Moradores de Cedrolândia realizam novos protestos contra má qualidade da água

Amostras da água de cor amarelo escuro e gordurosa foram levadas para frente da prefeitura

Moradores de Cedrolândia, localizada na zona rural do município de Nova Venécia, noroeste do Espírito Santo, realizaram um protesto em frente à prefeitura do município nesta segunda-feira (4). O motivo: uma luta que se arrasta há anos pela qualidade da água da localidade. Sem tratamento adequado, já estão sendo registrados casos de hepatite A e o medo é que a contaminação atinja as crianças na volta às aulas, que ocorre nesta terça  (5).  A água é usada para consumo de mais de 200 alunos, além de utilizada no preparo das merendas. 

No protesto, galões com a água contaminada foram levados para frente da sede da prefeitura de Nova Venécia. No local, os moradores foram alertados sobre os riscos da água que estão consumindo e que não está tendo o tratamento adequado. Também que seria importante realizar a limpeza das caixas d’água para amenizar o problema.



Os manifestantes tinham a intenção de dormir no local até que fossem tomadas providências. Eles esperavam ser recebidos pelo prefeito do município, Mário Sérgio Lubiana - Barrigueira - (PSB), o que não ocorreu. A reunião foi com o chefe de gabinete, por três procuradores e pelo secretário de Administração de Cedrolândia, que comprometeram-se em levar água potável para consumo das crianças nas volta às aulas. Caso isso não ocorra, o protesto na prefeitura será retomado já nesta terça.

Laudo

Desde fevereiro de 2018, um laudo de vistoria da equipe da Defesa Civil de Nova Venécia constatou que o reservatório de água da Estação de Tratamento de Água do bairro Cedrolândia apresenta risco parcial à integridade física, à vida e ao patrimônio. O laudo foi feito depois de suspeita de moradores, que denunciaram a estrutura precária da estrutura e o fornecimento de uma água com cor e gosto de ferrugem e oleosa. 

De acordo com o documento, assinado pelo coordenador municipal da Defesa Civil de Nova Venécia, Alderiones Leite, e pelo engenheiro Henrique Damasceno,  "apesar de não apresentar avarias para um risco imediato, o reservatório possui patologias como trincas que causam vazamento e rede elétrica com avarias, colocando operadores e moradores em risco”.

Os técnicos apontaram ainda que é preciso “que os responsáveis façam as correções necessárias para sanar o problema e que tais medidas sejam tomadas por profissional qualificado, visto que o quadro é evolutivo e tende ao agravamento”. 

Cesan abandona tratamento

A vistoria foi solicitada pela defesa jurídica dos moradores, que exigem providências do Comitê de Água de Cedrolândia (CAC), para quem a Companhia Espirito-Santense de Saneamento (Cesan) entregou o serviço de abastecimento de água em Cedrolândia, que tem cerca de mil habitantes e é a maior concentração de pessoas fora da sede do município.

O tratamento de água na localidade foi abandonado pela Cesan, apesar do contrato assinado com o município em 2009 válido por 30 anos, e a CAC não conta com os equipamentos e acompanhamento técnico necessários. O resultado é uma água carregada de impurezas.

Apesar de várias reclamações realizadas na Prefeitura e na Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), até o momento, nenhuma atitude foi tomada. Neste ano, três novas denúncias foram realizadas na Promotoria de Justiça de Nova Venécia, na Comissão de Direitos Humanos da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) e outra protocolada no Palácio Anchieta e direcionada ao próprio governador Renato Casagrande (PSB).

Em dezembro de 2018, os moradores também participaram de sessão da Câmara Municipal em busca de apoio dos vereadores para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a má qualidade da água na comunidade. Com cartazes pregados na entrada do prédio e requerimento em mãos para leitura no Plenário, os manifestantes relataram o descaso da prefeitura e da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e exigiram providências do legislativo.

Escola sem reforma

Além da qualidade da água de Cedrolândia, outra luta dos moradores da localidade é em relação à Escola Municipal de Ensino Infantil e Ensino Fundamental (EMEIF) Cedrolândia, que não teve a reforma concluída para o início das aulas. Segundo relato de pais, as salas de aulas não foram concluídas e não há carteiras nem livros. Isso porque o início da reforma foi postergado.

Um abaixo-assassinado pediu providências urgentes à prefeitura da cidade, em abril do ano passado. Laudo da Defesa Civil praticamente condenou a unidade de ensino por sua estrutura colocar em risco a vida de cerca de 250 pessoas que utilizam o espaço diariamente, entre alunos, professores e funcionários. A reforma foi iniciada, porém, não concluída. 

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