente uma recepção em apoio à professora e ela voltou a exibir os adereços no corredor. Foi feito um print de um vídeo gravado pelos alunos postado junto com uma mensagem que o MBL dizer que foi enviada por outro estudante, alegando que perdeu quase 30 minutos de aula por conta da manifestação em solidariedade à professora, embora a mesma afirme que tal ato durou menos de 10 minutos.

Flávia conta que recebeu apoio de alunos, servidores e professores do Ifes, de diferentes posições políticas. “Quem me conhece sabe que aquilo é um absurdo. Todo mundo que é meu aluno sabe que não faço discurso partidário dentro de sala de aula, tenho minhas convicções políticas mas não faço defesa de grupo específico, não levo slogans ou propagandas de ninguém. É lamentável que usem de métodos tão baixos para não fazer discussão política e tentar impor o projeto e visão de escola e sociedade deles”, afirmou a professora.

Ela lamenta que o Brasil viva um momento em que as pessoas estejam ficando tão assustadas e neuróticas a ponto de perder a capacidade de análise e de enxergar além de uma imagem ou de questioná-la. Considera também que o clima de perseguição pode afetar diretamente a qualidade de ensino, levando os professores a ficarem evitar fomentar certos debates ou proibirem o uso de celulares, que podem ser uma ferramenta pedagógica, por medo de serem filmados, fotografados, gravados e depois acusados nesse "tribunal sumário da internet", que também acaba tendo repercussões na vida real.

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6 Comentários
  • Jordano , quinta, 14 de março de 2019

    Mas vai me dizer que ela não gostaria de ver todos os alunos gritando "Hei Bolsonaro VTNC" como muitos da esquerda bradaram nesse carnaval, especialmente nos blocos? Vai me dizer que ela não iria ficar toca contente se os alunos começassem a gritar "Lula livre"? Ou ela iria interromper os alunos, dizendo que ali é uma sala de aula e não um, palanque político? A melhor forma de fazer oposição é votar contra o atual governo em 2022. Até lá, Bolsonaro é NOSSO presidente.

  • ROBSON DA PAIXÃO , quinta, 14 de março de 2019

    Máquina de manipulação esta sendo a redação desse veiculo que publicou essa matéria tendenciosa, tentando desqualificar um movimento, apoiando e incentivando outro que no caso é visivelmente explícito tanto sua posição esquerdista como o da "tal" professora, pois ao invés dela fazer alusão contrário ao governo, deveria exercer sua profissão como educadora e não como manipuladora de alunos ostentando essa foto.

  • Johnny , quinta, 14 de março de 2019

    Vendo alguns comentários feitos aqui por militantes aloprados da extrema direita!, gente mentirosa, caluniadores e sem cultura! Não sabem nada sobe sala de aula , mesmo que seja de ensino médio, quanto mais de nível superior! Não passam de uma milícia digital repleta de covardes e ignorantes!

  • Samuel , sexta, 15 de março de 2019

    Acho que, se ela usou tal camisa pra dar aula, então estava sendo usado em um situação inapropriada. Cabe dizer que a intenção de tal manifestação em tal situação é tentar influenciar a opinião de alunos em assuntos não concernente a aula.

  • Marco Antônio Pires Velloso , sexta, 15 de março de 2019

    Ela está errada , completamente errada, e vocês também ao publicarem a notícia dessa maneira!! Ridículos , escola sem partido SIM ! Na sala de aula não tem que ter doutrinação!!! Ela que faça um blog de esquerda decrépita , e fique postando FakeNews para os vassalos beligerantes da esquerda decrépita! Liberdade , mas nas salas de aula NÃO!

  • Enrico Moretti , sexta, 15 de março de 2019

    O MBL tem feito muito mais pelo país do q vcs "blogzinhos de quinta" tendenciosos e sem valor, o Brasil inteiro acompanhou quando não só a página do movimento foi deletada como tbm de vários outros canais de Direita, isso de maneira vergonhosa e arbitrária.

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