Meliponário escolar permite interação das crianças com abelhas sem ferrão

Instalado no CMEI de Santo Antônio, Meliponário Mirim Guaçu terá colmeias e 'hotel de abelhas solitárias'

Um espaço de preservação, educação e conscientização. Essa é a proposta do Meliponário Mirim Guaçu, que será inaugurado nesta sexta-feira (15), às 8h30, no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Darcy Vargas, em Santa Antônio, Vitória.


Fruto de uma parceria com a Associação dos Meliponicultores do Espírito Santo (AME-ES) e o Meliponário Emparede, o Mirim Guaçu homenageia uma das abelhas nativas sem ferrão que serão estudadas pelas crianças e professores.

Além dela, também estarão presentes a jataí, a uruçú-amarela, a mandassaia e espécies nativas “solitárias”. Para as primeiras, que são espécies sociais e vivem em colmeias, foram construídas caixas específicas para sua fabricação de mel, própolis e outros produtos.

Já as solitárias contarão com “hotéis de abelhas” – estruturas que reproduzem os buraquinhos que as abelhas solitárias já haviam feito nas paredes da escola e que eram alvo da curiosidade das crianças.

As espécies solitárias formam 80% do total de espécies de abelhas no mundo. O nome “hotel” se dá porque diferentemente das abelhas sociais, que moram em suas colmeias, as solitárias só utilizam os buraquinhos para se reproduzirem. Elas colocam um tipo de ‘ovo’ e vão embora. Quando os filhotes nascem, a mãe já morreu. Eles também saem e só voltam pra se reproduzirem.

As abelhas solitárias não produzem mel, mas são igualmente importantes para a polinização de plantas da Mata Atlântica e para a produção de alimentos para os seres humanos. Algumas solitárias polinizam a acerola e o tomate, por exemplo.

Esse componente ecológico será ressaltado na iniciativa, que faz parte do projeto “Vitória, Terra de Índio”, que acontecerá ao longo deste ano durante as aulas de educação física do CMEI.

A ideia, conta o professor Rogério Caldeira, meliponicultor do Emparede e associado à AME-ES, é aproximar as crianças da cultura indígena, por meio de brincadeiras e jogos tradicionais indígenas e das abelhas nativas, que os povos autóctones da ilha tão bem conheciam e se utilizam para obtenção de mel e medicamentos.

“O nome Meliponário Mirim Guaçu foi escolhido a dedo, pela representação da espécie Mirim Guaçu, uma abelhinha linda que se faz presente em muitos quintais e casas da cidade de Vitória, polinizando os pomares urbanos de forma discreta quase invisível”, conta Rogério.

Na língua Tupi Guarani, prossegue o professor, Mirim Guaçu significa “pequena grande”, o que é “uma ótima representação para as crianças, nossos pequenos de grande importância”, associa.

 

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