Medidas de isolamento social continuam no Espírito Santo, reforça governador

Renato Casagrande considera irresponsável a fala do presidente Bolsonaro minimizando a pandemia

“Menosprezar os efeitos da pandemia [Covid-19] neste momento pode dificultar a retomada da atividade econômica. Precisamos tomar medidas mais fortes, para mudar a cultura das pessoas, e depois fazer um trabalho mais pontual, com controle da propagação do vírus”. Essa foi a síntese da fala do governador Renato Casagrande durante a reunião entre os chefes de Estado da região Sudeste e o presidente Jair Bolsonaro ocorrida no início da manhã desta quarta-feira (25). 

O relato, feito por Casagrande logo após o encontro, teve objetivo de reafirmar a necessidade de manter os decretos estaduais de isolamento social publicados a partir do dia 16 de março. “Meus decretos estão vigentes. Não é correto relaxar agora”, asseverou. 

Casagrande relatou ainda ter dito a Bolsonaro que lamenta que os temas da pandemia no Brasil estejam sendo tratados no confronto, com o governo federal enfrentando os governadores. “O que nós queremos é uma coordenação nacional e um trabalho conjunto pra diminuir o impacto do contágio. Estamos preocupados com os impactos econômicos, mas sem cuidados com a saúde teremos ainda mais impactos econômicos. O presidente deveria liderar os trabalhos”, pontuou.  

“Falei com Bolsonaro dessa forma: eu gostaria muito que a posição do presidente da República estivesse correta, porque nos aliviaria muito, mas como gestor não posso pagar pra ver. Tenho que cuidar, tomar medidas pra depois fazer a flexibilização. Eu estou perdendo receita, não tenho razão pra querer fechar comércio a não ser o esforço para conter a propagação do vírus. A Coreia fez isso, deu certo, a China fez isso, deu certo. A Itália não fez, a Espanha não fez, e a gente está vendo o que está acontecendo. Se a saúde entrar em colapso, a economia vai parar”, argumentou.  

“As palavras têm força. Isso está na Bíblia. As palavras do presidente da República têm força”, disse Casagrande. “A palavra do presidente traz dúvidas pra sociedade. Mostra que estamos sem liderança, dificulta nosso trabalho. As pessoas se perguntam: posso sair do isolamento? Não posso sair? Temos que manter, não vamos brincar com isso”, afirmou, explicando que o Laboratório Central (Lacen) continua trabalhando para aumentar a capacidade de realização de exames e produzir mais dados que embasem uma flexibilização futura do isolamento. 

No momento, porém, enfatizou: “Meu apelo é que a gente continue com os mesmos cuidados até agora”, clamou, elogiando, novamente, as medidas tomadas pelo governo federal de apoio aos estados, principalmente o envio de R$ 72 milhões que o Espírito  Santo irá receber, e os R$ 72 milhões que os municípios também irão receber. Serão em quatro parcelas, R$ 18 milhões por mês. Apesar de não ter sido anunciada a data do envio dos recursos, Casagrande acredita que virá rapidamente. O que falta, pontuou, é a garantia de mais aparelhos respiradores, mais EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] e vacinas contra gripe. 

Sobre a efetividade das medidas, Renato Casagrande parabenizou a população, citando a redução em 71% do volume de passageiros no transporte coletivo, e de mais de 90% na rodoviária de Vitória e no aeroporto. “Houve de fato contribuição da sociedade”, disse, voltando a enfatizar a necessidade das indústrias e dos donos de supermercados contribuírem mais. “Tem que mudar a rotina industrial. Todo dia tem o café da manhã, a refeição. Não pode ter aglomeração, precisa manter distância. Higiene nas obras e nas indústrias. E volto a pedir aos donos dos supermercados para tomarem providencias. É responsabilidade deles controlar a entrada de pessoas”, sublinhou. 

Casagrande também disse que até esta sexta-feira (27) o secretário de Estado de Desenvolvimento (Sedes), Marcos Kneip, irá apresentar uma proposta de auxílio complementar às micro e pequenas empresas e aos trabalhadores da economia informal. “Teremos sim, além das medidas do governo federal, medidas nossas pra que a gente possa dar suporte a micro e pequenas empresas e aos trabalhadores informais na sua sobrevivência”.
 

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